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Edição nº 847 / 2015

17/11/2015 - 21:07:00

Aristeu de Andrade

O poeta maior que deu nome à menor avenida de Maceió

Edberto Ticianeli jornalista

Manoel Aristheo Goulart de Andrade nasceu em Maceió numa terça-feira, 3 de setembro de 1878. O parto foi em casa, na Rua Nova, atual Barão de Penedo. Era o filho mais velho do oficial de Marinha (Armada Nacional) Manuel Cândido Rocha de Andrade e Leopoldina Pimentel Goulart de Andrade. 

Seu pai desembarcou em Maceió em 1858 para trabalhar como engenheiro e agrimensor, após ter desenvolvido essas mesmas profissões no Maranhão, Pará e Amazonas. Em 1960, casou-se com D. Leopoldina, filha de Francisco Goulart, nascido na França, e de Maria Thereza de Barros Pimentel.

Foram seus irmãos: Manoel Cândido Rocha de Andrade Filho, José Maria Goulart  de Andrade, Eusébio Francisco de Andrade, Benedicto Antônio Goulart de Andrade, Joaquim Goulart de Andrade e José Maria Goulart de Andrade, que chegou à Academia Brasileira de Letras.

Aos 15 anos matricula-se no Liceu Alagoano e passa a trabalhar na firma Almeida Guimarães & Cia, onde ficou por dois. Com a conclusão do curso preparatório, foi nomeado para a secretaria da Chefatura de Polícia da capital, onde permaneceu por um ano.

Não permaneceu muito tempo na segurança pública. No dia 14 de abril de 1896 embarcou no porto de Jaraguá para estudar na Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia, entretanto, uma pneumonia abreviou a sua permanência na Bahia e obrigou-o a abandonar o curso no mesmo ano.

No dia 15 de outubro de 1996, perdeu o pai que vinha doente e sofrendo por três anos.Aristheo publicou no jornal O Gutemberg uma poesia dedicada a ele. A primeira estrofe dizia assim:

Apagou-se para sempre a luz queridaDe teu olhar, meu Pai! Mísera sorte!E a sós com a minha dor vago sem nortePelo caminho aspérrimo da Vida.Em 1897, decidiu retomar os estudos superiores, mas desta feita vai para Pernambuco, onde diploma-se em Direito pela Faculdade do Recife no dia 7 de dezembro de 1901. Na capital pernambucana colaborou com vários jornais e trabalhou no escritório de advocacia de Adolfo Cirne e Henrique Malet.

Ainda cursava o 5º ano de Direito quando participou das eleições em Alagoas, sendo eleito ao Congresso Estadual Legislativo (atual Assembleia Legislativa) para a legislatura 1901/02.Com a criação da 2ª Promotoria Pública da capital, Aristheo de Andrade renunciou ao mandato e ocupou o cargo por nomeação do governador Euclides Malta, determinada em portaria do dia 20 de dezembro de 1901.

u-se, em Murici, com Maria do Carmo Accioly Peixoto de Andrade, filha do coronel José de Sá Peixoto. Com o casamento foi morar na Rua do Arame, Alto do Jacutinga, em frente à Praça de São Gonçalo (hoje Mirante de São Gonçalo).Não deixou filhos do casamento.

Em 1903 é indicado para reger a cadeira de Pedagogia, Educação Cívica e Higiene Escolar do antigo Liceu Alagoano. No ano seguinte pediu transferência para a cadeira de História Geral.

Como jornalista, colaborou em vários periódicos alagoanos, destacadamente no O Gutemberg, onde passou a ser o redator chefe a partir de 1903, ajudando seu irmão Euzébio de Andrade. O Gutemberg foi fundado em 8 de janeiro de 1881.

Quando se suicidou, na madrugada do sábado, 8 de junho de 1905, com apenas 27 anos de idade, exercia interinamente o cargo de procurador da República em Alagoas e já vinha dando sinais do sofrimento que a depressão lhe causava. Suas poesias são carregadas de tristeza, com manifesta vontade de abandonar o mundo.“Eu sou um barco sem lemeSobre o mar encapelado,Um peito que sofre e gemeDescrente e desalentado”.

Após a sua morte, Maria do Carmo Accioly Peixoto de Andrade, que era uma mulher inteligente e culta, foi morar na Alemanha onde fez votos para freira e entrou para a ordem das “monjas que não falam”. Era sobrinha do marechal Floriano Peixoto.

A avenida

A Avenida Aristheu de Andrade, no Farol, foi uma das primeiras vias do Alto do Jacutinga, em Maceió. Era a contínua do acesso ao antigo Paiol de Pólvora, que depois foi adaptado para funcionar como a Igreja de São Gonçalo do Amarante.

O primeiro registro do Alto do Jacutinga como bairro é de 1902. Félix Lima Júnior identifica a atual Av. Aristheu de Andrade como sendo a antiga Rua do Seeger. Esta denominação tem relação com Hans Seeger, vice-cônsul alemão em Alagoas em 1903, proprietário de um escritório de representação na Rua do Comércio.Ele construiu uma casa onde depois foi instalado o Colégio Batista Alagoano. Rua do Seeger foi aportuguesada para Rua do Zeiga (a pronúncia em alemão é bem próxima disso).

Antes do registro de Félix Lima Júnior, o jornal “Cruzeiro do Norte”, de 27 de janeiro de 1893, informa que na festa de São Gonçalo do Alto do Jacutinga “funcionará um quilombo em frente à capela e o brinquedo dos galos”.O fato de ter duas pistas separadas por um canteiro elevou a curta via à categoria de avenida. Seu equipamento mais conhecido é a Capela de São Gonçalo. O antigo Colégio Batista Alagoano também foi referência na avenida. 



Fontes: Jornal O Gutemberg de várias datas, Terra das Alagoas, de Ad. Marroquim e Aristheo de Andrade e O Rouxinol das Alagoas, de Heider Lisboa de Sá Júnior

 

 

 

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