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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 837 / 2015

09/09/2015 - 16:46:00

O feitiço vira contra o feiticeiro

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

O Brasil é um país interessante: os políticos estão sendo alvos de denúncias de corrupção e, de repente, se viram contra pessoas sérias, responsáveis por uma limpeza na nação e começam a atirar pedras.     

O primeiro exemplo é o senador Fernando Collor de Mello: ex-presidente, foi afastado por graves acusações, envolveu-se em muitos escândalos, foi absolvido em vários processos. Voltou à política e hoje é senador por Alagoas.     

Mais uma vez está envolvido em casos de corrupção, na Lava Jato. Como vingança, procura condenar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Xingou publicamente a autoridade. Investigou a vida de sua vítima e expôs até o irmão morto. Não surtiu efeito: Janot foi reconduzido ao cargo.     

A luta, agora, é com o juiz Sérgio Moro. Corajoso, tem denunciado empresários e políticos que usavam o dinheiro público para se locupletarem em célebres casos de corrupção.     

Estão revolvendo a vida do magistrado, procurando saber até do seu salário. Querem fazer o Juiz desistir da Lava Jato. Espero que ele tenha coragem suficiente para persistir. Não desista, por favor, dr. Moro.   

 Em Alagoas acontecem fatos semelhantes: os políticos gastam fortunas nas eleições, nomeiam 600 comissionados com salários dobrados, usam o dinheiro público em mecanismos complicados e, de repente, viram vítimas.     

No Legislativo foi instalada uma auditoria para fiscalizar a folha de pagamento dos servidores, mexida e remexida pelos próprios componentes das diversas Mesas Diretoras. Não foi instalado nenhum tipo de fiscalização para esclarecer o desvio de milhões de reais praticado pelos dirigentes anteriores.     

Aí querem os parlamentares descobrir o que está errado com os servidores ativos e inativos, quando na mesma folha pagam salários dobrados aos comissionados. Não dizem à sociedade para onde foram os milhões que Fernandinho e sua turma desviaram.     

No Senado Federal já existem 13 senadores indiciados, inclusive os três de Alagoas. O presidente já virou amigo da Dilma, o Benedito de Lira votou  a favor do Janot e o Collor, pobre coitado, atira pedras no procurador,  devendo pagar por todos eles, os investigados. Já li entrevistas do dono das Organizações Arnon de Mello afirmando que não vai sozinho. Preparem as celas...      

Na Câmara de Deputados, o escândalo não é menor. Começou pelo presidente da Casa. Procedeu igual ao Collor: saiu atirando para todos os lados. Acalmou-se um pouco. Mas está enroladíssimo.     

E os corajosos que denunciam a corrupção preparem o juízo. O poder protege, de certa forma, os desmandos. Juntamente com o dinheiro, são capazes de darem força aos indiciados para revirarem os processos contra seus possíveis inimigos.     

Tive na minha família um caso grave: três políticos famosos mandaram surrar meu irmão Sabino pelas denúncias que fazia. Nada foi provado, mas, como Deus é poderoso, todos os três respondem processos na Justiça. Um foi preso e saiu de tornozeleira na perna.      

Quem não se lembra do deputado JHC? Foi valente o suficiente para denunciar os desmandos da mesa do Fernandinho. Foi perseguido. Mexeram com os pais dele, que eram funcionários da Assembleia Legislativa. Pois bem, o povo deu a resposta e o elegeu deputado federal com milhares de votos. De nada adiantou a perseguição dos corruptos. Deus tomou conta do jovem que se arriscou tremendamente ao denunciar velhas raposas da política alagoana.     

Então o que eles querem: que o povo sofra calado, ninguém denuncie nada e eles continuem sendo eleitos e usando o dinheiro público.       

Mas ainda existe gente corajosa! Parabéns para Janot e Moro!

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