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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 839 / 2015

23/09/2015 - 14:27:00

Santos recados

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

O ser humano é vaidoso por natureza. Basta crescer um pouco e já se sente rei. Claro que há exceções, mas nos meus 74 anos de vida já vi vários exemplos.   

 A classe que passa por maiores transformações é a dos políticos. Darei alguns exemplos sem citar nomes e vocês, leitores, tentarão identificar os protagonistas dos episódios.Conheci um moço de Alagoas que desempenhou funções importantes e fazia política dia e noite. Direi sem medo de errar: não pensava em outra coisa que não fosse conquistar o voto do eleitor. Os assessores ligados a ele não tinham hora para descansar: o dia começava cedinho.

Pela madrugada estava no mercado conversando com comerciantes e pessoas que por lá se encontravam.  Foi deputado federal por mais de um mandato, chegou a ser prefeito do interior e, de repente, ficou extremamente vaidoso. Passou mal, levaram-no para um hospital, foi tratado de modo errado.

Veio para Maceió e sobreviveu. Terminou morrendo num desastre de carro indo de uma cidade para outra fazer política. Deus deu o primeiro recado; não ouviu. No segundo, não teve tempo de escutar.O fato mais comum é o político não atender telefone, não falar com as pessoas depois das eleições. Fica mordido pela mosca azul do poder.

Conheço outro que era bedel de um colégio pobre da cidade. Foi vereador, deputado estadual várias vezes e deputado federal. Parlamentar atencioso, bom papo. Num aborto da sorte, foi eleito senador. Mudou-se logo para a Ponta Verde, virou rico e perdeu a humildade inicial. Hoje, denunciado pela Lava Jato, levou o filho pelo mesmo caminho. Submergiu. Já não é o mesmo homem!Em outras profissões há casos pitorescos: uma parenta minha levou uma queda em consequência de um desmaio. Chegou ao Pronto Socorro de tarde e ninguém localizava o médico neurologista de plantão.

As atendentes “não sabiam” o número do celular do doutor. Fiz um apelo pela internet e uma ex-auxiliar dele ligou-me, pediu-me para não dizer o seu nome e me informou o número procurado. Depois das 21 horas o médico chegou, desculpando-se e dizendo que “não foi avisado”. Felizmente, a coitada não morreu.Em 2013, fui ao Posto Médico em Paripueira com uma neta de 13 anos, desidratada. Eram seis e meia da manhã e a médica apareceu puxando uma mala e avisando que não atenderia ninguém. Lembrei-lhe que o horário dela seria até sete horas, mas ela nem olhou para a criança e foi embora. Havia outras pessoas esperando, mas ela nem ligou.

 Procurar falar com políticos famosos é uma verdadeira piada. Nos aeroportos ficam em salas reservadas e não conhecem ninguém. Já viajei com um que era governador: abriu o jornal antes do avião subir e só o fechou no destino final.As entidades representativas de servidores públicos têm a maior dificuldade em se reunir com seus “patrões”. Outro dia, uma amiga minha marcou um encontro de trabalho com uma autoridade para uma segunda-feira, pela manhã. Organizou a pauta, chegou meia hora antes e no “local do crime”recebeu o aviso: “Ele não vem hoje; tem outros compromissos”. E nem ligou para se desculpar.

Claro. Existem autoridades que não se deixam levar pela opulência do cargo. Já fui atendida por um desembargador, amigo de infância, ex-presidente do Tribunal de Justiça. Ele marcou o horário (sete e meia da manhã) e chegou na hora certa. Apresentei meus pleitos, conversamos como pessoas normais, rimos bastante com as lembranças dos tempos idos. E eu era apenas uma aposentada da Assembleia Legislativa.

O importante de tudo isso são os chamados de lá de cima. Mas, as pessoas ficam tão empolgadas com o poder que não escutam, nem prestam atenção.Quem imaginaria o sofrimento do José Dirceu atualmente? Foi o homem mais poderoso do Governo Lula.

Bajulado por políticos, manipulou empresários e recebeu o recado: “Cuidado, não se arrisque tanto”. Não ouviu e hoje é o presidiário mais famoso do Brasil.E o Lula? Um torneiro mecânico alçado à Presidência da República. Transformou-se completamente, ficou esnobe e agora vive assustado porque sabe da chegada de sua punição.  

Os empresários envolvidos em corrupção, do alto de seus pedestais, nunca imaginariam terminar na cadeia. Creio que as mulheres deles, se sensatas fossem, deveriam ter avisado aos maridos do perigo que corriam. Mas, quase ninguém escuta os avisos. Poucos são do tipo ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES, um homem simples que não se deixou corromper. Talvez, até, ingênuo demais. E nosso Papai do Céu (como diria minha amiga Esmeralda) continua, lá de cima, puxando os cordões e avisando: “Cuidado; perigo!!!”

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