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22 de Novembro de 2018

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Edição nº 840 / 2015

01/10/2015 - 20:54:00

Luiz Pedro é condenado a 26 anos por mandar executar servente de pedreiro

Promotor disse que nem o nazismo foi tão cruel quanto a milícia comandada pelo ex-deputado e ex-vereador

João Mousinho [email protected]

Fim da impunidade. Onze anos depois da execução do servente de pedreiro Carlos Roberto Rocha Santos, o Beto, o autor intelectual do crime, o ex-deputado e ex-vereador Luiz Pedro da Silva foi condenado pelo júri popular a 26 anos e  cinco meses de prisão por homicídio qualificado, sequestro e formação de quadrilha.  

A viúva de Beto, Alessandra Cristina Costa, foi decisiva no julgamento ao dar seu depoimento por videoconferência relatando que o esposo foi sequestrado na madrugada no dia 12 de agosto de 2004 por capangas de Luiz Pedro.  O corpo de Beto nunca foi encontrado; mais de 100 exumações foram feitas sem êxito em diversos cemitérios da cidade. 

Alessandra narrou que o marido havia sido alertado por um assessor do acusado para que tomasse cuidado. “Não tenho dúvidas que Luiz Pedro é o mandante da morte do meu marido. Antes dele ser sequestrado, durante uma cavalhada, um assessor do Luiz Pedro disse para meu marido que tomasse cuidado, e logo depois ele foi assassinado. Todo mundo sabe que os acusados trabalhavam para o Luiz Pedro”.

“Meu marido chegou e foi dormir, e eu fiquei assistindo à TV. Logo depois, pessoas bateram em minha porta, e disseram que eram da polícia, da delegacia de Repressão a Drogas. No começo eu fiquei calada, mas depois perguntei quem era e eles disseram que era a polícia e que queriam falar com meu marido”, acrescentou. 

A viúva de Beto vive em outro estado e diz que não pode voltar para Alagoas, pois teme ser executada, assim como o marido. Alessandra ainda solicitou que fosse integrada no programa de proteção a testemunha, já que ela é um dos pivôs para a prisão de Luiz Pedro. 

Carlos Roberto Rocha Santos era usuário de maconha, mas era conhecido por ser um sujeito pacato, que não fazia mal a ninguém e fazia bicos para sobreviver. O pai de Beto, Sebastião Pereira, disse que o filho jogou nas categorias de base do CSA e do CRB e era convidado para participar de vários “rachas”. “Ele era um menino benquisto. O único erro dele foi não concordar com as leis do Luiz Pedro e o autoritarismo do seu bando”. 

O promotor do caso, Carlos Davi Lopes, enfatizou: Nem o nazismo foi tão cruel. Naquele regime, que também foi extremamente perverso, havia uma suposta lógica para o extermínio de inocentes. Na milícia comandada por Luiz Pedro, não. Matava-se por qualquer motivo abjeto. Seu grupo paramilitar agia do mesmo modo que os homens da era primitiva, onde o elemento da força era o mais importante. O ex-deputado liderava uma milícia de brutamontes”. 

Em um de seus argumentos para condenação o promotor colocou:“Ainda vive-se em Alagoas a época do coronelismo. O ex-deputado insiste em ser um senhor feudal, que domina vassalos em troca de favores. E esses tais vassalos, para serem beneficiados com as casas, precisam unicamente cumprir suas determinações, as ordens ditadas por ele. É preciso pôr fim a esse feudalismo e dar início a uma nova era”, argumentou. 

Já o assistente de acusação, João Uchoa, comparou Luiz Pedro a Pablo Escobar: “Tal qual o traficante colombiano Pablo Escobar, que dava proteção e alguns benefícios para as comunidades mantidas por ele, Luiz Pedro também é adepto dessa mesma prática. Mas, o que essas pessoas pobres não entendem é que elas, para sempre, serão reféns dele. Lamentavelmente, essa gente é igual a gado marcado e vai para onde o dono quer, para onde o dono o tange. Luiz Pedro é o Pablo Escobar do Brasil e quem depende do seu assistencialismo tem que rezar na sua cartilha”.

Ao depor, Luiz Pedro negou ser o mandante do crime mas confirmou que em seus conjuntos residenciais existe  ordem e que lá “vagabundo, ladrão, traficante, bandido não se cria”. 

Luiz Pedro é um mito da cultura da violência de Alagoas que teve seu destino alterado, a cadeia, pela sede de justiça de um pai injustiçado: Sebastião Pereira. 

A defesa do ex-deputado afirmou que vai recorrer da sentença do Tribunal do Júri. Como estava em liberdade, Luiz Pedro permanecerá solto até o julgamento do recurso ou que a sentença transite em julgado.  

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