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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 837 / 2015

09/09/2015 - 16:04:00

JORGE OLIVEIRA

A escória ainda resiste

Brasília – Nunca antes na história desse país um governo foi tão recalcitrante, aético e amoral como este da Dilma. A imoralidade bateu às portas do Palácio do Planalto e ali fez sua moradia permanente. É, na verdade, uma casa de esquizofrênicos. É também uma casa onde a corrupção fez o seu ninho mais fértil desde que o Lula botou os pés lá dentro e o seu principal ministro, José Dirceu, saiu algemado para o presídio da Papuda.

O sindicalismo, que deu origem ao PT, apodreceu, esfacelou-se nos sucessivos escândalos do mensalão e da Lava Jato. Não à toa, dois dos seus principais homens de finanças foram flagrados roubando os cofres públicos. Delúbio Soares, o primeiro tesoureiro, vive com uma tornozeleira eletrônica, vigiado dia e noite como um bandido comum. O segundo, João Vaccari Neto, está recolhido à penitenciária. Pesam contra ele acusações seriíssimas: a de roubar a Petrobras e acharcar empresários para manter o PT do Lula no poder. 

A orgia financeira, porém, não acaba aí. Ao lado do gabinete da Dilma, numa sala decorada de estrelas vermelhas, um senhor de barba rala, com cara de assustado, como se estivesse a qualquer momento esperando para ser algemado, é o terceiro tesoureiro da quadrilha. Trata-se de Edinho da Silva, um ex-deputado estadual por São Paulo, inexpressivo na política e na vida social, já denunciado na Lava Jato. De comum entre os três, apenas o fato de não serem expoentes do partido, razão pela qual foram escolhidos a dedo por Lula como boi de piranha para intermediar o assalto às empresas públicas.

Os brasileiros vivem hoje uma situação vergonhosa, calamitosa, desastrosa. Os ministros e os ex-ministros do PT são vaiados e até ameaçados. Não podem sair às ruas sem escoltas com medo de serem agredidos ou insultados pela população. A Dilma, empoleirada dentro de um gabinete, só sai de lá para entregar as casas inacabadas do “Minha Casa, Minha vida”, um programa assistencialista adotado por políticos fisiológicos em troca de voto. 

O Brasil parou. E a presidente, sem iniciativa, entrega ao Congresso Nacional um orçamento que já prevê um déficit de mais de R$ 30 bilhões. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi jogada no lixo pelo Joaquim Levy, da Fazenda, e Nelson Barbosa, do Planejamento, com o argumento cínico de que ela é omissa quando se refere a um orçamento aleijado como o que eles apresentaram ao Senado Federal. O que se pode entender desse descalabro econômico? Que a Dilma deixou de governar, que não tem paciência para administrar o país, que a lama despejada dentro do Palácio do Planalto já chegou à sua sala. E o pior: vive cercada de ministros corruptos envolvidos na Lava Jato.  A Dilma, com a sua incompetência, desmante-lou uma geração de brasileiros que até há pouco tempo vivia gritando em manifestações

Descaminho

No início dessa semana, três fatos marcaram a política brasileira e refletem bem a dimensão do descaminho político do Brasil: Zé Dirceu sendo inquirido pelos próprios petistas na CPI da Lava Jato, silencioso, com cara de presidiário; o pedido de impeachment da Dilma feito pelo jurista Hélio Bicudo, 93 anos, um dos fundadores do PT; e a denúncia feita pelo Ministério Público ao primeiro bando da Operação Lava Jato, que inclui, entre outros personagens, o próprio Dirceu e João Vacari Neto, ex-tesoureiro do PT, que sempre viveu à sombra do Lula. E, a julgar pelas palavras do juiz Sergio Moro, a Operação Lava Jato ainda vai chegar ao chefão.

Boia?!

Já disse e repito aqui: o governo administra o país como a Casa da Mãe Joana. Ninguém sabe quem manda. E, quando alguém manda, ninguém obedece. Eis que de repente, no meio do nada, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, aparece com a ideia estapafúrdia da volta da CPMF. A Dilma, que não sabe nada do que se passa no seu governo, logo encampou a sugestão do seu ministro sem consultar ninguém. Conseguiu a proeza de ver todo o Brasil contra e a reação do PMDB de rejeitar a proposta no nascedouro. Renan, Cunha e Temer, os principais caciques do partido, já disseram não para a nova aventura do governo, uma aventura, diga-se de passagem, esquizofrênica, quando se sabe que os brasileiros dedicam cinco meses do seu trabalho anual para pagar impostos. 

Jogo duro

Michel Temer não só se posicionou contra como deixou claro que não aceita mais ser marionete do Palácio do Planalto. Enquanto estava na Fiesp pedindo apoio dos empresários  à governabilidade, foi surpreendido com a informação de que o grupo econômico da presidente se movimentava para esboçar a proposta da CPMF  e enviá-la para o Congresso Nacional. O vice não gostou. Jogou duro com a Dilma e devolveu todos os desaforos que ouviu dela quando disse que o país estava sem comando. Este é, sem dúvida, o primeiro arranhão sério entre a presidente e o seu vice, que agora procura se posicionar com mais desenvoltura em relação aos trapalhões do Planalto. 

Credibilidade

A crise brasileira não é só política e ética. É também econômica e de credibilidade. Falta alguém ou um grupo que lidere o país porque o governo está no fundo do poço e dificilmente sairá dele para tirar os pés da lama nesse caos em que se encontra o país. A Dilma, infelizmente, com sintomas de distúrbios mentais (parece que sofre de senilidade precoce), já não consegue raciocinar com lógica, não junta mais coisa com coisa. É por isso que um grupo de peemedebista decidiu abrir um canal de discussão que vai convocar representantes da sociedade brasileira agrupados em entidades como OAB, CNI, CNBB; empresários, políticos, líderes comunitários, sindicatos e centrais de trabalhadores.


Lideranças

A ideia de juntar todo mundo partiu de Paulo Hartung, governador do Espírito Santo, e logo prosperou. Ele propôs reunir nesta quarta-feira os sete governadores do PMDB e expressões políticas do partido como Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha para discutir os rumos do Brasil em reuniões no Rio e em Brasília. A sugestão do governador capixaba se espalhou como um rastilho de pólvora e motivou as lideranças para uma discussão ampla em torno de algum projeto exequível  visando à retomada do crescimento econômico e à geração de emprego e renda.

  
Crise econômica

Na visão desse grupo peemedebista existem soluções para a crise política. Depende de uma conversa ampla e de um diálogo franco e aberto entre os líderes políticos e o governo.  Mas, quanto à crise econômica, o buraco é mais embaixo. O país entrou em recessão econômica depois do PIB negativo em dois trimestres seguidos. Além disso, o governo continua gastando mais do que arrecada; dos 22 mil cargos comissionados, quer cortar apenas 2 mil; anuncia, mas não reduz os ministérios; gasta milhões de reais com os cartões corporativos e outros milhões em viagens e diárias com servidores; promove ajuste fiscal que sacrifica o trabalhador; e, ainda, quer penalizar os aposentados atrasando o 13o salário. Isso sem falar, claro, nos sucessivos escândalos da Lava Jato que derreteram a Petrobras e outras empresas do setor elétrico saqueadas pela quadrilha montada pelo PT e empresários amigos do partido que embolsaram bilhões de reais.


Uma luz

A proposta de Hartung  de juntar o PMDB para discutir uma saída para a crise pode ser vista como mais uma tentativa de encontrar uma luz no final do túnel. Mas isso só vai avançar se o governo fizer o seu dever de casa. Se isso não ocorrer, não é difícil afirmar aqui que a vaca vai para o brejo antes de tossir.

 

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