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Edição nº 842 / 2015

14/10/2015 - 07:23:00

A fome e a vontade de comer

JORGE MORAIS Jornalista

Ditado antigo, mas que se encaixa perfeitamente na política brasileira. O grande exemplo está sendo dado, agora, com a votação das reformas encaminhadas ao Congresso Nacional e alguns vetos da presidenta Dilma Rousseff, que faltam ser derrubados ou não pelos deputados e senadores, em Brasília. Quase uma semana útil, para nada: os deputados, insatisfeitos, não comparecem ao plenário.E que insatisfação é essa?

Na reforma da Dilma, alguns ministérios e secretarias foram extintos e os partidos que saíram perdendo com as mudanças, mesmo se dizendo da base aliada da presidenta, não aceitam que as mudanças só beneficiem ao PMDB, partido do vice-presidente da República, Michel Temer, e do senador Renan Calheiros, autor de muitas dessas novas medidas.Por causa disso, apenas por isso, PP, PRTB, PR e alguns outros partidos estão boicotando as sessões na Câmara dos Deputados, que, sem quórum, não tem votação; não tem mudanças; não tem redução de despesas; não tem exoneração; não tem nomeação; enfim, não tem nada. Fica tudo parado e o governo não governa.

O senador Renan Calheiros chegou a dizer que a Câmara dos Deputados está de brincadeira.Quando digo que é a fome e a vontade de comer, não é nenhum exagero. Se eles estivessem preocupados mesmo com a crise brasileira, estariam no plenário discutindo e votando o que eles entendem como certo ou errado. Mas, não.

Fechados em seus luxuosos gabinetes, estão à espera de um “acordão”, ou seja, na linha do “é dando que se recebe” para aprovar os projetos de mudanças que, dizem, vãoi salvar o Brasil.Por isso, pergunto: você acha que essas reformas e derrubadas de vetos vão salvar o Brasil? Acho que não. O buraco administrativo da Dilma Rousseff é tão grande que a minha expectativa é de um ano próximo com um quadro muito pior. Pior em todos os sentidos: educação, saúde, desemprego, inflação, desaceleração geral no crescimento, mesmo que não seja nenhum expert no assunto.

No entanto, minha bola de cristal está no bolso. Eu, como milhares de brasileiros, já estamos sentindo na pele desde o ano passado. Hoje, ganho os mesmos salários, até um pouquinho mais, no entanto, o dinheiro não dá para mais nada. Faço as mesmas compras, o mesmo lazer, ando pelos mesmos lugares, não comprei nada, nem gastei diferente do tradicional, do trivial, mas ando reclamando muito. Assim, como muita gente que conheço. Fruto de quê?

Dos preços dos alimentos que estão pela “hora da morte”, dos combustíveis, da energia, consequentemente, da comida, roupa, calçados, escolas, condomínios, aluguéis, dados de presentes pelo governo federal, que foi mentiroso na campanha, em 2014, dizendo que estava tudo uma maravilha, quando não estava, e agora quer que a gente sofra com os muitos impostos já existentes, e os novos que estão para chegar, como a volta da CPMF, disfarçada com outro nome, mas com os mesmos objetivos, e as mudanças nos procedimentos da Previdência Social, no achatamento do salário e outras coisas mais.

E o pior: o dinheiro sumiu, mas o governo e o Congresso Nacional criaram novas obrigações para empresas e patrões, como, agora, para os empregados domésticos.Pergunto mais uma vez: se o dinheiro sumiu, os compromissos e obrigações aumentaram, como vão ser assumidos e pagos? Para o governo, os senadores e os deputados federais essa fórmula é mágica e possível: roubando, como muitos deles já fizeram ao longo dos anos. Como eles têm a fórmula de só receber, fica fácil de criar problemas para os outros.   

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