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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 846 / 2015

11/11/2015 - 00:31:00

Alagoano líder de fraudadores de concursos é preso no Mato Grosso

Das 14 prisões cumpridas pela Polícia Federal, 11 são de pessoas naturais de Alagoas

José Fernando Martins Especial para o EXTRA

A Operação Afronta da Polícia Federal, que investiga fraudes em concursos públicos dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais Regionais do Trabalho continua. O maceioense apontado como líder da quadrilha já se encontra à disposição da Justiça. O acusado, de nome ainda não revelado, foi detido em deslocamento no estado de Mato Grosso, próximo à cidade de Campo Verde, localizada a 130 km da capital Cuiabá. A prisão foi realizada pela PF em operação conjunta com a Polícia Rodoviária Federal. 

 

A PF declarou que ele é um técnico judiciário do TRE de Rondônia, com 54 anos de idade, no entanto não informou se ele faz parte das prisões que ocorreram no dia 21 de outubro. Também está entre os detidos o agente da Polícia Civil Antônio Francisco da Silva Filho, lotado em Murici, que se passava por concurseiro e tirava fotos das páginas da prova para repassar aos membros da quadrilha responsáveis pela resolução das questões para depois, divulgar as respostas corretas àqueles que pagaram pelo “serviço”. 

 

Além dele, um analista do Tribunal Regional do Trabalho de Alagoas (TRT/AL), um ex-analista do TRF-SP, um ex-policial civil de Alagoas e dois irmãos foram detidos. Segundo dados atualizados, das 14 prisões cumpridas em todo o país durante as investigações, 11 são de pessoas naturais de Alagoas. O restante é do estado do Rio de Janeiro. Por enquanto, não há nenhum mandado pendente e as investigações se concentram em identificar os certames fraudados pela quadrilha que estava em atividade há quatro anos.

 

A PF realizou prisões temporárias e mandados de busca e apreensão também nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Rondônia. A quadrilha contava com aparato tecnológico para repassar as respostas para os candidatos que prometiam pagar até R$ 90 mil ao garantirem uma vaga no funcionalismo federal.

 

O dispositivo usado era tão minúsculo que era necessário um ímã para retirá-lo do ouvido. Porém, no concurso público do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, algo inusitado chamou a atenção das autoridades. Alguns concurseiros apresentaram redações iguais e pontuação similar. Os candidatos suspeitos fizeram a prova em Sorocaba em 2014. A organização conseguia aprovar de 30 a 40 candidatos por concurso público. O preço para garantir a vaga era de acordo com o cargo pretendido: R$ 70 mil para técnico judiciário (Ensino Médio) e R$ 90 mil para analista judiciário (Ensino Superior). Mas para isso, o candidato precisava desembolsar até R$ 10 mil de entrada. O restante era quitado após a aprovação. 

 

Em caso de condenação dos participantes da quadrilha, as penas, somadas, vão de 4 a 12 anos de prisão. Segundo o delegado da Polícia Federal de São Paulo, Victor Rodrigues Alves, não há ligação com os organizadores do concurso público ou com os tribunais. Sobre quantas pessoas entraram em concurso de maneira ilícita, a Polícia Federal ainda não tem um número preciso. “Mas podemos afirmar que dezenas de pessoas se valeram das fraudes. Há vários concursos que ainda estão sendo investigados”, disse Alves via assessoria. 

 

EM ALAGOAS

 

No estado de Alagoas, os mandados de busca e apreensão aconteceram em Maceió, União dos Palmares e Marechal Deodoro. Após investigação vir a público, o Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT/AL) constituiu uma comissão de sindicância para apurar os fatos que envolvem o técnico judiciário detido que fazia parte dos seus quadros em fraudes em concurso público.

 

A sindicância foi aberta com base nas informações divulgadas pela imprensa, já que oficialmente o Tribunal ainda não havia sido notificado do caso. Segundo o presidente do TRT/AL, desembargador Pedro Inácio da Silva, o Tribunal entrou em contato com o delegado responsável pelo caso e se colocou à disposição para colaborar com as investigações. Além disso, solicitou o compartilhamento de informações necessárias à instrução do processo administrativo.

 

Para as investigações, a Polícia Federal utilizou o Sistema de Prospecção e Análise de Desvios em Exames (SPADE), um software desenvolvido pelo próprio órgão para apurar as fraudes nas provas. O sistema é alimentado com gabaritos dos candidatos que fizeram a prova e analisa as respostas em busca de coincidências, apontando os candidatos que apresentarem maior número de respostas iguais.

 

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