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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 837 / 2015

09/09/2015 - 17:19:00

Polícia Federal indicia deputado Arthur Lira por corrupção

Parlamentar já teve o nome envolvido em outro esquema milionário de desvio de dinheiro público

João Mousinho [email protected]

Odeputado federal alagoano e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal, Arthur Lira (PP), teve essa semana seu nome envolvido no esquema milionário de desvio de dinheiro público da investigação da Operação Lava Jato. A Polícia Federal apontou indícios de corrupção passiva  do parlamentar. Segundo a PF, Lira recebeu propina no esquema que lesou os cofres públicos da Petrobras. 

O doleiro Alberto Youssef, um dos mentores do esquema criminoso, garantiu, durante depoimento, que pagou despesas da primeira campanha de Arthur Lira para deputado federal. Youssef ainda revelou que o deputado recebia repasses mensais entre R$ 30 mil e R$ 150 mil da “cota” do PP no esquema de corrupção. 

O relatório da PF ainda coloca: “Mostra-se inegável que Arthur Lira tinha pleno conhecimento e se beneficiava do esquema criminoso [...] quantias periódicas indevidas, oriundas do pagamento de propinas por empresas que tinham contratos com a Petrobras, em razão do controle pelo Partido Progressista (PP) da Diretoria de Abastecimento, ocupada por Paulo Roberto Costa, tudo em troca de votar a favor de projetos de interesse do governo federal”.

A PF tem como uma das principais provas contra Arthur Lira a transferência de valores de uma empresa de fachada de Alberto Youssef para a conta de um dos credores de dívida de campanha do deputado federal por Alagoas. O caso será encaminhado do Supremo Tribunal Federal – por se tratar de um deputado federal – para o Ministério Público Federal, que irá ofertar ou arquivar as denúncias. 

Tal pai, tal filho! 

Assim como Arthur, seu pai, o senador Benedito de Lira (PP), também foi denunciado pela Polícia Federal. A participação de Benedito na Operação Lava Jato é similar ao do filho, só que, segundo a própria PF, os recursos disponibilizados eram maiores para o senador. Durante as investigações, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, em delação premiada, que repassou R$ 1 milhão, por intermédio do doleiro Alberto Youssef, para a campanha de 2010 ao Senado de Benedito de Lira.

O relatório da PF apontou: “Solicitado e recebido vantagem indevida, consistente em doações oficiais destinadas a sua campanha eleitoral em 2010, no valor de R$ 400 mil”. As doações oficiais para campanha, na qual Benedito de Lira foi eleito, “tiveram como origem recursos do Grupo UTC em contabilidade paralela, com a intenção de obter indevida manutenção dos contratos superfaturados junto à Petrobras”. 

Mais corrupção e enriquecimento ilícito  

Arthur Lira já foi condenado pela 17ª Vara Cível da Capital em uma ação civil de improbidade administrativa resultante da Operação Taturana, na qual é acusado, junto com mais dez deputados estaduais, de desviar mais de R$ 300 milhões da Assembleia Legislativa de Alagoas em 2007. 

O jornalista do O Globo, Chico de Góis, em seu livro “Os Ben$ que os políticos fazem”, afirma que o deputado Arthur Lira tinha um patrimônio de R$ 79 mil, de acordo com sua declaração de Imposto de Renda de 1996, e, após dez anos, esse valor havia pulado para R$ 695,9 mil. Em 2010, a fortuna ultrapassou os R$ 2 milhões. 

Em seu currículo, ainda pesa o enquadramento na Lei Maria da Penha e denunciado pela Procuradoria da República, tornando-se réu no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado de agredir, com “tapas, chutes e pancadas”, a ex-esposa, Jullyene Cristine Santos Lins. Os defensores do deputado alegaram no Supremo que a acusação feita contra ele é “inverossímil”.

O deputado federal Artur Lira foi, ainda, acusado pela jornalista Myla Fernandes de lhe dar calote em prestação de serviços profissionais. O parlamentar contratou os trabalhos de assessoria de comunicação da jornalista em abril de 2014 e não honrou os compromissos financeiros acordados.  Myla destacou, na época, que o trabalho era exercido de forma normativa, com dedicação exclusiva, devido às demandas políticas do parlamentar. O caso segue na Justiça do Trabalho. 

 

 

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