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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 841 / 2015

07/10/2015 - 17:34:00

Mea culpa

Cláudio Vieira Advogado e escritor, membro da Academia Maceioense de Letras

Odisseu (nós, os lat As gerações mais novas não conheceram a missa em latim. Assim, jamais ouviram, durante a celebração do ato católico, o padre contrito rezando o CONFITEOR, batendo por três vezes no peito a pronunciar humildemente MEA CULPA, MEA CULPA, MEA MAXIMA CULPA.Ultimamente, a propósito da crise política brasileira, ouvem-se vozes a sugerir à presidente Dilma a adoção do mea culpa, como forma de reverter algo da rejeição popular a ela e ao seu governo.

A mandatária é turrona, cabeçuda e, quando se trata de receber sugestões desagradáveis, surda como uma porta. Por isso, se a superação da crise depender de a presidente admitir sua culpa nos erros políticos, estamos em maus lençóis.Gosto de ler os artigos de Hélio Schwartsman na Folha de S. Paulo.

Sexta-feira passada li, da sua lavra, A CRISE E A GALINHA que, sob título tão prosaico traz análise sobre os percalços brasileiros conforme teóricos da nossa situação político-econômica. Duas escolas principais, segundo o articulista, teorizam sobre a questão: a “consequencialista” e a “principista”. Para a primeira corrente a solução estaria no rápido e radical corte nas despesas públicas e na implementação de algum aumento de impostos. Nesse caso, o impeachment da mandatária estaria, em princípio, fora de cogitação, dado as incertezas que produz.

Já para os principistas o impedimento da Dilma está na ordem do dia, e o agravamento da crise terá o seu lado bom, ou seja, forçará mudanças impopulares que o Congresso reluta em fazer.Escolher sob pressão nunca é fácil, principalmente quando diante de opção dual. Quase sempre há uma terceira via a atenuar proposições maniqueístas.

No caso, parece-me melhor buscar solução segundo o brocardo latino IN MEDIO VIRTUS. Assim, penso ser possível aproveitar o que de sensato há em ambas as teorias, como por exemplo, antes de qualquer imposição de novos tributos, ou agravação dos existentes, dever-se-ia implementar drástico corte nas despesas públicas, mesmo que isso atinja projetos de grande apelo popular, até porque, nesse ponto, a crise já vem, de qualquer forma, anulando os benefícios de trais projetos.

 Nesse contexto, a ideia de impeachment seria sepultada, evitando-se agravamento maior de uma situação que já é crítica. Para isso, no entanto, necessário que não só o Executivo, mas o Legislativo também se imbua de verdadeiro republicanismo, abandonando de vez o fisiologismo de qualquer espécie. O primeiro passo, voltamos ao início, será a humilde purgação dos pecados por via de um mea culpa de todos os nossos mandatários envolvidos nos desmandos que geraram a crise atual. Talvez assim (re)adquirissem um pouco da credibilidade necessária à proposição de medidas duras, mas necessárias. Será sonhar demais?

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