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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 839 / 2015

23/09/2015 - 14:26:00

A mesma conversa mole

JORGE MORAIS Jornalista

Ultimamente, uma das coisas que mais me irritam é ouvir as desculpas dos políticos envolvidos na Operação Lava Jato, quando milhões e milhões de reais foram desviados da Petrobras e, parte dessa quantia milionária, foi para as campanhas milionárias dos candidatos, e a outra parte foi para as contas bancárias, no exterior, de dirigentes e pessoas ligadas aos partidos políticos.Todos eles, sem livrar a cara de ninguém, dizem que o dinheiro recebido para suas campanhas políticas foi declarado na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral, como despesas da dita cuja.

Essa conversa irrita, porque em nenhum momento está se dizendo que os candidatos deixaram de declarar o montante recebido. O que o juiz Sérgio Moro e a Polícia Federal querem saber é: de onde veio esse dinheiro e de que maneira ele foi adquirido?Este, sim, é o X da questão. Que foi declarado, todo mundo sabe.

Até eu, que não tenho nada com isso, diretamente, mas apenas como um cidadão brasileiro preocupado em como o governo gasta os recursos dos impostos e os que são oriundos de uma empresa como a Petrobras, que, em um passado não muito distante, era uma das cinco mais respeitadas e rentáveis do mundo, e, agora, está quebrada e sem crédito.É por isso que a Operação Lava Jato não termina. Demora porque os caras não abrem o jogo e as delações premiadas levam muito tempo para serem investigadas. É a palavra do sujo falando do mal lavado. Na história política brasileira, o casamento entre a política e os empreiteiros nunca foi uma boa recomendação.

Desde muito tempo se sabe que as construtoras, especialmente as maiores, financiam as campanhas de presidente da República, governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores.Com qual objetivo isto ocorre? Seja em que esfera for, para receber de volta, várias vezes mais do que investiu na campanha, em obras, normalmente superfaturadas, para compensar o dinheiro que saiu com facilidade antes.

Um engenheiro amigo meu, e que já trabalhou em construtora, me disse certa vez: “Moraes, uma rodovia de 10 quilômetros, por exemplo, com 10 metros de largura e 2 metros de acostamento de cada lado, com 10 centímetros de profundidade, termina assim: os mesmos 10 quilômetros; com 9 metros de largura; 1,5 de acostamento de cada lado; e 6 centímetros de atura”.

Vocês sabem o que isto representa? Em dinheiro, um valor incalculável, pela sobra de 1 metro de largura X 10 quilômetros de estrada; 1 metro de acostamento X 10 quilômetros (somando os dois lados); e 4 centímetros X 10 quilômetros, na altura da base e no asfalto da pista. Na conta do lápis, como diz o matuto, isso é muito dinheiro que sobra, sem contar com os projetos faraônicos que saem do papel. São os milhões investidos nas campanhas políticas pelo país todo.

Essa história do meu amigo é apenas uma parte do que eles fazem. Deste mesmo jeito eles agem com a construção de prédios, conjuntos habitacionais, indústrias, hidrelétricas, escolas, hospitais etc. E, uma sobra daqui outra dali, eles vão engordando as contas bancárias e distribuindo suas benesses aos partidos ou candidatos isoladamente. É deste jeito que a galinha dos ovos de ouro vai enchendo o papo.

Se você disser que todo mundo age assim, é exagero. Mas, quase todo mundo faz assim, o percentual chega perto dos 100%, senão não tem obras públicas para fazer. Por isso, me irrita ouvir que o dinheiro recebido, muito dinheiro por sinal, foi declarado na verba de campanha. Não duvido que tenha sido, mas a pergunta é: de que maneira esse dinheiro chegou a eles? Eles sabem como.   

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