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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 836 / 2015

02/09/2015 - 07:34:00

Alagoas pede socorro

Reinaldo Cabral jornalista e escritor

Alagoas perdeu, do ano passado para cá, a quarta e, talvez, última chance de tornar-se o Estado que nunca foi: desenvolvido, altaneiro, cidadão.Com  o marechal Deodoro da Fonseca (1827-92), na direção política do país como criador da República, acendeu-se a primeira luz no túnel da vida política brasileira.As amarras de Alagoas como capitania hereditária de Pernambuco já produziram as necessidades reducionistas dos interesses de um futuro Estado frente às crescentes e urgentes necessidades políticas de outras unidades da federação.

E o Estado Alagoas ficou esquecido, embora historiadores esperassem que Deodoro viria viver seus últimos dias no pequenino Estado.

Com o marechal Floriano Peixoto (1839-1895 ), então vice-presidente de Deodoro - o proclamador da República -, as esperanças dos alagoanos de então se revitalizaram: Floriano, com uma visão macro do Brasil, visão essa nascida da extraordinária experiência política herdada de Deodoro, abarca a administração da República com uma visão política mais civil que militar. Porém ainda não é dessa vez que circunscreve seu olhar político republicano sobre Alagoas. E as chances do segundo menor estado brasileiro se esvaem.

Com Fernando Collor da presidência (1990 –1992), um pouco mais de um século depois, as esperanças se renovam. Modernização industrial, atualização tecnológica, salto educacional, saúde para todos, melhoria total na renda, moralização – são algumas das bandeiras empunhadas por Collor, mas sustentadas pelas esperanças de milhões de brasileiros.

Consequência: todos os brasileiros, fustigados, frustrados, decepcionados pelas ações do ilusionista.Com sua velocidade inexorável, o tempo não é apenas o senhor da razão: é o cronômetro da história. E a história brasileira deu a Alagoas outra chance, seguramente a última.

Com Renan Calheiros na presidência do Senado, o alagoano votou em Renan Filho para o governo de Alagoas como se escolhesse um número na loteria para ficar milionário.Eis que isso, ao invés de solução definitiva para os males do Estado, se converteu em frustração: quando se esperava que a experiência política causada por dores de algumas derrotas tivesse transformado Renan num vencedor e estadista, capaz de fazer Alagoas dar a volta por cima, ele devolve o Estado estatura física à semelhança dos seus empresários.

Essa condição política é, sem dúvida, semelhante à que a classe empresarial devolveu à economia do Estado nos últimos 40 anos: de pujante na produção de açúcar nos anos 70-80-90,com sua mentalidade de capitães hereditários, Alagoas deu origem a uma elite econômica, que extraiu tudo das riquezas do Estado para gozar hoje, em Paris, as delícias do primeiro mundo.Alagoas pede socorro. A quem? Aos próprios alagoanos.Aprendam a votar, pelo amor de Deus!

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