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Edição nº 838 / 2015

16/09/2015 - 20:30:00

Jorge Oliveira fala da crise da imprensa escrita na Fenelivro

Da redação

O jornalista e cineasta alagoano Jorge Oliveira foi um dos destaque da primeira feira do livro (Fenelivro) do Recife. Ele falou sobre cinema, literatura e jornalismo ao tempo em que relançou, a pedido dos organizadores do evento, o livro “Curral da Morte”, publicado pela Record, um sucesso de venda no Brasil. Sobre cinema, Oliveira conversou com a plateia sobre o lançamento de “Olhar de Nise”, seu último filme, que estreia oficialmente no dia 19 na Mostra Panorama Brasil do Festival de Cinema de Brasília.

Um assunto que polemizou a discussão foi o papel da imprensa escrita no mundo atual com o predomínio das mídias digitais. Ganhador de dois prêmios Esso de Jornalismo e dezenas de outros como cineasta, Jorge Oliveira previu que a imprensa de Gutemberg corre o risco de extinção se não se modernizar ou fizer um jornalismo de análise, com bons comentaristas, que informem o leitor sobre os bastidores da notícia. “A notícia transmitida hoje em tempo real deixa os jornais e as revistas para trás, divulgando notícias com 24 horas ou uma semana de atraso,  inconcebível nesse mundo globalizado ”, disse Oliveira.

Segundo ele, os dados atuais sobre a imprensa escrita mostra que ela pode desaparecer mais cedo do que se imagina. Deu como exemplo as últimas demissões do Infoglobo, o grupo que reúne todas as empresas dos irmãos Marinho. Em um ano, disse Oliveira, mais de 400 empregados foram demitidos; destes, mais de cem eram jornalistas. Citou também o fechamento do jornal “O Dia” e o “Brasil Econômico”, no Rio, antes nas mãos de empresários portugueses, que não suportaram a queda nas vendas e a escassez de publicidade.

Jorge Oliveira, que fez uma pesquisa profunda sobre o jornalismo no Rio de Janeiro para lançar o livro “Muito prazer, eu sou a morte”, cuja edição brasileira chega às livrarias no final de outubro, disse também que, até o final da década de 1970, existiam no Rio de Janeiro 38 jornais diários e vespertinos. “Hoje, infelizmente, são apenas três, editados pelo mesmo grupo dos Marinho”.

Com o advento do mundo digital, hoje todo mundo é “repórter e fotógrafo”, disse Oliveira, para uma plateia silenciosa. Os instrumentos ao alcance da população como Iphone,  dotado de poderosas câmeras de foto e vídeo, tablet e  programas virtuais, além do poder das redes sociais, levam as pessoas a se informar com mais rapidez, em tempo real, apertando apenas um botão que as levam ao mundo virtual. Deu como exemplo o atentado ao jornal Charlie Hebdo, de Paris, transmitido ao vivo por alguém que assistia ao episódio na varanda de um prédio. Outras transmissões ao vivo acontecem em guerras, atentados e até nas barbáries do grupo terrorista AI que gravam as maiores atrocidades que cometem contra suas vítimas.

Para reforçar a tese que defendeu, Jorge Oliveira citou o último livro do escritor italiano Humberto Eco “Número Zero”, no qual ele fala da necessidade dos jornais impressos serem mais opinativos e analíticos, escrito por jornalistas especializados que expressem opiniões diferenciadas sobre determinados assuntos. “A notícia diária não precisa mais ser estampada pelos jornais e revistas porque já é velha quando os jornais chegam às bancas no dia seguinte”, disse Oliveira.

Jorge Oliveira falou, também, sobre o trabalho de se fazer um jornal impresso ou uma revista. Pelo seu levantamento, uma notícia até chegar às mãos do leitor envolve uma dezena de profissionais. Desde a sua elaboração até a sua publicação, o custo de uma informação é muito alto. Essa despesa é que está “infelizmente matando os jornais”, quando se sabe que a notícia chega hoje até você, a custo zero, em tempo real, através de um Iphone.

Jorge Oliveira encerrou a palestra falando sobre sua carreira, que começou em Alagoas, seus prêmios, marketing político, livros escritos e os mais de dez documentários já realizados em sua carreira de sucesso lá fora. Comentou sobre seu próximo filme “Dan Mitrione, o Mestre da Agonia”, o agente da CIA que veio ao Brasil em 1962 ensinar tortura, mas que é um herói nos Estados Unidos (morto pelos Tupamaros, no Uruguai).  Segundo ele, o filme é uma produção internacional que será rodado nos Estados Unidos, no Uruguai, no Panamá e no Brasil.  Falou, ainda, do encerramento das suas produções alagoanas com o último filme “Olhar de Nise”. Por fim, comunicou à plateia que no próximo ano estará nas bancas o “Máfia das Caatingas”, o último livro da trilogia que começou com “Curral da Morte”* e o “Muito Prazer, eu sou a Morte”. 

* O livro voltou às livrarias. Em Alagoas, ele é vendido exclusivamente na livraria Viva, na Avenida Dr. Antônio Gomes de Barros (Antiga Amélia Rosa), 625, loja 8, Edifício The Square Park Office, na Jatiúca.

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