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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 845 / 2015

30/10/2015 - 07:54:00

CEI relata caos administrativo em Traipu

Prefeita Maria da Conceição Tavares é acusada de cometer uma série de irregularidades nas áreas da saúde e educação

João Mousinho [email protected]

Entra prefeito, sai prefeito e Traipu continua no rol dos municípios alagoanos com os maiores índices de denúncias. Dessa vez duas Comissões Especiais de Inquérito (CEI), uma na área da saúde e outra na educação foram criadas pela Câmara de Vereadores para apurar as “aplicações e destinações dos recursos públicos, atos de improbidade administrativa, prática de crimes de responsabilidade e infração político administrativa” por parte da prefeita Maria da Conceição Tavares.

 

A CEI da Educação, presidida pela vereadora Vânia Bezerra Silva Costa (PSC), traz um relatório rico em detalhes contendo mais de 800 páginas especificando uma série de crimes administrativos praticados pela chefe do executivo e pela secretária de Educação, Sandra Cecília Sena Silva. Um dos problemas detectados na CEI é aplicação irregular e desvio dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB).

 

O documento ainda revela a prática de nepotismo em Traipu, na linha de 1º grau (pai e filhos da prefeita), em linha colateral de 2º grau (irmãos), 3º grau (tios e sobrinhos) e 4º grau (primos), todos nomeados em cargos na estrutura administrativa do Poder Executivo Municipal. Os vereadores membros da CEI também estiveram averiguando in loco a situação das escolas públicas municipais.

 

Durante as averiguações puderam ser detectadas escolas deterioradas em péssimo estado de conservação, como narra um dos trechos da CEI: “cupim no telhado das escolas, material elétrico exposto, escolas sem água e sem higiene, carteiras quebradas, dentre outras precariedades”.

 

Segundo a presidente da CEI da Educação foi constatado alunos comendo merenda com prazo de validade vencida, atraso no pagamento de funcionários contratados e concursados, atraso no pagamento de locação de veículos para transporte de estudantes. Outras irregularidades trazidas na CEI: “ônibus escolares sucateados trafegando sem manutenção, colocando em risco a vida de estudantes e professores, falta constante de merenda nas escolas, principalmente na zona rural e exemplo da escola de educação básica Nossa Senhora do Carmo, localizada no povoado Bengo”.

 

A evasão escolar nas escolas rurais dos povoados Capivara, Piranhas, Bengo e Riacho da Jaconiba é outro ponto que preocupa os vereadores. Existem relatos de pais de alunos que estão transferindo seus filhos para estudarem nas escolas dos municípios de Batalha e Belo Monte porque a Prefeitura de Traipu não disponibiliza diariamente transporte para locomoção dos alunos.

 

A CEI ainda chamou atenção para as perseguições políticas – de professores sendo transferidos de uma escola para outra, até duas vezes ao ano, sem justa causa –, além de vereadores da Comissão sendo intimidados e ameaçados pela pessoa identificada como Lauro, sendo este funcionário da prefeitura.

 

Mais uma chaga da atual gestão: saúde

 

Quando o assunto é saúde pública, a situação também é delicada, segundo os relatos descritos pelos parlamentares de Traipu. A CEI da Saúde, presidida pela vereadora Larissa Késsia Matos Palmeira de Oliveira, indiciou a prefeita Conceição Tavares, o secretário municipal de Saúde, Wegton Erlandres Dias Farias e a diretoria da Casa Maternal Nossa Senhora do Ó, Fabiana Ferreira Bispo, devido às irregularidades constatadas. 

 

Um dos pontos relatados da CEI afirma: “falta de medicamentos dos PSFs, aplicação incorreta dos recursos do FPM na área da saúde, falta de EPIs para profissionais da Casa Maternal, agentes de saúde e agentes de endemias”.

 

A vereadora Larissa Palmeira contou ao Jornal EXTRA que os profissionais da Casa Maternal não possuem estrutura funcional para atender os pacientes, a alimentação dos profissionais é precária e que há morosidade na marcação de exames causando desconforto na população e até o agravamento de doenças. 

 

“A diretora da Casa Maternal se mantém ausente do local de trabalho, pois a mesma mora no município de Girau Ponciano; há o descumprimento da carga horária mínima de 40h semanais por parte de vários funcionários. Os problemas são graves, como o lixo hospitalar depositado em local inapropriado e medicamentos vencidos”, expôs Larissa. 

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