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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 839 / 2015

23/09/2015 - 18:40:00

Moradores do entorno do antigo lixão denunciam poluição ambiental

Gás metano oriundo do extinto sumidouro de Cruz das Almas ameaça saúde de centenas de pessoas

Vera Alves [email protected]

Quinze dias após terem bloqueado os dois sentidos da Avenida Josepha de Mello, em Cruz das Almas, moradores da região tiveram ontem uma reunião com dirigentes das secretarias municipais de Meio Ambiente e de Habitação. O objetivo: denunciar o mau cheiro provocado por chorume do antigo lixão de Maceió e problemas de saúde na comunidade devido a inalação de gás metano.

Os problemas ambientais na região alvo de intensa especulação imobiliária desde a inauguração do Parque Shopping, contudo, não se limitam a isto. Porta-voz da comunidade, o empresário Alceu Mello afirma que o lençol freático também está comprometido e critica a postura do poder público em ignorar o fato de que toda a região do entorno do antigo lixão foi devastada, sem cumprimento da legislação ambiental que determina a manutenção de uma área verde.

O empresário destaca, ainda, que o processo de recomposição da área degradada pelo funcionamento do vazadouro de Cruz das Almas por 37 anos demanda ao menos 25 anos, como atestam todos os estudos ambientais do país sobre o tema. Ainda assim, esta recuperação depende de medidas efetivas que não teriam sido cumpridas em Maceió. Lembrou, ainda, os dois desmoronamentos, em maio, do muro de contenção que estava sendo erguido por uma construtora em volta do extinto lixãoe que denunciaram a existência de uma enorme quantidade de dejetos e detritos e de material em decomposição na área.

A maior preocupação dos moradores da região, hoje, é com os problemas de saúde registrados nos últimos meses. As maiores vítimas são as crianças e idosos, cujos problemas estariam relacionados à inalação de gás metano.Em qualquer pesquisa elementar, a informação existente é de que este tipo de gás – resultado da decomposição de lixo orgânico – pode provocar asfixia, parada cardíaca, inconsciência e até mesmo danos no sistema nervoso central.

Na reunião de ontem, os moradores pediram que a Prefeitura de Maceió encampe um projeto de queima efetiva do gás metano, para evitar que ele se disperse na região, como acontece hoje. “Mesmo morando a 800 metros do antigo lixão estamos sendo atingidos, já que o vento do mar transporta o gás aleatoriamente”, explica Alceu Mello. 

A devastação da mata existente ao redor do antigo lixão, desativado há cinco anos, é também apontada como agravante da atual situação. Denunciada pelo EXTRA em maio último, ela acabou tornando praticamente desértica uma área de 900 mil metros quadrados que abrange os bairros de Cruz das Almas, Sítio São Jorge e Barro Duro, a partir da AL-101 Norte, no entorno do antigo lixão, até a Avenida Rotary, um verdadeiro crime ambiental que incluiu o aterramento de grotas e a derrubada do que havia de Mata Atlântica na região.

Avenida vai abrigar nova sede do TRE de Alagoas

Alvo de polêmica desde sua construção, os 2,2 quilômetros da Avenida Josepha de Mello foram inaugurados em junho do ano passado. Seis meses depois, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) oficializou a compra de uma área de 10 mil metros quadrados onde será construída sua nova sede. O valor da compra: R$ 6 milhões e 800 mil, de acordo com o Aviso PA nº 113/2014, assinado no dia 31 de dezembro pelo então vice-presidente da Corte, desembargador Sebastião Costa Filho – hoje presidente –, e publicado no Diário Oficial da União de 5 de janeiro deste ano.

Esta semana, mais especificamente na terça, 15, o TRE recebeu as propostas para contratação da empresa que fará serviços de investigação geotécnica para elaboração desondagem a percussão do terreno situado no número 3A2 da Josepha de Mello e que foi adquirido de Fernando José Hollanda de Mello, Pietro Longo Hollanda de Mello e Paulo Roberto Moreira de Mello. Matriculado sob o número nº 142.494, o terreno é referente à Gleba 03-A, a seroportunamente desmembrada, segundo o aviso publicado no DOU pela Corte.

A persistirem os problemas de mau cheiro devido ao chorume e gás metano oriundos do antigo lixão, os servidores da justiça eleitoral podem não ser os únicos a integrarem o rol de afetados. É que terrenos da mesma região estão novamente sendo ofertados ao Tribunal de Justiça de Alagoas para construção de um Complexo Judiciário que inclui o novo Fórum de Maceió.

Em junho último, o TJ recusou as quatro propostas de terrenos que recebeu, sendo que três deles estão localizados na área de 900 mil metros quadrados alvo da devastação denunciada pelo EXTRA. Em agosto último, recebeu propostas da segunda convocação para compra de um terreno com 20 mil metros quadrados e preço máximo de R$ 20 milhões. As propostas e o resultado da análise ainda não foram divulgados pelo TJ, mas há quem afirme que dentre elas estão também terrenos da Josepha de Mello. É esperar para ver!

 

 

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