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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 836 / 2015

02/09/2015 - 07:32:00

A hora e a vez dos “interesses”

Cláudio Vieira Advogado e escritor, membro da Academia Maceioense de Letras

Políticos costumam dizer que em política não se tem amigos, mas interesses. A despeito de tão singular conclusão, entronizam-se considerando-se receptáculos da amizade e lealdade das pessoas, todavia não retribuem o que recebem, e até rechaçam ou nada consideram qualquer vínculo desses sentimentos tão nobres e necessários ao ser humano.

O noticiário político-policial – atualmente as duas coisas parecem indissociáveis – vem demonstrando que, de fato, na política as amizades inexistem, ou cada vez menos existem. Esse fato deve estar atordoando aqueles que professaram a cartilha, agora que veem os seus “interesses” firmarem acordos de delação premiada, narrando de forma minudente as peripécias nada republicanas da vida política nacional.

Os exemplos estão aí, bem vivos, e a cada dia fatos novos vão surgindo, como resultado do aprofundamento das investigações na maior lavagem da sujeira nacional jamais vista neste país. Ao que parece, pela primeira vez a nação acordou para as mazelas dos nossos representantes no governo e no Congresso Nacional, com reflexos nos estados e municípios.

Embora seja naturalmente triste ver desvelado o que sucede no mundo político, a catarse é absolutamente necessária. Não mais vassourar a sujeira para “debaixo do tapete”; ao contrário, é salutar depuração que se aplaude a atitude da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e, naturalmente, da Justiça brasileira, representada pelo Juiz Sérgio Moro.

Espera-se que os Tribunais Superiores, notadamente o Supremo Tribunal Federal, cumpram os seus deveres constitucionais, doa em quem doer, sem descurar o devido processo legal, nele destacando-se o contraditório tão caro à cidadania. Importante assinalar, antes de encerrarmos, que o instituto da cooperação espontânea, ou delação premiada, bem ou mal vem tornando possível a depuração da política nacional.

Ademais, como norma positivada, irrelevante a valoração que dele fizermos, sendo real a sua existência no sistema jurídico brasileiro, outrora até louvado por políticos, a presidente Dilma à frente. Por sua vez, utilizando à larga desse recurso ora criticado, a Operação Lava Jato, para desespero dos políticos nela envolvidos, vem demonstrando que os “interesses”, por não terem compromissos de lealdade, têm vozes absolutamente autônomas.

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