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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 841 / 2015

07/10/2015 - 18:12:00

Traficante internacional passa de réu a testemunha

Da redação

O homem reconhecido pela camareira Maria Flávia Santos como a pessoa que teria dado abrigo no Rio ao quarteto – ela, o namorado e os dois atiradores – poucos dias após o atentado contra Marcos André, é Márcio Fernandes Araújo. Foragido por 17 anos, ele havia sido condenado pela Justiça de Minas Gerais por tráfico internacional de drogas e foi preso no final de outubro do ano passado no Rio de Janeiro. Recentemente, obteve a liberdade porque o crime já havia prescrito.

Solto, Márcio retornou a Alagoas, mais especificamente à Praia do Francês, onde esteve com frequência ao longo dos anos em que era considerado foragido da Justiça, situação que não o impediu de desfrutar da amizade e convívio de empresários da região. 

Com um extenso histórico de processos por tráfico internacional de drogas, incluindo ligações com o Cartel de Cali, na Colômbia, como integrante de uma quadrilha que pretendia estender seu raio de ação à Itália, conforme relato detalhado na ApelaçãoCriminal Nº 1997.01.00.043351-4/MG junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ele foi a última testemunha ouvida em juízo no caso da morte de Marcos André antes das alegações finais do Ministério Público.

O MP, inclusive, adiou a apresentação de suas alegações finais sob o argumento de que Márcio Fernandes, identificado como funcionário público federal –natural do Rio de Janeiro, portador de RG nº 368452 do Ministério da Defesa e do CPF 742.283.237-15 –,era uma testemunha importante para o processo. E foi em audiência no dia 10 de setembro último que ele depôs, afirmando que JanadarisSfredo lhe confessara ter contratado a morte de Marcos André por R$ 5 mil, mas teria pagoapenas R$ 2 mil.

A confissão, segundo ele, teria sido feita durante sua visita, no dia 20 de junho, à também advogada no Quartel do Corpo de Bombeiros, onde os Sfredo estão recolhidos desde abril do ano passado. Afirmou, ainda, que Janadaris lhe teria oferecido a Pousada Ecos do Mar em troca da morte de José Aroldo Gama, empresário do setor imobiliário e com vários imóveis na Praia do Francês e amigo de Marcos André.

A defesa de Janadaris confirma a visita, mas nega que sua cliente tenha confessado o crime. Segundo os advogados, Márcio procurou a advogada porque queria adquirir a Ecos do Mar, o que não foi aceito por ela. E um detalhe: Márcio usou documentos falsos na visita. Apresentou no CB uma identidade com o nome de Márcio Alves Miranda, RG nº 99001321012 SSP-BA, como sendo natural de Ilhéus e filho de Antônio Miranda e Maria da Glória Alves Miranda. Falso também o CPF: 040.424.387-84. Em comum apenas a data de nascimento: 04/12/1962.

Márcio Fernandes, de acordo com o promotor, se apresentou na sede do Ministério Público Estadual acompanhado de seu advogado, Pedro Jorge Bezerra de Lima e Silva, pedindo para depor no caso, pois tivera seu nome citado pelos acusados e também em reportagem do EXTRA. 

Pedro Bezerra, o advogado do traficante, é sobrinho do juiz Léo Dennisson Bezerra de Almeida, que, ao menos oficialmente, se afastou do processo sobre a morte de Marcos André quatro dias após a prisão dos advogados Júlio Cézar Castro Silva e Augusto Jorge Granjeiro Carnaúba pela Polícia Federal a 26 de março deste ano. As prisões se deram numa operação de flagrante autorizada pela 17ª Vara Criminal da Capital depois que os Sfredo denunciaram uma tentativa de extorsão: teriam de pagar R$ 200 mil para que Sérgio Sfredo tivesse sua prisão revogada. 

O caso, tratado como venda de sentença, está hoje sob investigação do Conselho Nacional de Justiça, através da Corregedoria Nacional de Justiça, já que envolve também o magistrado.O sobrinho do juiz Léo Denisson é também o advogado da esposa de Márcio Fernandes, Márcia Rogéria Neves de Lima, no processo de disputa judicial que ela trava contra o irmão, Manuel Rogério Neves de Lima, pela posse de uma pousada na Praia do Francês.

Camareira mentiu em juízo ao negar conhecer Zizi

Com grandes chances de ter aceito pelo juiz Diogo de Mendonça Furtado o pedido feito pelo Ministério Público de revogação de sua prisão, a então camareira da Pousada Ecos do Mar na época do atentado e morte de Marcos André, Maria Flávia Santos, mentiu em juízo. Questionada pelo juiz e pela defesa dos Sfredo sobre suas relações com Edjane Tomaz e o marido dela, José Cícero Correia, conhecido por “Zizi”.

 Edjane, segundo a defesa de Janadaris e Sérgio Sfredo, foi a pessoa que indicou Flávia, sua comadre, para trabalhar na pousada. A camareira, contudo, afirmou na justiça que se ofereceu voluntariamente e que não conhece o casal. A mentira é comprovada por fotos disponíveis no Facebook dela e da comadre, nas quais aparece junto ao namorado, Junior, em feve-reiro de 2014, um mês antes do atentado que resultou na morte de Marcos André.

 E qual seria a importância disto? É que, segundo os defensores dos Sfredo,”Zizi” é conhecido na região do Francês como integrante de uma quadrilha envolvida com o tráfico de drogas e ou-tros crimes e um antigo conhecido do delegado Jobson Cabral, que por vários anos esteve lotado na Delegacia de Marechal Deodoro. Em maio, Cabral, que presidiu o inquérito da morte do advogado, foi remanejado para Maragogi.

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