Acompanhe nas redes sociais:

14 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 838 / 2015

16/09/2015 - 19:40:00

Quem é pior: eleitor ou candidato?

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

Chegamos a um ponto no processo eleitoral brasileiro em que não se sabe onde está o erro. O candidato precisa de muito dinheiro para se eleger, e o eleitor troca o voto por telha, camisa, cesta básica ou “dindin”. Os cabos eleitorais são pagos, e no dia da eleição é preciso ter notas de cinquenta ou de cem para comprar votos. Fala-se até de um político que dava aos eleitores metade da nota antes e o resto da nota depois do pleito. Deve ser piada! Na década de 90, meu irmão Sabino foi candidato a prefeito de Maceió concorrendo com Djalma Falcão.

A casa onde funcionava o comitê eleitoral dele ficava perto do local da do seu opositor. Ríamos com a posição dos prováveis eleitores: passavam no comitê de Sabino, pediam dinheiro ou outras coisas. Atravessava a rua e entravam no reduto do Djalma, onde deviam repetir os pedidos. Era cômico, se não fosse triste!!! Se fosse um deputado estadual que já tivesse mandato, as mercadorias de troca seriam outras e o processo bem mais fácil.

O parlamentar do Legislativo que tinha direito a 27 assessores e alguns cargos comissionados já possuía cabos eleitorais pagos com dinheiro público, e ainda sobrava um dinheirinho misterioso vindo dos cofres da Assembleia Legislativa. O sistema ajudava, e a eleição ficava facilitada.   

Nesse caso, a briga era outra: o deputado que tivesse mais assessores e mais verba comprava o reduto dos mais fracos. E o eleitor, sabido, respondia: “Sinto muito, doutor, o deputado ‘fulano de tal’ me ‘comprou’ sua parcela de votos na nossa área”.  Não existe idealismo em nenhum dos lados. Funciona, agora, o sistema de venda ou de troca, como queiramos chamar. Quem não entra na dança perde a eleição. Em Alagoas, temos exemplos claríssimos.

Um deles é a vitória de Collor para o Senado e a derrota de Heloísa Helena. Ainda existem algumas exceções. Uma delas é o caso do deputado Rodrigo Cunha, filho da Deputada Ceci Cunha, brutalmente assassinada. O povo de Arapiraca, comovido com fato tão deprimente, elegeu o moço de maneira diferenciada, creio eu. Acompanhamos o trabalho do jovem parlamentar para ver até onde ele resiste ao “sistema eleitoreiro” de nosso estado.

O nepotismo em Alagoas ainda é forte: herdeiros de raposas velhas na política tomaram o lugar dos pais. Mas, os cabos eleitorais eram assessores da ALE, a compra de redutos funcionou e os jovens parlamentares estão mudos e nada fazem. O governador, filho de Renan Calheiros, declarou ao TRE que gastou R$ 45 milhões em sua campanha, segundo notícias de jornais e TV.

Pergunta que incomoda: onde o jovem político conseguiu tanto dinheiro para gastar na campanha?! Será que ele ganhou na Mega Sena ou no grande prêmio dos Estados Unidos?!Estouraram os escândalos dos “Mensaleiros”, da Lava Jato, dos Taturanas. E a “estória” é uma só: empresários e políticos usavam o dinheiro público para financiar campanhas.

Está descoberto o mistério: quem estava no poder era amigo dos intermediários, recebeu milhões e gastou nos pleitos. Poucos ainda não foram indiciados.

E o eleitor que recebeu dinheiro para votar ou comprar votos para seu candidato vai ser punido?! Na minha opinião, todos estamos castigados. O governo do PT perdeu o rumo, os parlamentares indiciados, os que estão sendo investigados estão nervosos, apreensivos e só pensam em se livrar da cadeia. O Brasil, pobre país, está mais perdido do que “cego em tiroteio”.

A inflação subindo, o desemprego crescendo, os juros aumentando e os salários dos sofredores públicos congelados ou pagos em parcelas.  Deus existe! Não duvidem! 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia