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Edição nº 848 / 2015

25/11/2015 - 00:00:00

E a gente paga a conta

JORGE MORAIS Jornalista

Como no Semanário EXTRA a nossa editoria é bastante democrática, nos dá, portanto, a liberdade de comentar alguns fatos registrados em outros veículos de comunicação. Ao mesmo tempo, peço permissão à colega jornalista Láyra Santa Rosa para destacar no artigo desta semana um assunto abordado por ela para o Semanário O Dia, no qual também tenho uma coluna sobre esporte: o preço da gasolina.

Com o título da matéria “Preço da gasolina varia até R 0,30 em Maceió”, três coisas me chamaram a atenção: a primeira está relacionada à declaração dos dirigentes da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) e do Sindicato do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes em Alagoas (Sindcombustíveis) “que o mercado é livre e competitivo em todos os segmentos, cabendo a cada posto revendedor decidir se irá repassar ou não os aumentos ao consumidor”.A segunda coisa é que, em nota, eles dizem que “as duas entidades não interferem no mercado e zelam pela livre concorrência e livre iniciativa, em defesa de um Brasil melhor para todos”.

E por último, com todo respeito aos senhores dirigentes, qual é a nossa culpa nesse negócio todo? O governo segura os preços para ganhar as eleições e o povo, eleitor besta, é quem paga a conta.Quando as duas entidades afirmam que o mercado é livre e atuam em defesa de um Brasil melhor para todos, é mentira. De qual é o Brasil que eles estão falando. Se fosse, verdadeiramente, melhor para todos, a gasolina não estaria beirando a casa dos 4 reais, o que fatalmente chegará com o próximo aumento. Quando se refere ao preço dos produtos conforme seu custo, temos que analisar nesse contexto quem é grande e quem é pequeno no negócio, e não cobrar preços iguais ou parecidos, diferente, às vezes, os décimos de centavos.

A grande e inquietante verdade é que, se não for um cartel atuando no segmento, é algo bastante parecido. Quando o governo anuncia um percentual de aumento para os preços dos combustíveis, pode investigar que a diferença entre um posto e outro não é grande, ficando entre 1 e 5 centavos.

Isso me cheira um “grande acordo”. Se não for um cartel, nesse caso, é o quê?Depois dos preços cheios nas bombas de abastecimentos por algum longo período, um ou outro posto diminuiu mais alguns poucos centavos, principalmente aqueles chamados de “grandes bandeiras”, os maiores concorrentes ou as maiores empresas do ramo. Não tem quem me convença de que eles estão certos. Eles dizem que os culpados são os valores cobrados pelas distribuidoras, os impostos estaduais e os custos de manutenção. Dizem, ainda, que houve uma redução nas vendas, a perda de clientes, mas poucos estão saindo do ramo.

Pelo contrário, estão crescendo às nossas custas.Não é por acaso, realmente, que as grandes cidades, especialmente, no caso de Maceió, diminuíram o número de carros circulando em nossas principais ruas e avenidas. Faço todos os dias, os mesmos percursos, e os chamados engarrafamentos diminuíram pelo menos em 20%. Esse é o pensamento de uma grande quantidade de pessoas.

Em qualquer roda de bate-papo, o assunto é o mesmo: o preço da gasolina e a redução de veículos circulando.Para que não restasse nenhuma dúvida, conversei essa semana com alguns agentes da SMTT. E, no meio dessa conversa, a pergunta: vocês sentiram alguma redução no trânsito de Maceió, em relação ao número de carros circulando? A resposta: sim. Melhor do que ninguém, eles, para uma avaliação como essa. Mas, sabe por que isso está ocorrendo? Com o arrocho salarial, o desemprego, a inflação e o aumento dos combustíveis, a gente é quem está pagando essa conta.   

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