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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 842 / 2015

14/10/2015 - 07:27:00

Conto do vigário

Cláudio Vieira Advogado e escritor, membro da Academia Maceioense de Letras

A antiga expressão que serve de título e que deu origem ao nada airoso adjetivo vigarista, sempre me deixou curioso quanto à sua origem. Já o significado é claro: impingir alguma fraude, enganar alguém etc., indicando todas alguma atitude negativa de alguém. Desta feita busquei no Google a origem da expressão.

Há várias referências; apesar do prosaico das demais, a que me agrada é aquela atribuída ao poeta português Fernando Pessoa (1888-1935): um tal de Manuel Peres Vigário aproveitava-se da ganância alheia para trapacear.A expressão voltou-me à mente, agora nesse momento de crise política, econômica, ética e moral porque passa o Brasil. Remete-me à reeleição da presidente Dilma, hoje vulgarizada como estelionato eleitoral, especial conto do vigário impingido ao cidadão brasileiro.

Passados esses nove meses de (des)governo, constato que várias outras trapaças foram protagonizadas, ora pela petista, ora pelo petismo, ora por outros partidos, e inegavelmente por um número cada vez maior de políticos, sendo nisto indiferentes se situação e  oposição, esquerda e direita, nem uma nem outra, e assim “la nave va”.

As mais recentes são a tão ruminada reforma ministerial e os cortes nas despesas públicas. Quem ainda esperava ver, nessas ações do governo, algo do mea culpa pelo descalabro da governança, e na sequência uma mudança profunda na estrutura governista e, mais do que isso, na mentalidade política, frustrou-se, constatando agora que a “reforma” fora apenas um “toma-lá-dá-cá” que visa a sobrevida da presidente no cargo.

Dita reforma serviu também para demonstrar que os partidos políticos da base governista, que em suposta crise moral ameaçavam repudiar a governante, apenas almejavam a chantagem por mais poder. Como em política não há santos, preparemo-nos para concluir que a oposição é apenas outro conto do vigário, uma cruel piada de quem só almeja o poder pelo poder.Não menos enganoso é o tal “corte na própria carne”, o propalado e festejado por antecipação corte na despesa pública. Com tantos tubarões famintos a morderem nacos do poder, como se pode acreditar que dito corte foi realmente profundo?

Cadê os números da patranha? Como pretender a penalização dos cidadãos com novos tributos, quando a tal reforma tem jeito de patuscada?Certamente há quem pense que estou sendo niilista, apressado negativista. Penso, porém, socorrer as minhas considerações na crise de confiança no governo e nos políticos de todos os matizes, cavada pelos próprios. Com eles, o conto do vigário nacionalizou-se brasileiro.

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