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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 848 / 2015

25/11/2015 - 00:00:00

Crimes sem castigo

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

Aprendi, desde pequena, as regras básicas da vida: não roubar, não matar, não mentir. Qualquer criança sabia que, se errasse, seria castigada.Alagoas sempre foi um estado conhecido por brigas entre famílias. Quem não se lembra do escândalo que foi o governo de Silvestre Péricles? Havia um deputado chamado Oseas Cardoso e os dois eram inimigos figadais.

 

A polícia, na época dirigida pelo governador, praticava determinados atos. Na Rua do Sol, numa certa manhã, ocorreu um terrível crime, pois Silvestre mandou matar a família do parlamentar. E, segundo notícias dos jornais, havia pessoas da própria polícia envolvidas no escândalo.O Legislativo dos idos de 40 e 50 era tido como sério. Não se falava em corrupção, em enxerto na folha de pagamento. A ALE funcionava com 92 funcionários e a única fama explorada era que os deputados levavam para lá suas namoradas, embora fossem casados. Mas ainda havia concurso, e não se falava em divisão de dinheiro público.

 

O Tesouro Estadual, que hoje seria a Secretaria da Fazenda, funcionava no térreo do prédio da Assembleia. Recebíamos nossos salários e vivíamos tranquilos. Se acontecesse algum engano na folha de pagamento, a própria secretaria da ALE corrigia o erro e no mês seguinte tudo voltava ao normal.

 

Recebíamos apostilhas referentes às alterações em nossas rendas mensais e ninguém se atrevia a desrespeitar nossos direitos. Éramos felizes!Mas, o tempo foi passando, o Legislativo crescendo e aparecendo métodos excusos de utilizar o dinheiro público. Surgiram figuras famosas e algumas viraram verdadeiros feiticeiros. Ouvi, certa vez, um governador do Estado dizer aos deputados: “Retirem fulano; ele vale mais do que todos os parlamentares juntos”.

 

E na realidade, o moço, diretor comissionado, era um verdadeiro bruxo: bajulava deputados, perseguia servidores e introduziu o enxerto na folha de pagamento. Começaram a surgir novos métodos, isto é, o servidor entrava como comissionado e no ano seguinte virava estável. O moço criava novas maneiras de corrupção e os deputados gostavam... E o bolo foi aumentando. Famílias inteiras de políticos passaram a fazer parte do quadro do Legislativo alagoano.Com a Constituição de 88 apareceu o tal do duodécimo. Foi nossa grande derrota.

 

As Mesas Diretoras começaram a manipular a verba pública e os crimes se sucederam. Surgiu então a anuência. Endoideceu tudo! Uma simples professora virava procuradora da ALE, quando na realidade a primeira exigência era de que os cargos fossem semelhantes. Numa só legislatura houve mais de trezentas anuências. Nessa época era presidente da Assembleia o hoje senador Benedito de Lira e governador do Estado o Sr. Geraldo Bulhões.Pensam vocês que houve punição? Os deputados aceitavam os métodos do célebre feiticeiro e a folha da Assembleia chegou a 5.000 funcionários. Não adiantava denunciar; os crimes se sucediam.

 

Foi preciso o PDV, Plano de Demissão Voluntária, para que 700 pessoas pedissem demissão e depois outras tantas fossem afastadas.Outro fato grave: dizem as más línguas que os assessores, hoje com salários dobrados e chegando a 700, dividem o valor recebido com os patrões. Ninguém prova e a farra continua. Quero ver caber tanta gente num prédio só!!!Em 2013, o MP entrou na Assembleia, retirou um monte de documentação, afastou a Mesa e reacendeu a esperança dos servidores. Agora pensávamos: o Legislativo entrará nos trilhos; o duodécimo será suficiente! Viveremos em paz! Mas o MP não pode punir.

 

Ele apenas denuncia.Estamos em fins de 2015 e novo escândalo surge. Desta vez, um jornal local informou que três pessoas foram incluídas na folha de pagamento da ALE durante três meses e nem elas próprias sabiam disso. Alguém recebia o salário pelas supostas servidoras. Que crime é esse? Estelionato?A sociedade alagoana clama por punição de tais deputados! É preciso que a Justiça afaste a atual Mesa, verifique os crimes praticados e puna os culpados. São anos e anos de incessantes denúncias e ninguém foi condenado! Não dá para esperar mais! A revolta é grande e os crimes se sucedem.Segundo o MP há cinco processos contra a ALE mas o importante seria a conclusão de todos eles! Chega de impunidade!Só Deus na causa!

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