Acompanhe nas redes sociais:

15 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 838 / 2015

16/09/2015 - 21:02:00

Juiz nega “carteirada” e diz que vai à Justiça reaver carro apreendido

Jesus Wilson exige retratação da Globo por citar condenação por atropelamento e morte de estudante

Vera Alves [email protected]

Foi em cadeia nacional que o juiz aposentado Jesus Wilson Raphael da Silva voltou ao noticiário 11 anos depois de ter sido condenado pelo atropelamento e morte de uma estudante. anos. Na última terça-feira, o Jornal Nacional, da Rede Globo, exibiu vídeo em que o magistrado tentava evitar que seu carro, uma Amarok 2013, fosse apreendido por fiscais da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) de Maceió.

Prestes a completar 75 anos, Jesus Wilson não conseguiu evitar a apreensão e já avisou: não vai pagar qualquer taxa à SMTT para cujo depósito o carro foi levado. Decidiu que vai ingressar com ação na Justiça e está convicto de que vai conseguir liminar favorável determinando a devolução do veículo sem qualquer ônus para si.

A certeza, diz, se baseia no fato de que, ao contrário do que alegaram os agentes da SMTT, ele não está com o pagamento do Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA) atrasado. Na quarta, um dia após a exibição do vídeo no JN, ele concedeu entrevista à TV Gazeta, afiliada da Rede Globo, e mostrou os comprovantes do pagamento parcelado do imposto. 

A incompetência da SMTT para apreensão de veículos é outro argumento a ser usado pelo juiz aposentado. Ao EXTRA, ele confirmou ter dito aos agentes que eles não poderiam estar realizando a operação, pois seriam “apenas guardas municipais” e que deveriam estar “varrendo a rua e cavando buraco”. 

“Não existe nenhuma lei ou portaria que dê a eles o direito de apreender veículos. Isto é de competência do Estado através do Detran”, reafirma o polêmico magistrado, que afirma ter ouvido de um major, lotado na assessoria do secretário de Defesa Social, Alfredo Gaspar de Mendonça, a declaração de que a SMTT estaria extrapolando suas funções.

No vídeo exibido em cadeia nacional, o juiz aparece discutindo com os agentes da SMTT e efetuando diversas ligações. “Liguei para todo mundo que me conhece, para o Gecoc e Amalgis para provar que não estava mentindo”, defende-se Jesus Wilson. Entre os contatados, segundo ele, estava o gerente do banco em que tem conta. “Eu queria que ele confirmasse o pagamento das parcelas do IPVA, mas o pessoal da SMTT não quis falar com ele”, diz.

SMTT informou, por meio de sua assessoria, que foi lavrado Boletim de Ocorrência na Central de Flagrantes sobre os acontecimentos registrados durante a abordagem ao juiz. O objetivo foi registrar a conduta dos agentes e assegurar seus direitos no caso de serem acionados judicialmente por Jesus Wilson.

A CONDENAÇÃO

Mas, mais do que a afirmação de que teria sido flagrado dando “carteirada”, o que irritou profundamente Jesus Wilson foi o fato de a reportagem do JN ter relembrado sua condenação, em 2004, pelo atropelamento e morte da estudante Juliana Silva de Souza. “Um caso não tem nada a ver com o outro; trata-se de processo já arquivado, e eu já paguei tudo”, afirma.

O pagamento, no caso, se refere à multa de 64 salários mínimos que ele foi condenado a pagar à família da estudante, que tinha 15 anos. No dia 18 de dezembro de 2001, Juliana caminhava com uma amiga pela calçada, em Cruz das Almas, quando foi colhida pelo carro dirigido pelo juiz, então titular da Vara da Infância e da Juventude de Maceió.

Testemunhas contaram que ele tinha nítidos sinais de embriaguez, não prestou socorro à jovem e se negou a fazer o teste de bafômetro sob a alegação de que era juiz. A 7 de dezembro de 2004, o Pleno do Tribunal de Justiça o condenou a dois anos e nove meses de prisão, mas converteu a “punição” em pena alternativa e ao pagamento de multa de 64 salários mínimos, parcelados em 32 vezes, à família da estudante. 

Na última quarta-feira, Jesus Wilson afirmou que, se não obtiver retratação por parte da Rede Globo, vai acionar a emissora na Justiça com pedido de indenização. 

 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia