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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 838 / 2015

16/09/2015 - 20:52:00

O antigo farol do Alto do Jacutinga

Edberto Ticianeli Jornalista

A história da construção do farol do Alto do Jacutinga está diretamente ligada à importância que a navegação e o porto de Jaraguá tinham para Maceió nos seus primeiros séculos de existência.

Em uma época em que a navegação era o principal meio de transporte, os primeiros povoamentos aconteceram em áreas próximas ao litoral ou ribeirinhas de rios e lagoas. Provavelmente, o engenho que deu origem a Maceió só se instalou onde hoje é a Praça D. Pedro II pela sua proximidade com o porto natural de Jaraguá. 

Os portos também eram, do ponto de vista militar, estratégicos para as disputas pelos poderes político e econômico. Durante o Brasil Colônia, e mesmo depois, muitas fortificações foram montadas para proteger os portos e suas cidades contra os ataques de navios inimigos.

Em Maceió, durante muitos anos, existiram baterias montadas na Ponta Verde, Jaraguá, Pontal e no Alto do Jacutinga. Felizmente, nunca foram utilizadas em combates. Seus disparos eram para anunciar momentos festivos ou para saudar autoridades que chegavam ou partiam do porto de Jaraguá.

No início do século XIX, com o crescimento da vila de Maceió e a expansão das atividades econômicas da província, surgiu a necessidade de melhorar o atracamento das embarcações e da sinalização por farol.

O cais de Maceió só começou a funcionar em 1940, quando foi inaugurado por Getúlio Vargas, mas o Farol de Maceió já começou a ser construído em 1827, quando o Tribunal da Junta do Comércio apresentou ao governo as plantas e o desenho da obra. 

Há registros de que o projeto original colocaria o farol sobre os recifes de Jaraguá. A construção teve início em 1830, mas logo parou. Foi avaliado que esse tipo de obra seria bem mais cara do que a instalação do farol em terra firme. O novo local escolhido foi o Alto do Jacutinga, onde já funcionava um complexo de construções que visava à garantia do porto de Jaraguá.

Instalados anteriormente, no Jacutinga já existia o paiol de pólvora, casa do faroleiro, casa do guarda do paiol e uma bateria de “vinte e tantas peças”. O terreno foi doado ao governo imperial em 15 de junho de 1834 por Bento Ferreira Guimarães.

Em 1838 já tramitava na Câmara, no Rio de Janeiro, emenda parlamentar destinando recursos para a construção do Farol. Dez anos depois, em novembro de 1848, o Diário do Rio de Janeiro publicava que o Ministério da Marinha alocou 20 contos de réis para a construção de um farol “no Porto de Jaraguá”. 

Somente em 1851 foi que o presidente da província de Alagoas, José Bento da Cunha Figueiredo, fez o lançamento da pedra fundamental da obra. Entretanto, o Correio Maceioense de 24 de novembro de 1850 já publicava atos do governo provincial liberando recursos e autorizando o início da construção. 

Antonio Francisco Paz foi o “mestre canteiro” designado para a construção, sob a orientação do engenheiro Antonio Ribeiro Lis Teixeira.

No dia 30 de janeiro de 1851, mais recursos são liberados. Desta feita para pagar 300 toneladas de pedras que desembarcaram da charrua Carioca. No dia 2 de março de 1851 há registro da liberação de verba para pagar o apontador Ricardo Manoel Vieira.

Em 1956, o farol estava construído, mas só entrou em funcionamento no ano seguinte, em 1º de janeiro de 1857.

Rapidamente, a imponente construção se transformou numa referência para cidade. A região onde foi construído deixou de ser o Alto do Jacutinga para ser conhecida como o Alto do Farol.

Após 80 anos de bons serviços prestados às embarcações, o farol recebeu energia elétrica, passando a ser, em 1937, o primeiro do país a funcionar com essa fonte de energia.

Em 1949, o já quase centenário farol sofreu danos na sua base após as fortes chuvas que caíram sobre Maceió na madrugada do dia 19 de maio.

Essa noite ficou na história da cidade pelos danos provocados pelas inundações e quedas de barreiras. Em Mangabeiras, mais de 20 casas foram soterradas e algumas vidas foram perdidas. Muitas famílias ficaram desabrigadas.

As pontes sobre o Salgadinho foram derrubadas por uma tromba d’água, e na Rua Barão de Atalaia parte da barreira que sustentava o farol desabou, deixando a construção instável.

Em maio de 1951, os seus equipamentos foram levados para o novo farol que já estava construído no Jacintinho.

Em abril de 1955, o centenário farol do Alto do Jacutinga foi demolido e Maceió perdeu uma das suas referências arquitetônica e histórica. Hoje, no lugar onde estava o farol foi construída uma casa que é a sede do Crea-Alagoas.

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