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Edição nº 847 / 2015

17/11/2015 - 21:26:00

Laudo técnico do TJ confirma vazamento de gás no entorno do antigo lixão

Engenheiros e arquitetas desaprovam todos os terrenos oferecidos para construção do novo Fórum de Maceió

Vera Alves [email protected]

O que moradores denunciam incansavelmente sem contudo conseguirem a devida atenção por parte do poder público é agora confirmado por um laudo de engenheiros e arquitetos do Tribunal de Justiça de Alagoas: o vazamento de gás no entorno do antigo lixão de Cruz das Almas é um fato concreto. O laudo, que foi apresentado no final de outubro, é referente a oito terrenos oferecidos ao TJ para construção do Complexo Judiciário que vai abrigar o novo Fórum de Maceió; todos foram considerados em desacordo com os critérios estabelecidos pelo próprio tribunal.

Os terrenos foram propostos dentro do segundo edital de convocação do TJ para aquisição de um terreno com área útil de 25 mil metros quadrados para a construção de um Complexo administrativo-jurisdicional, englobando o Fórum da Comarca de Maceió, os prédios da Diretoria de Patrimônio e Almoxarifado, do Arquivo Judiciário e da Turma Recursal de Maceió. Pelo edital, o imóvel deve estar situado num raio de até 3 km do atual Fórum de Maceió, localizado na Avenida Juca Sampaio, no Barro Duro. Na primeira convocação, cujas propostas foram apresentadas em junho, o raio era de 2 km; nenhuma foi aprovada.

o, as propostas foram apresentadas em agosto. Duas foram feitas por um mesmo proprietário, Cristóvão Aparecido Ferreira, outras duas pelo usineiro João Tenório e seu genro, Gaspar Carvalho, através das empresas das quais são sócios, a Litoral Norte Empreendimentos e a Canuto Empreendimentos Imobiliários. Uma quinta foi apresentada pela Base Empreendimentos Imobiliários Ltda. que tem entre seus sócios o ex-secretário e atual presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) Marco Antônio de Araújo Fireman.

As demais propostas foram da MR Empreendimentos, da Garantia Gestão Empresarial Ltda. – cuja sócia-administradora é Ingrid Franz Oliveira, também dona da Texgraf Editora Ltda. EPP, contumaz participante de licitações  no Estado, inclusive de kits escolares – e de José Mendes de Lima.


O LAUDO

De acordo com os seis engenheiros e as cinco arquitetas do Tribunal de Justiça que assinam o laudo, o gás emanado do antigo lixão de Cruz das Almas é perceptível em ao menos quatro terrenos: os dois propostos por Cristóvão Ferreira, o da MR Empreendimentos e o da Litoral Norte Empreendimentos, todos localizados na Avenida Josefa de Melo. No caso dos dois primeiros, o odor de gases tóxicos foi sentido durante a visita da equipe; no da MR e no da Litoral Norte, os técnicos se basearam no estudo da direção dos ventos, segundo o qual o primeiro está sujeito aos gases no horário das 21h às 7h, enquanto no segundo esta exposição se dá entre 5h e 7h.

 O terreno da Litoral Norte, segundo o laudo, tem outro inconveniente. Localizado ao lado do Parque Shopping, tem ao fundo área de barreira proveniente do morro que abrigava o antigo lixão no qual está sendo realizada obra de contenção e é vizinho àquele onde foram registrados dois desmoronamentos na obra de contenção este ano. É o mesmo terreno que, segundo apurou o EXTRA, teria sido inicialmente comercializado com a rede de supermercados Carrefour e que acabou desistindo do negócio após os desmoronamentos e após ser informada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente que não havia licença para comercialização da área.

Localizado na Avenida Márcio Canuto, o terreno da Canuto Empreendimentos Imobiliários foi considerado impróprio pela equipe de engenheiros e arquitetas porque, ao ser descontada a área destinada à recuperação ambiental, ficariam disponíveis apenas 20.643,29 metros quadrados para a construção do Complexo Judiciário.

O terreno proposto pela Base Empreendimentos Imobiliários situa-se na Avenida Pierre Chalita, alvo de alagamentos e queda de barreiras durante o período chuvoso e, embora tenha área de mais de 30 mil metros quadrados, está em uma área de encostas e parte dele é proveniente de aterro.

Por estar distante mais de 8 km do atual Fórum de Maceió, o terreno da Garantia Gestão Empresarial, localizado na Avenida Menino Marcelo próximo ao Conjunto Salvador Lyra, também não recebeu aprovação dos técnicos que levaram em conta, ainda, os cotidianos engarrafamentos da avenida. Foi também em função dos problemas de trânsito, mas sobretudo por possuir uma área de apenas 13.283,04 metros quadrados que os engenheiros e arquitetas do TJ desaprovaram o terreno de José Mendes de Lima, localizado na Avenida Governador Lamenha Filho, no Feitosa e onde funciona uma loja de materiais de construção. 

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