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Edição nº 841 / 2015

07/10/2015 - 17:32:00

Um beijo estalado

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

Minha cunhada mais velha, Gleide, dava beijos barulhentos nas pessoas queridas. Dizia-me ela: “Esses beijinhos que nem nos tocam são falsos”. E com o passar do tempo, cheguei à conclusão de que ela estava certa.É muito comum em nossas vidas abraçarmos e beijarmos amigos, queridos ou não. O pensamento me leva longe, olhando o mar de Paripueira, procurando saber quem merece um beijo estalado e um abraço apertado.

Comecemos pelas classes: médicos, políticos, empresários, militares. A que chama mais atenção é a dos políticos. Já tivemos em Alagoas, e no Brasil, deputados, senadores, presidentes da melhor qualidade. Hoje, é preciso ter cuidado e selecionar aqueles merecedores de um abraço e de um beijo sinceros. Os escândalos se sucedem e, às vezes, até pessoas tidas como honestas e trabalhadoras viram mensaleiros, taturanas, personagens da Lava Jato.

laro que esses políticos não merecem nem cumprimentos frágeis! Ficaram com o dinheiro público, enriqueceram ilegalmente e estão pagando caro, muito caro.E os médicos? Existem pessoas fabulosas, humanitárias, dedicadas, que abraçaram a profissão com amor. Mas, ainda encontramos mercenários (os que atendem pelo SUS e ainda cobram por fora), os indelicados (atendem os clientes e nem olham o rosto do coitado), os retardatários (marcam hora de atendimento e chegam atrasados). Nossos respeitos aos bons médicos e às boas médicas. São pessoas de que precisamos em momentos difíceis e nossas vidas dependem de sua competência e humildade.Os militares, ah! Os militares! Fui criada por um pai que não gostava dessa categoria.

Quando ficamos adultos, ele nos dizia: “Se um policial lhe parar, entregue tudo o que for solicitado; não discuta. Homem fardado é um perigo”. Por ironia da vida, casei-me com um militar e, durante mais de trinta anos, convivi com pessoas de farda. Meus amigos, no ambiente dos quartéis existem criaturas maravilhosas, verdadeiros irmãos, e hoje nossos filhos já são amigos dos filhos daqueles que conosco conviveram nas vilas militares. Não posso negar que encontramos criaturas terríveis, indignos de um grande abraço ou de um beijo sincero. Mas, são raras exceções e Deus se encarregará de todas elas.

Em nosso meio de convivência, encontramos grandes amigos, empresários, religiosos, funcionários públicos, donas de casa, familiares. A vida vai nos ensinando a selecionar os bons e afastar os ruins. É só saber agir na hora certa!A Justiça alagoana, como todas as outras, também recebe bons magistrados ou péssimos magistrados. Lembremo-nos de que são pessoas normais como nós, não são santos, que se dedicam ao direito.

E vamos caminhando com dificuldades; aqui e acolá aparecem juízes e desembargadores que cometem graves erros e nem sempre são punidos. A solução é esperar pela justiça divina, que vem, podem ter certeza!E os promotores de Justiça? O Ministério Público Estadual tem desempenhado um excelente papel em Alagoas. Desde 2012 vem investigando alguns deputados estaduais e vai passando para a Justiça o resultado das apurações. Cabe agora aos senhores juízes e desembargadores punirem os culpados. Merece o MP/AL um beijo bem estalado e um forte abraço.   

Vi recentemente na internet um bom exemplo de injustiça: uma mulher pobre roubou um pote de manteiga e pegou quatro anos de cadeia. Um senador da República roubou milhões dos cofres públicos; foi condenado a devolver dois milhões de reais e não foi preso.Em compensação, um homem pobre, em Goiás, roubou carne de um açougue para o almoço dos filhos e os policiais que o prenderam pagaram a carne e o dispensaram.

Aí a polícia merece um forte abraço e um beijo barulhento.Sempre disse aos meus filhos que precisamos de bons amigos, dentro e fora do ambiente familiar. Eles riem muito quando trazem novas amizades à nossa casa e fico observando. Depois de certo tempo aviso: “Fulano não é seu amigo”. Passados alguns dias, na maioria das vezes, verificam que tenho razão e dizem: “Mãe, a senhora adivinha”. Na realidade é a experiência da vida que nos ensina.

Uma classe de que não falei, mas me deixa encabulada é a dos bajuladores. Onde eles pululam frequentemente é no ambiente político. Convivo com alguns, e quando estão presentes, digo o que sei para ser levado aos patrões. É muito interessante: o sujeito chega numa sala, finge que lê um jornal e não está ouvindo nada; logo depois sai correndo. É cena de “Zorra Total”! Para os bajuladores: um abraço bem frouxo e um beijo de biquinho.Lá vamos nós, convivendo com pessoas de todas as categorias e aprendendo a selecionar os verdadeiros amigos, dignos de um forte abraço e de um beijo bem estalado.

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