Acompanhe nas redes sociais:

26 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 837 / 2015

09/09/2015 - 16:48:00

A lição de um marechal

Cláudio Vieira Advogado, escritor e membro da Academia Maceioense de Letras

As novas gerações não sabem, mas a mais alta patente do Exército brasileiro era, até meados do século XX, a de Marechal. Um dos últimos a ostentar as cinco estrelas gemadas do posto foi o presidente Castelo Branco, durante o período militar, considerando-se que, a partir de 1967, só em caso de guerra o título dignificante poderá ser usado pelas nossas Forças Armadas. 

A sucinta abertura explica o uso do título entre nós, mas a crônica presta-se não ao debate sobre os governos militares, mas à constatação do comportamento honesto de nossos governantes do passado, pouquíssimos, para nossa tristeza, apesar da jactância dos nossos políticos a respeito de sua autodeclarada inocência de propósitos, antes, durante e após o exercício dos cargos para os quais foram eleitos.

O querido amigo Lacerda, oficial engenheiro da Aeronáutica, brindou-me com o exemplo dado pelo Marechal Castelo Branco quando presidente da República. A história fora originalmente divulgada pelo conhecido jornalista Élio Gaspari. Segundo consta, em 1965, o marechal-presidente lera nos jornais que um seu irmão, funcionário da Receita Federal, fora presenteado, por seus colegas do Fisco com um carro Aero-Willys, em agradecimento aos seus esforços, junto ao governo, pela ajuda que dera à aprovação da lei que organizava a carreira.

O marechal telefonara ao irmão, determinando que o mesmo devolvesse o brinde. O argumento do agraciado fora de que, se cada fiscal o presenteasse com uma simples gravata, o valor seria muito maior que o do carro, e, nessas circunstâncias, se devolvesse o mimo estaria ele desmoralizado perante os colegas. Ante a recalcitrância do irmão, o presidente Castelo Brando interrompera-o: “Meu irmão, você não entendeu! Afastado do cargo você já está! Estamos decidindo agora é se você será preso ou não”.

O jornalista relembrava essa história, que lhe fora repassada pelo filho do marechal-presidente, a propósito da defesa que fizera o ex-presidente Lula do seu filho, o notório Lulinha, quando fora divulgado que o seu genial rebento recebera R$ 15 milhões da Telemar para tocar sua empresa, que, nos governos petistas, ascendera à posição privilegiada no cenário empresarial brasileiro.Em tempos de Lava Jato, a história do marechal-presidente e seu irmão vem bem a calhar, demonstrando que, para o homem honesto, seja governante ou não, pau que bate em Chico também bate em Francisco.  

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia