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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 847 / 2015

17/11/2015 - 20:51:00

Desencanto com a política

Cláudio Vieira Advogado e escritor, membro da Academia Maceioense de Letras

Quando leio artigo de real substância, tenho por hábito sublinhar ou marcar trechos reveladores de pensamentos ou ideias importantes que me servirão à reflexão. Foi assim que li, semana passada, o articulado pelo professor e acadêmico Eduardo Portela, na Folha de S.Paulo, sob o significativo título “Presidencialismo de colisão”.

 

 

 

Dele anotei, dentre outros, o seguinte pensamento: “Qualquer que seja a nossa posição sobre o desempenho político, a verdade é que se tornou flagrante o estado terminal da nossa representação, a falência múltipla dos órgãos deliberativos”.Sobre ser apropriado à prática política no Brasil de hoje, o pensamento conclusivo é, também, a revelação do sentimento de desencanto de um intelectual de 83 anos, durante os quais prestou grandes serviços à Pátria, hoje combalida. Tem razão, todavia, o professor.

 

 

 

O que vemos hoje é um País vivenciando grave crise político-econômico-financeira, agravada por uma crise ético-moral da representação legislativa e executiva.

 

 

 

De fato, grande é o número de políticos envolvidos em falcatruas. Estes, apesar de ainda receberem sua gorda remuneração do erário, e via de consequência do eleitor-contribuinte, esqueceram os objetivos para os quais foram eleitos, e dedicam seus dias a justificativas sem sentido, ou negações infantis dos seus malfeitos, ou aos arroubos de arrogância e, pior, à chantagem pública.

 

 

 

Os outros, aqueles que ainda não foram apanhados pelo longo laço da Justiça, ao invés de juntarem as mãos em busca da solução honesta dos problemas do País, preferem a politicagem, seja acossando um governo que já não é mais, ou engendrando defenestração da presidente que, também, de fato já não o é.

 

 

 

Desse grupo, muitos vivenciam ainda o temor suplementar de verem queimados os seus próprios rabos-de-palha.Refletindo sobre tais coisas, não há como negar-se razão ao professor Eduardo Portela, porquanto, para nosso desencanto, a política no Brasil vive estado terminal, e cada dia, ou a cada semana, o noticiário nos dá conta dessa verdade que parece irresistível.

 

 

 

Todavia, como os brasileiros somos reconhecidos pelo otimismo, é de esperarmos a superação do desencanto que, diga-se logo, depende apenas de nós mesmos, mantendo a memória ativa e, quando das eleições que se aproximam, iniciarmos a verdadeira revolução do voto soberano. Até lá, resta-nos confiar em órgãos do Poder Judiciário, ainda que algum ou outro juiz de tribunais superiores, a quem um dia serão afetas decisões sobre processos contra acusados de corrupção, não hajam, ainda, sentado em suas curus de magistrado.

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