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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 841 / 2015

07/10/2015 - 16:49:00

JORGE OLIVEIRA

A diferença está nos R$ 13 bilhões

Brasília - Nos corredores do Supremo Tribunal Federal não se fala em outra coisa: o fatiamento do processo da Lava Jato tende a beneficiar os presos mais privilegiados. Entre eles, Marcelo Ode-brecht, o 9º homem mais rico do Brasil, com uma fortuna de 13,1 bilhões de reais, segundo a revista Forbes.

No momento, ele ocupa uma cela do Complexo Médico-Penal do Paraná, localizado em Pinhais, município da região metropolitana de Curitiba. Mas seus dias de agonia estão para acabar depois que o STF decidiu descentralizar os processos concentrados nas mãos da equipe do juiz Sérgio Moro, uma decisão que está revoltando juízes federais e promotores do país. 

Ora, ora, só nós, pobres mortais, ainda acreditamos que Marcelo permanecerá atrás das grades por muito tempo. Ele deixou isso claro quando depôs na CPI da Lava Jato. Negou-se, por exemplo, a fazer delação premiada e ainda se permitiu usar gestos teatrais para mostrar quanto estava seguro sobre a sua provável liberdade. E a estratégia para tirá-lo da cadeia foi revelada pelo próprio Lula.

Numa viagem a Buenos Aires, ele reclamou que um juiz americano, sozinho, impunha ao governo argentino decisões judiciais que obrigavam o governo a pagar dívidas de empresas nos Estados Unidos. Esta, na verdade, é a tese que os juristas, contratados a peso de ouro pelos empresários, defendem, e que o boquirroto do Lula deixou escapar: não pode ser apenas de um juiz a  prerrogativa de manipular um processo dessa envergadura, entende agora o STF. 

Por trás de todo esse arcabouço jurídico que pretende esvaziar o trabalho da Lava a Jato e devolver os criminosos às suas casas, está o mais astucioso de todos os advogados brasileiros, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, ex-ministro de Defesa de Dilma. Depois da morte de Thomaz Bastos, o advogado que, em vida, defendeu todos os criminosos de colarinho branco, Jobim é hoje o mais próximo dos conselheiros do ex-presidente Lula.

Felicidade

A decisão do STF de fatiar a responsabilidade pela investigação da Lava Jato fez a alegria dos advogados de defesa dos réus. A justificativa para tal iniciativa o STF tem na ponta da língua: a apuração dos crimes deve ser feita nos locais onde foram praticados. Ou seja: os inquéritos serão desmembrados para o Rio, São Paulo e Brasília onde estão as sedes das principais empresas envolvidas. E você, que conhece a Justiça brasileira, o que me diz disso? É claro que muitos desses processos vão adormecer nas empoeiradas prateleiras das instâncias desses estados, vulneráveis a pressões de hábeis advogados, de políticos e dos empresários endinheirados envolvidos.

 Jogada

Não resta dúvida que foi uma jogada de mestre, porque todos os corruptos envolvidos no maior escândalo da história do país serão beneficiados. Como eles não têm prerrogativas de foro privilegiados, como os políticos, estão a mercê da caneta do juiz Sérgio Moro, que vem agindo com competência na condenação dos integrantes da quadrilha  que torraram a Petrobras e outras empresas símbolos do país.

As manhas

A jogada genial dos juristas que conhecem as manhas do Supremo Tribunal Federal só foi concretizada porque dentro do STF já existia uma tendência de frear a equipe do juiz Sérgio Moro. Muitos dos ministros do tribunal, indicados por Lula e Dilma, estavam incomodados com as últimas notícias de que o ex-presidente iria parar na cadeia. Os recentes depoimentos dos delatores colocam Lula no centro da cena do crime. E a melhor saída para tirar o Lula do lamaçal é, na verdade, começar a soltar os empresários que podem comprometê-lo, como Marcelo Odebrecht para quem o ex-presidente prestou serviço, a peso de ouro, como lobista de luxo.Para aqueles que não têm a fortuna do Marcelo, resta apenas o consolo de receber um boião diferenciado na cadeia. Essa promessa, pelo menos, o PT jura que vai cumprir, viu Vaccari e Zé Dirceu.


As boquinhas

No trimestre que se encerrou em julho, o IBGE estimou que já são cerca de 8,6 milhões os desocupados no país. A taxa de desemprego é histórica no mesmo período: 8,6%. Mas para a ex-ministra Ideli Salvatti e o seu marido, o tenente músico do Exército Jeferson da Silva Figueiredo, a crise no Brasil só enfrenta quem não tem padrinho. Eles vão faturar quase R$ 80 mil por mês em duas boquinhas que a Dilma arrumou para o casal nos Estados Unidos.


Pindaíba

Enquanto os consulados e as embaixadas brasileiras vivem na pindaíba sem dinheiro para pagar sequer as despesas mínimas como aluguel e serviços domésticos que contratam, a Dilma autoriza Ideli a assumir o cargo de assessoria na Organização dos Estados Americanos (OEA) com um currículo tão mambembe quanto o do Tiririca. E indica também o maridão para um cargo na Subsecretaria de Serviços Administrativos e de Conferências na Junta Interamericana de Defesa, em Washington. 

Desqualificado

Para trabalhar nessas funções nos Estados Unidos, recebendo em dólar, não precisa de qualificação profissional nem muito menos preparação acadêmica, pelo menos é o que se pressupõe dessas duas nomeações. Basta apenas ser amigo do ministro da Defesa, Jaques Wagner, que atropelou as recomendações do Exército que falava do despreparo do marido da ex-ministra. Pois é, não teve jeito. Da tinta da caneta dele saiu a excrecência dessas indicações. 


Confronto

O Exército avisou a Wagner que nomeações desse tipo são submetidas a exames rigorosos. Passam por um processo de seleção onde vários fatores são analisados. Argumentou também que a Força não dispunha da vaga. Mas o ministro da Defesa não quis saber da ponderação dos militares e assinou a portaria avocando o parágrafo único do artigo 1º do Decreto 2.790 de 1998, que diz que “ao ministro do Estado Maior das Forças Armadas é delegada competência” para baixar atos relativos aos militares que servem naquele órgão (OEA) e que, nas Forças, a prerrogativa é dos comandantes”.


Mordomias

O mal estar gerado pela decisão do ministro chegou até a Dilma que, mesmo assim, ratificou a decisão do seu ministro. Assim, o casal deixa o Brasil para viver confortavelmente em Washington fugindo da crise que se aproxima a passos largos e ameaça levar o país para o fundo do poço a julgar pelas últimas pesquisas do Ibope que dão a Dilma 70% de rejeição.

 
Escândalos

Se fosse obedecido o critério de lisura e de boa conduta para esse cargo, Ideli Salvatti certamente seria reprovada. Nos últimos anos, ela esteve envolvida em pelo menos dois casos rumorosos. Quando esteve à frente do Ministério da Pesca comprou lanchas superfaturadas. E quando exerceu a chefia do Gabinete Civil usou helicóptero de salvamento do DNER para visitar redutos eleitorais. 


Sabidinhos

É assim que a petezada atua com o dinheiro público. Incapazes de disputar o mercado fora do governo, preferem se locupletar com as benesses oferecidas por esse governo que aparelhou o Estado para servir aos interesses da sua militância. Muitos desses petistas sabidos, como Ideli, estão caçando boquinhas no exterior para deixar o país antes da casa cair. Não querem ser lembrados nem como petistas.  


Coveira

Enquanto a sinecura petista progride, milhões de pessoas vivem a angustia do desemprego. Indefesos, esse trabalhadores assistem a economia ir para a sepultura com a coveira negando-se a acreditar que o defunto já está “mortinho da silva”. 

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