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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 842 / 2015

14/10/2015 - 06:52:00

JORGE OLIVEIRA

Dilma confronta as instituições

Rio - Um filme antigo passou pela minha cabeça quando três integrantes do governo Dilma convocaram a imprensa para coagir o Tribunal de Contas da União. Em 1969, em outro momento da história do país, os personagens vestiam fardas. Assumiram o governo quando o presidente Arthur da Costa Silva sofreu uma trombose no exercício da presidência.

A junta militar iria fazer a transição para o ditador de plantão Emílio Garrastazu Médici. O trio de militares que ocupou o governo no dia 31 de agosto daquele ano manteve o Congresso fechado e instituiu a prisão perpétua e a pena de morte como forma dos militares se perpetuarem no poder. Ficaram conhecidos, depois, como os “três patetas”: almirante Augusto Hamann Rademaker Grunewald, general do Exército Aurélio de Lira Tavarese o brigadeiro Márcio de Sousa e Melo.

Quarenta e cinco anos depois seria difícil imaginar que uma cena parecida voltasse a ocorrer com civis e com o país em pleno gozo das liberdades democráticas.  Pois bem, esta semana lá estavam sentados à mesa os ministros Luis Inácio Adams (Advocacia-Geral da União),da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o do Planejamento, Nelson Barbosa afrontando a legislação brasileira. Pediam o afastamento do ministro do TCU Augusto Nardes, relator das contas da Dilma de 2014.

Perderam feio, quando o tribunal rejeitou por unanimidade as contas, depois de ignorar solenemente o pedido do trio governista para suspender o relator jogando mais lenha na fogueira da crise política.  Os três ministros convocaram uma coletiva de imprensa para dizer que pediriam o afastamento de Nardes, acusando-o de revelar seu voto antes do julgamento do processo.  

Ele teria, segundo esses três senhores, antecipado o seu voto no julgamento das ilegalidades da presidente Dilma, quando ela usou bancos públicos para gastar com programas sociais e outros projetos de governo que iriam garantir a sua reeleição, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Com o país com as contas desarrumadas, um governo à deriva, a economia em frangalhos e algumas instituições envolvidas em maracutaias diversas desde que o PT assumiu a presidência, hoje os brasileiros assistem perplexos um confronto entre os poderes estimulado pelo próprio governo. O governo da Dilma está criando situações delicadas contra as instituições constituídas do país, levando-as a uma crise sem precedente na nossa história.

Impondo-se à força no poder, sem o apoio da população, com rejeição recorde, a Dilma incentiva seus auxiliares ao confronto, mesmo sabendo que isso pode gerar um clima de insegurança política colocando em risco a democracia brasileira, conquistada a duras penas pelos brasileiros.

Imposição

É triste observar que essa esquerda demagógica, populista e corrupta adota práticas iguais às do regime militar que fechava o Congresso e os tribunais para impor a vontade dos ditadores. Confrontava as leis e pressionava juízes e políticos para manter o status-quodo regime a todo custo, mesmo sem o apoio popular. Há semelhanças, sim, entre os dois métodos de governar. Quando o Lula ameaça convocar o “Exercito Vermelho” do Stédeli para impedir as manifestações de ruas e as centrais sindicais, sob seu comando, para se contraporem aos movimentos contra a Dilma, mostra a sua fragilidade ideológica e o seu descaso com a democracia para quem até hoje se auto-intitula ativista da resistência, mas que não respeita o estado de direito apostando no quanto pior melhor. Quer, pela força, amedrontar o Judiciário e o Legislativo, o mesmo que faziam os milicos quando “prendiam e arrebentavam” aqueles que discordavam dos seus métodos políticos.

Reacionários

O PT, que nasceu de um movimento dos trabalhadores brasileiros, mas foi ideologicamente lapidado pelos intelectuais de esquerda e pela igreja progressista,  perdeu a identidade. Muitos dos ideólogos fugiram do partido, atacando-o de corrupto e até de direita, e a igreja já não compartilha dos mesmos ideais que comungava quando da sua criação. A ética deu lugar aos interesses corporativos,  e a honestidade, infelizmente, à corrupção. E o povo, cansado dessa desordem política, certamente terá dificuldade em distinguir esse PT reacionário, raivoso e intolerante, dos militares que até pouco tempo ocupavam o poder utilizando-se das mesmas práticas desses líderes petistas reacionários. 


Dilma desiste

A Dilma perdeu seu principal conselheiro. Como não manda mais em nada abriu mão de Aloizio Mercadante e entregou de vez o comando do país ao Lula que, finalmente, agora, ocupa todos os espaços no Palácio do Planalto, e ao PMDB fisiológico do Eduardo Cunha. Mercadante foi rifado porque – imagine! – não deixou que o pessoal do Lula loteasse o país, ocupando ainda mais cargos no governo. Também pesou contra ele os repetidos “nãos” aos parlamentares que iam em procissão ao seu gabinete a procura de liberação de emendas com a justificativa de que o dinheiro seria para obras sociais em suas bases.


Perdeu feio

Lula temia uma provável candidatura de Mercadante à sucessão da Dilma. Ele sabe que o cargo do companheiro seria um trampolim à presidência, a exemplo do que aconteceu com a Dilma, que virou presidente quando a economia estava estabilizada. Dilma, mais uma vez, perdeu feio, muito feio. Deu uma demonstração ao país de que não manda e nem decide nada mais no governo. Para manter as aparências, ainda conseguiu realocar o seu “Príncipe Encantado”  no Ministério da Educação, sua antiga caserna.


Fisiológicos

O imbróglio da presidente não tem fim, como também não tem fim a sede do PMDB por cargos. Quando os brasileiros pensavam que o partido do saudoso Ulysses Guimarães iria apresentar ao país uma saída para a crise, eis que alguns fisiológicos do partido aparecem com uma lista de nomes para ocupar os cargos vazios do governo. A proposta para dividir a responsabilidade na administração partiu de quem? Dele, do próprio Lula, que prefere entregar os anéis a perder os dedos. E, mais uma vez, os peemedebistas assumem o ônus desse governo desgastado, corrupto e incompetente em troca de alguns carguinhos que lá na frente vão ter que abrir mão com a progressão da crise.

As boquinhas

O que ocorre com o PMDB tem semelhança com o PT. Muitos peemedebistas históricos perderam a eleição e estão desempregados.  Acostumados a se servirem da máquina pública, lutam com unhas e dentes para se manterem no poder. Muitos deles dão plantão dia e noite no Palácio do Jaburu, casa do vice-presidente Michel Temer, de olho nas boquinhas que ele oferece ao partido. Ou seja: quem pensava que o PMDB estaria fora do fisiologismo quebrou a cara. A cúpula do partido só vai desgrudar do governo quando não tiver mais gordura para queimar.


Indignação

E, nós, o que devemos fazer? Precisamos alimentar um movimento, usando todos os meios de comunicação, para demonstrar a nossa indignação. Não é possível que um partido como o PMDB,que lutou pela redemocratização, que reorganizou o país na Assembleia Nacional Constituinte, que viu muitos de seus militantes serem degolados pela repressão, numa hora como essa desonre os brasileiros. Prefira acomodar seus militantes desempregados, sem votos, a convocar a sociedade para uma reflexão, um projeto que unifique o país em torno de uma saída para a crise.


Na contramão

O partido está indo na contramão da história. A última pesquisa mostra que a Dilma não tem o apoio da população, mas ela insiste em dividir o poder, mesmo com uma rejeição astronômica de 70%. Mesmo assim, a cúpula do PMDB quer mantê-la na presidência como uma figura decorativa, mesmo sabendo das suas fragilidades. A partir de agora, é obrigação dos peemedebistas encontrar uma solução para a crise sob ameaça de acompanhar a Dilma à sepultura. 


Boi de piranha

Se depender de Eduardo Cunha, agora mais enrolado na Lava Jato, e seus filhotes peemedebistas do Rio, o PMDB  vai carregar nas costas a crise do PT. É assim que os petistas, liderados por Lula, agem. Quando a coisa desanda, eles procuram um boi de piranha para ser devorado. E a travessia do rio, com esse boi na frente, agora será do PMDB. E o sonho de chegar à presidência com candidato próprio em 2018certamente vai ficar mais longe. É o instinto, meu caro sapo!

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