Acompanhe nas redes sociais:

17 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 848 / 2015

25/11/2015 - 00:00:00

Carnaval veneziano

Cláudio Vieira Advogado e escritor, membro da Academia Maceioense de Letras

O carnaval de Veneza, festa tradicional daquela cidade italiana, surgiu no século XVI, acontecendo sempre em dias antes da Quaresma. Originalmente festa dos salões nobres, com o tempo foi popularizado, sendo hoje realizado na Piazza San Marco, ponto turístico mundialmente conhecido. É diverso do nosso carnaval, mas existe também no Brasil, mais precisamente na cidade Nova Veneza, em Santa Catarina. Caracteriza-se, lá e cá, pelo uso de máscaras e faustosas e coloridas roupas de séculos passados.Não é desse carnaval, porém, que trata a crônica. A política tem sido, nos últimos tempos, notadamente nos anos recentes, arremedo do carnaval veneziano, sendo impositivo, senão as coloridas vestimentas, o uso de máscaras caricatas.

Há meses, a pendenga entre oposição e governistas vem-se arrastando em forçado impasse, enquanto a Nação estarrecida espera – ou não espera - um desfecho, necessário a que o Estado brasileiro retome a vida normal. Nesse período, governistas e opositores vestem suas máscaras, quase sempre de bons mocinhos interessados em atos e soluções republicanas.Agora as máscaras estão sendo desvestidas, nesse entrevero entre oposição, governo e Eduardo Cunha.

O fato de uma pessoa, por mais ilustre que seja, paralisar uma Nação é, de fato, algo não só inusitado, mas sobejamente revelador da crise moral por que passa a política brasileira. Eduardo Cunha, com todas as imputações criminais que lhe vêm sendo impostas, não é ilustre e muito menos reserva moral. Mesmo assim, tem manobrado e mantido sob rédeas curtas tanto o governo quanto a oposição capitaneada pelo PSDB. Este partido, que ensaia detentor da reserva moral da Nação, abandona o apoio ao enrolado presidente da Câmara, abrindo mão – antes tarde do que nunca – a esperança de ver o processo de abertura do impeachment da Dona Dilma saia da sacola cunhista. Cunha, ressentido com o desprezo peessedebista, já declara que a oposição perdeu a chance de, através dele, defenestrar a presidente.

O PT e o governo, por sua vez, de há muito perdido o pudor e o senso de medida e de ética, aproxima-se de Cunha que, por sua vez, espera deles o apoio para não se ver cassado. Deputado que pretende a abertura de processo de cassação contra o presidente da Câmara Federal, é acusado, por sequazes de Cunha, de falcatruas eleitorais, sendo, por sua vez, alvo de processo de cassação. Outro deputado afasta-se da Comissão de Ética, para dar lugar a parlamentar, também alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal, declaradamente pró-Cunha, que descaradamente declara o objetivo da sua ida para a Comissão: salvar o cupincha.As máscaras estão caídas! O que falta ainda nesse carnaval veneziano da política brasileira? 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia