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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 848 / 2015

25/11/2015 - 00:00:00

JORGE OLIVEIRA

PMDB sem rumo

Brasília - O PMDB deu um tiro no pé ao reunir seus principais caciques em um congresso realizado na terça-feira no Hotel Nacional em Brasília. Se era para tirar uma proposta de apoio a Dilma, não precisava juntar um monte de políticos e alguns militantes numa reunião que só serviu para deixar o partido mais submisso a esse governo desastrado e incompetente.

Michel Temer, a estrela do encontro, fez um discurso professoral, chato e sem ânimo para quem esperava encorajar os peemedebistas a uma decisão de independência. Frustrou as mais de 300 pessoas que lotaram o auditório e decepcionou o povo brasileiro que esperava mais autonomia do seu principal partido.

O vice-presidente mostrava-se incomodado durante a reunião, certamente afetado pela revista Veja que o estampava na capa, no fim de semana, como um conspirador, que se preparava para assumir o governo com a provável queda da Dilma. Foi nesse clima tenso que Michel se apresentou aos seus convidados para, mais uma vez, reafirmar o apoio do partido que preside ao governo da Dilma e ao PT.

Quem assistiu ao seu discurso deixou o auditório do hotel desanimado e resmungando. Considerou-se enganado diante de um encontro estrategicamente desastroso e inoportuno para o momento, quando se sabe que as portas do Planalto foram fechadas para o vice Michel Temer.Acostumado às boas costuras políticas, cacique do PMDB há muito tempo, duas vezes presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer às vezes está agindo como político ingênuo ou inapto.

Não faz muito tempo entregou-se de corpo e alma ao governo, quando vislumbrou a possibilidade de preencher os cargos de primeiro e segundo escalões do país. Foi defenestrado por Aloizio Mercadante, ex-ministro do Gabinete Civil, que limitou seus espaços dentro do Palácio do Planalto.

Deixou a equipe reclamando do boicote que sofreu, enquanto a Dilma reclamava de suas declarações de que o Brasil precisava encontrar alguém para dar um rumo ao país.O incentivo para que coordenasse o  departamento de pessoal do Planalto foi do próprio Lula, que precisava de um político com credenciais para desafiar Aloizio Mercadante, a quem ele detesta. Ao ser jogado na fogueira das vaidades, Michel viu o Lula escapulir de fininho depois de bagunçar o gabinete da Dilma, retirando de lá de dentro, quase à força, Mercadante, que pulou para o Ministério da Educação mas não perde a oportunidade do papel de papagaio de pirata da Dilma. Agora, Michel Temer vive o dilema de ser tachado de conspirador.

É o único político que conspira a céu aberto. Constrangido, vive o dilema da quebra de confiança. Dilma já não confia no seu vice e não tem mais respeito por ele, porque sabe que Michel articula a sua queda. Ora, se é para derrubar a presidente o caminho seria tirar o apoio do PMDB ao seu governo, como querem alguns caciques. Ocorre que o partido está infiltrado de fisiológicos que estão agarrados a cargos como carrapatos. Foi para manter essa turma no poder que o congresso serviu. E o Michel, um político experiente, mais uma vez foi levado por alguns amigos espertos que deixaram o auditório com a certeza de que vão emplacar 2016 ainda empregados com a ratificação do partido de se manter ao lado da Dilma.

Joguete

O PMDB está com dificuldade para se locomover dentro do governo, mesmo infiltrado em vários ministérios e no segundo escalão. Falta ao partido competência para se apresentar ao país como uma alternativa  de poder. Seus líderes estão apáticos diante da crise que corrói a economia, desemprega o brasileiro e o sacrifica com uma inflação que já alcança os dois dígitos. O vice, diante dessas águias peemedebistas, está virando joguete. Cada vez que tenta liderar um partido tão heterogêneo como o PMDB, a turma que joga dos dois lados questiona a sua autoridade e divide as ações políticas dentro do partido. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Diante disso, Michel deve se encolher e esperar o momento oportuno para o desafio de governar o país, isso se até lá o TSE não cassar a Dilma e levá-lo juntos.


Amiga

Não escapa ninguém. Orgulhoso por ter sido o ministro da Fazenda que mais permaneceu no cargo desde o início da República, Guido Mantega – que não pode sair às ruas desde que largou o ministério – tinha o apelido de “Amiga”, como codinome  no grupo dos mafiosos que fraudava julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).


Atolado

A Justiça autorizou esta semana a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Mantega para apurar o seu envolvimento com a quadrilha na operação “Zelotes”, depois que o Ministério Público encontrou fortes indícios de que a empresa Coroado Administração de Bens, que ele administra, está envolvida nas falcatruas que lesaram os cofres públicos em bilhões de reais.


Destruidor

Homem que destruiu a economia do país, Guido Mantega agora corre o risco de passar seus dias atrás da grades, fazendo companhia a outros companheiros de partido, como Zé Dirceu e Vaccari que certamente vão mofar no xadrez. Na decisão que concedeu a quebra de sigilo do então poderoso ministro, o juiz Vallisney Oliveira, que investiga a operação Zelotes, é enfático quando diz que “os elementos colhidos até agora” sinalizam que Mantega favoreceu o Grupo Empresarial Cimento Penha, com cujo dono, Sandri, ele tem laços de amizade.

Vergonha

A Justiça apurou que ainda como ministro da Fazenda, Guido Mantega escalou sua empresa, a Coroado Administração de Bens, a prestar serviços de consultoria às empresas investigadas na operação Zelotes, influenciando no resultado do julgamento dos processos administrativos fiscais que as firmas respondiam no Carf, provocando um rombo de bilhões de reais em sonegação à Receita Federal.


Envolvimento

O Ministério Público apurou ainda que Mantega, em 2011,  ajudou o grupo que manipulava julgamentos no Carf, liderado por José Ricardo da Silva, preso em outubro, ao nomear conselheiros a fim de favorecer o Cimento Penha em julgamentos tributários. O ministro, como mostram as investigações, tinha efetivo conhecimento de que as indicações de conselheiros realizadas a partir daquele ano destinavam-se a satisfazer os interesses privados da empresa perante a administração fazendária.


Todos juntos

Com mais essa constatação do envolvimento de Guido Mantega com a quadrilha que ajudava as empresas a se livrar dos pesados pagamentos à Receita Federal, nada mais os brasileiros devem esperar desses gângsteres petistas que permanecem no poder assaltando os cofres públicos. Ora, se Mantega, como o responsável pela economia do país, envolveu-se tão profundamente com esses mafiosos sonegadores, imagine o que ele não fez para ajudar os tesoureiros do PT na campanha de Lula e Dilma. Cadeia neles!!!

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