Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 840 / 2015

01/10/2015 - 21:10:00

Juiz acusa PF de ter armado flagrante que levou à prisão de advogados

Léo Denisson afirma que investigação sobre sua conduta em Marechal não é de competência do CNJ

Vera Alves [email protected]

Afastado da condução do processo que trata do assassinato do advogado Marcos André de Deus Félix desde abril último, logo após a prisão de dois advogados de acusados no crime, o juiz Léo Denisson Bezerra de Almeida acusa a Polícia Federal de ter armado o flagrante que resultou na prisão. E mais, afirma que não cabe à Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apurar sua conduta, mas sim a Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça de Alagoas.

Em síntese, estes são os termos da defesa apresentada pelo juiz à Corregedoria Nacional que avocou para si a investigação por conta das investigações que levaram a PF a concluir que o magistrado estaria envolvido no pedido de propina para libertar o empresário Sérgio Sfredo, um dos acusados de ser o mandante do assassinato de Marcos André, crime ocorrido em março de 2014 na Praia do Francês, em Marechal Deodoro.

Sérgio e a esposa, Janadaris Sfredo, também acusada de ser a mandante, estão presos desde abril do ano passado e contavam em sua equipe de defesa com o advogado Júlio Cézar Castro, preso em flagrante pela PF no dia 26 de março último, junto com o também advogado Augusto Jorge Granjeiro Carnaúba e o irmão deste, Ismael Carnaúba.

Defensor dos acusados de terem atirado contra Marcos André, Augusto teria sido o intermediário da negociação para livrar Sérgio da cadeia. Para isto, o casal teria de pagar R$ 200 mil. A primeira parcela acabou sendo apreendida durante o flagrante da prisão autorizado pela 17ª Vara Criminal da Capital, que também autorizou escutas telefônicas que acabaram levando ao nome do juiz titular da Comarca de Marechal.

A situação do magistrado se complicou depois que o CNJ foi informado da morosidade do Tribunal de Justiça de Alagoas em autorizar a continuidade, pela PF, das investigações sobre ele, incluindo as denúncias de favorecimento, por meio de sentenças, ao prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus. Contra o gestor pesam dezenas de denúncias de improbidade administrativa feitas pelo Ministério Público Estadual, que chegou, inclusive, a pedir seu afastamento do cargo mas não foi atendido.

Procurada pelo EXTRA para falar sobre a acusação do magistrado, a Polícia Federal afirmou que não comenta processos ou investigações sob sigilo, mas reafirmou que todos os procedimentos adotados por seus integrantes no que se refere à operação de flagrante obedeceram os ditames legais e tiveram o apoio de ordens judiciais. 

A ORIGEM
O esquema de venda de sentença foi denunciado pelos Sfredo à Polícia Federal. O casal, que sempre negou envolvimento com a morte de Marcos André, também acusa o então delegado de Marechal, Jobson Cabral, de haver mentido à Justiça ao afirmar que eles seriam integrantes de uma perigosa organização criminosa. A acusação foi feita no pedido de prisão preventiva apresentado no dia 16 de março de 2014, dois dias após a vítima ter sido baleada.

Defensores do casal afirmam que todas as decisões judiciais que mantêm os Sfredo presos até hoje se originaram de um inquérito policial eivado de falhas, incluindo os depoimentos dos outros quatro acusados, entre os quais Álvaro Douglas da Silva (Alvinho) e Elivaldo Francisco da Silva (Vado). Flagrados por câmeras de segurança atirando contra Marcos André e defendidos por Augusto Granjeiro, eles negaram em juízo terem apontado Janadaris Sfredo como a mandante do crime, contrariando o que consta nos depoimentos entregues à Justiça pelo delegado.

 Um terceiro envolvido, Juarez Tenório da Silva Júnior, afirmou na Justiça que, ao chegar na delegacia, o depoimento já estava pronto e que foi obrigado a assiná-lo mediante ameaças do delegado. Namorado de Maria Flávia dos Santos, que quatro meses antes do crime fora contratada como camareira da pousada Ecos do Mar, então de propriedade dos Sfredo, ele acusou Janadaris de lhe ter pedido que arrumasse alguém para dar uma surra em Marcos André. 

Em 2010, Janadaris Sfredo, que também é advogada, e Marcos André haviam atuado em lados distintos em um processo envolvendo uma outra pousada, a Lua Cheia, pertencente ao italiano Pietro Rosa. A disputa se encerrou com uma ordem de despejo contra os clientes de Janadaris, cujo cumprimento terminou virando caso de polícia. É que, ao invés de aguardar pelo oficial de Justiça, o próprio advogado foi fazer o despejo acompanhado de “seguranças” do italiano. 

Segundo o delegado Jobson Cabral, Janadaris teria mandado matar Marcos André, com quem teria  frequentes discussões, por conta desta disputa.

 O italiano Pietro Rosa voltaria a aparecer na vida dos Sfredo no mesmo dia do atentado. Na noite de 14 de março, ele entregou à família de Marcos André um bilhete “anônimo” e que foi entregue ao delegado no qual Janadaris é apontada como a pessoa que teria contratado Júnior, Flávia, Alvinho e Vado para matarem o advogado. Pietro, contudo, nunca foi chamado a depor, nem pela Polícia e nem pela Justiça.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia