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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 838 / 2015

16/09/2015 - 07:56:00

JORGE OLIVEIRA

Boa sorte, doutor Marcelo!

Maceió - Um homem tranquilo, que estudou até os gestos simplórios e simpáticos para se apresentar à nação no depoimento à CPI depois que foi preso na Operação Lava Jato. Marcelo Odebrecht esnobou: “Tive conversas republicanas com a Dilma e o Lula”. Recebeu afeto de alguns deputados da comissão. Os “Leões do Cunha” não rugiram tão forte, como fizeram com outros depoentes. Comportaram-se como “inocentes cordeirinhos” diante do maior financiador de campanha eleitoral. Afinal de contas, 26,9% dos recursos da campanha do presidente da CPI, Hugo Mota (PMDB-PB), saíram dos cofres da Odebrecht. Marcelo mostrou-se um autêntico guerreiro, homem de caráter, ao negar que não entraria no time dos delatores. “Delatar o quê”? – perguntou, para espanto da plateia de deputados submissos.

Marcelo Odebrecht é o homem que sabe tudo, peça-chave da engrenagem que desviou bilhões de reais em obras públicas no governo do PT. É o empresário que abriu as portas da sua empresa para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pudesse ter uma vida financeira tranquila como lobista de luxo depois que deixou o governo. Lula viajou para os países da África, ocupado territorialmente por ditadores sanguinários, e outros da América Latina e do Caribe. Atravessou o Atlântico várias vezes a bordo dos jatinhos da Odebrecht para desbravar o mundo dos negócios, sempre levando dinheiro barato do BNDES para financiar as obras de infraestrutura dos déspotas a juros irrisórios. O que foi pra banda de lá falta hoje na banda de cá. 

Por trás desta aparente tranquilidade na CPI – ele se sentiu em casa olhando nos olhos de alguns deputados com quem tem sido generoso em campanhas – existe uma informação valiosa que permite ao Marcelo aparecer sorridente e sereno diante dos inquisidores: um habeas-corpus seria concedido pelo Superior Tribunal de Justiça para tirá-lo de detrás das grades. Caso isso não ocorra pelo STJ, padrinhos poderosos do empresário também estariam pressionando o STF para livrá-lo da cadeia. 

O presidente da Odebrecht é, ainda, daqueles que pensam que o dinheiro compra tudo. Aliás, até o “mensalão” era a regra do jogo. Ninguém imaginaria que uma quadrilha em pleno exercício do poder pudesse ser desbaratada e presa. Para quem não se corrigiu, a Lava Jato veio depois para mostrar que a coisa mudou. Uma equipe de jovens e competentes procuradores, desvinculados de favores políticos e financeiros, está executando uma das operações mais bem-sucedidas da história do Brasil com a parceria da Polícia Federal, que exerce um papel verdadeiramente republicano nesse e em outros casos. 

O Brasil, acostumado a ver só “puta”, “preto” e “pobre” enjaulados nas piores e mais fétidas prisões, assiste agora, ainda com espanto, a um monte de políticos e empresários endinheirados na cadeia, a elite que se juntou ao Lula e seus comparsas para dilapidar o patrimônio do país. E as condenações, para quem não acreditava, continuam a galope.

Aqueles que querem passar menos tempo na cadeia já saíram na frente e deduraram seus comparsas. Abriram a cartilha da corrupção, até então leitura privilegiada de alguns empresários, diretores de empresas estatais e políticos. Agora, esperam que seus relatos criminosos diminuam suas penas, como já vem ocorrrendo. E com isso, só o Brasil ganha.

Não escapa

Marcelo parece que ainda não entendeu bem que os seus crimes não serão julgados pelo STF, fórum privilegiado para os políticos envolvidos nos escândalos. Ele depende da caneta pesada do juiz Sérgio Moro. Mesmo que o STF ou o STJ conceda um habeas-corpus, dificilmente o dono da Odebrecht escapará da turma do Ministério Público, que apura com precisão cirúrgica os crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro em que ele e a sua empresa estão envolvidos. A Justiça do Brasil está mudando, doutor Marcelo! Boa sorte!


Atrofiados

A atrofia mental dos economistas que dirigem o país, com boa dose de incompetência, impede que eles pensem em alternativas para salvar a economia que está derretendo. Indiferentes ao clamor social, longe das vozes das ruas e mais distante ainda do intricado jogo político desfavorável ao governo, esses acadêmicos dos números frios e das previsões infundadas não pensam em outra coisa que não seja o aumento de impostos. É visível a insensibilidade desses senhores em relação ao que se passa ao seu redor. Fazem cara de paisagem para os problemas sociais que se alastram pelo país, como o desemprego, a inflação alta e a  inadimplência de milhares de brasileiros. Incentivadas por Lula a consumir, milhares de pessoas, endividadas, agora não têm nem dinheiro para botar comida na mesa.  

Incapaz

O Joaquim Levy e o Nelson Barbosa, formuladores da política econômica, inventam fórmulas mágicas todos os dias para tentar tirar o país da agonia. Levam as propostas para a Dilma, que, imediatamente, as divulga como uma espécie de teste. Como o povo esperneia e o Congresso diz que barra qualquer iniciativa do governo que esvazie mais ainda o bolso do trabalhador, a presidente logo recua. Isso mostra a sua incapacidade de governar, a indolência e a falta de articulação política. Em 2013, por exemplo, para silenciar os movimentos de rua, a presidente jogou para plateia.  Anunciou uma série de medidas que dizia ser necessárias para contemplar as reivindicações. Nenhuma delas até hoje saiu do papel. E o caos, como era previsto, só se alastrou pelo país afora.


A corrupção

O crescimento foi para o brejo, todos os índices econômicos são negativos e a corrupção já bate no meio da canela. Como só isso não bastasse, várias categorias anunciam a paralisação da máquina administrativa. Os servidores do INSS, por exemplo, estão em greve há meses. Os mais pobres, que dependem do órgão, não têm para quem apelar. O noticiário mostra diariamente o sofrimento desses segurados que não são atendidos nos postos. E não adianta ninguém apelar. O aviso desrespeitoso é sempre o mesmo: estamos em greve, agende seu compromisso por telefone – que também não funciona.


Luxo

Com a absoluta falta de comando do país, a Dilma anuncia todos os dias a redução dos 39 ministérios e o enxugamento da máquina pública. Dos 22 mil cargos comissionados, ela pretende cortar mil. Isso mesmo, apenas mil! Em relação aos ministérios, não tem coragem de enfrentar os movimentos sociais e, por isso, prefere manter alguns deles como puro marketing de um governo que se diz avançado. Sindicalistas pelegos mantêm-se dentro desses ministérios, muitos ganhando sem trabalhar. São milhares de comissionados espalhados pelo país. O contingente em Brasília é tão grande que o governo se viu obrigado a alugar prédios luxuosos e caríssimos e equipá-los com centenas de salas com móveis modernos para alojar esse bando de ociosos, que só fazem aumentar despesas e, como sanguessugas, sugar o dinheiro dos cofres públicos.


Impeachment

Mas o cerco começa a se fechar. Pelo menos cinco partidos (PSDB, PPS, Solidariedade, PSC e DEM) anunciaram, esta semana, que vão começar um movimento em defesa da abertura do processo de impeachment da presidente. Como são aliados do Eduardo Cunha, é provável que o presidente da Câmara seja um dos incentivadores da iniciativa que pode se ampliar na Casa. Cunha já arquivou até agora quatro pedidos de impeachment contra Dilma, mais dezenas de outros foram protocolados na Câmara. Espera-se que o último, do jurista Hélio Bicudo, fundador do PT, não tenha o mesmo destino dos demais: a gaveta. 

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