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Edição nº 842 / 2015

14/10/2015 - 08:41:00

Rui Palmeira investe na estima da classe média e vai para a rua

Prefeito quer se comparar a pai de família: orçamento apertado mas cumprindo obrigações

Odilon Rios Especial para o EXTRA

O prefeito Rui Palmeira (PSDB) fez as pazes com as ruas em Maceió. Pôs os sapatos no asfalto em clima de campanha. As eleições serão em 2 de outubro do próximo ano. E os dias são contados a cada passo, medidos a cada declaração ou foto.

 

Os cofres do município precisaram sentir os efeitos da crise financeira nacional e a frustração de receita para desgrudar o prefeito do conforto do gabinete e fazê-lo cumprir uma agenda com até três compromissos públicos.

 

Sem a performance do antecessor, Cícero Almeida, e com todos os partidos políticos em crise e sem representantes que possam atrapalhá-lo na disputa pelo segundo mandato, Rui anda em um terreno praticamente sem obstáculos, mesmo subindo as ladeiras da íngreme comunidade de Piabas, no bairro do Jacintinho, ou os degraus cobertos por tapete sempre aspirado do Tribunal de Justiça para solenidades.

 

Em 2012, venceu o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) porque o principal opositor era a Justiça. Foi a eleição do WO. Em 2015, Lessa e Rui mantêm contatos frequentes, trocam figurinhas por telefone, têm encontros pessoalmente em Brasília. Será outro WO?

 

“O Rui Palmeira é uma pessoa séria. Pode estar tendo suas dificuldades, ou não correspondendo ao que ele mesmo gostaria de estar perante a opinião pública, mas não há defeito no Rui que macule o fato de que eu posso estar ao lado dele. Eu não faço política com meu fígado”, disse um recauchutado Ronaldo Lessa, em agosto, agora mais “cerebral”.

 

Agora, quem poderia enfrentá-lo nas urnas é o hoje apagado deputado federal Cícero Almeida. Mas, as incertezas dentro do PRTB aumentam as chances de ele continuar como está: cupincha do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB) que, ao contrário, quer vê-lo longe do cenário local.

Eterno retorno

A classe média - principal preocupação de Rui, por terem os formadores de opinião- não está mais às turras com o tucano. A popularidade desabou durante a desocupação da favela de Jaraguá e a indefinição sobre o futuro das famílias. Mas, nas últimas semanas, a briga do prefeito com a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) parece ter animado as hostes palmeiristas. Rui foi à Justiça contra a companhia pelo despejo de esgoto nas praias de Maceió - onde, aliás, moram as classes média e alta da capital.

Obrigou o governador Renan Filho (PMDB) a sair da zona de conforto em relação ao futuro da Casal: ele pediu de volta da Assembleia Legislativa - onde estava desde o final do ano passado - o projeto que abre o capital social da empresa. Na prática, a privatização da estatal.

E levou Renan a uma promessa digna de ser lembrada: fazer o esgotamento de 100% de Maceió até o fim do governo.

“O prefeito vai onde estão os pais de família. E mostra que se eles estão sem dinheiro para cumprir as principais obrigações, a prefeitura também está”, analisa o vice, Marcelo Palmeira (PP).

“Mas, os pais de família cortam recursos para fazerem a casa funcionar. É a mesma coisa com o prefeito. Os salários não estão atrasados e são pagos em dia. Em outros estados há atraso. Veja Sergipe e Rio Grande do Sul. E veja que mesmo com todos os problemas todos os bairros de Maceió têm uma obra”, analisa Marcelo.

O vice também vai para a rua. O objetivo do prefeito é evitar o aumento das especulações sobre a troca de Marcelo por um nome do PMDB, já que Renan e Rui estão em constantes conversas sobre uma união política em 2016.

Todos os bairros

Rui não descobriu a roda. Investiu em um recurso simples: “A conquista tem de ser para todas as classes e em todos os bairros. O prefeito encarou algo difícil: fechar posto de saúde e escola para reforma. Político não quer isso. E foi feito. O resultado vem melhorando”, disse o vice Marcelo. “Claro, falta muito para ser conquistado”.

Um dos resultados está nas redes sociais. No Facebook, na última terça (6), a assessoria do prefeito postou uma foto do avô, Rui, e do pai, Guilherme, ambos com carreira política em Alagoas. Dos seis comentários, um foi negativo.

Dias antes, o apelo emocional foi maior: uma foto da filha no colo dele, em frente ao mar de Pajuçara. Dos 24 comentários, nenhum negativo. Um selfie ao lado da mulher e da filha com jangadas do projeto Velas Artes? 68 comentários. Todos com elogios falando em “família”, “união”, “amor”.

Ao falar da crise, as críticas vão mais para serviços públicos: ruas não asfaltadas, buracos. Nada de especulação imobiliária, ciclovias.

Mesmo os críticos ao prefeito acabam silenciados pelas defesas nas redes sociais. E não são assessores.Porém, ainda falta um ano para as eleições. E em um ano, vendo os principais acontecimentos do país, muita coisa pode mudar para melhor. Ou pior.

 

 

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