Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 836 / 2015

02/09/2015 - 07:14:00

JORGE OLIVEIRA

Temer caiu na armadilha do PT

Vitoria - Michel Temer, político experiente, deixa a articulação do governo tarde. Esperou que os petistas desgastassem a sua imagem e, agora, sai arranhado com o seu PMDB em ebulição. Veja: Eduardo Cunha virou adversário ferrenho do Planalto, Renan apresentou uma Agenda Brasil para juntar os cacos da economia e parte do PMDB na Câmara está na dissidência. E, agora, o vice tem a missão de juntar os pedaços do partido para encontrar uma saída que não lhe dificulte, daqui para frente, comandar o PMDB, sem rumo, que atira em várias direções.

 

 

 

Michel descobriu que foi manipulado pela cúpula petista que cerca a Dilma. Aloizio Mercadante, o pequeno príncipe da presidente, mostrou-se uma fortaleza dentro do Planalto. Resiste até hoje a todas as pressões políticas para deixar o cargo. O Lula já tentou e não conseguiu apeá-lo do poder. Juntou-se aos peemedebistas, insuflou os partidos de base contra o ministro e até hoje ainda fala do Mercadante pelas costas. Nada disso até o momento adiantou. A Dilma não dispensa os  sábios conselhos do seu principal ministro, pelo menos por enquanto.

 

 

 

Como faltam pessoas qualificadas dentro do Palácio do Planalto, Dilma prefere ainda o colo de Aloizio Mercadante pela experiência parlamentar. Sabe, por exemplo, que o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, é homem do Lula lá dentro; portanto, não é confiável.  Deu-lhe imunidade para não vê-lo preso na Operação Lava Jato. Ele é acusado de usar R$ 8 milhões roubados da Petrobras na campanha dela. Mesmo com toda essa fragilidade, ela fortalece o ex-tesoureiro com dissimulação. Optou por ele para falar sobre as manifestações que levaram milhões de brasileiros às ruas contra o seu governo, mesmo sabendo que Edinho é alvo do juiz Sérgio Moro. Um acinte ao povo brasileiro.

 

 

 

Diante de tanta denúncia de corrupção, desarranjos políticos e falta de credibilidade dessa administração, Michel Temer não se negou a ajudar.  Entregou-se de corpo e alma na articulação para tentar salvar o governo. Não resistiu aos apelos do Lula, que, na verdade, pretendia mais desarticular o Mercadante, de quem tem ódio por ocupar a principal pasta do governo. Jogou dentro do Congresso toda sua esperteza de ex-presidente da Câmara, de vice-presidente e de presidente do PMDB, mas se frustrou e decepcionou os peemedebistas. Não tinha, do Planalto, nenhum respaldo político nem autorização para mexer nas nomeações do primeiro e segundo escalões. Juntou-se, na verdade, ao time de assessores medíocres do Planalto, que o chamavam jocosamente de chefe de departamento de pessoal.

 

 

 

Para Dilma, o desgaste do vice chega no momento certo. Afinal de contas, dividir o desgoverno com Michel minimiza seus males. Mostra para a população que o vice não teria também condições políticas de administrar o país na vacância do cargo, já que não soube exercer com competência nem o cargo de chefe de departamento pessoal. Não à toa, a mídia chapa-branca, por orientação do Planalto, tratou de espalhar a notícia de que Dilma não teria substituto à altura caso fosse impedida de exercer o mandato.

 

 

 

Sucesso
Veja que coisa notável: a estratégia petista funcionou tão  bem que tirou Michel Temer do sério, um político acostumado a adversidades.  E o desfecho ocorreu quando ele veio a público dizer que o país estava sem comando. As palavras do vice foram interpretadas por Dilma como conspiração. E, pela primeira vez, um vice-presidente se submete ao vexame de levar um pito de um presidente, igualando-se aos auxiliares submissos da “chefe”, submetidos diariamente a vergonhosos esporros em público.

 

 

 

E agora?!
Agora, praticamente fora da articulação, Michel vai tentar juntar os pedaços do PMDB. Com habilidade, certamente isso ele vai conseguir. Difícil, mesmo, será catar os cacos da reputação que ficaram espalhados por esse Brasil afora.

 

 

 

    
Enterro
Daqui a três anos, o Brasil poderá estar livre do PT, mas, por certo, por mais 20 ainda sofrerá as consequências nefastas dessa administração delinquente, um pesadelo que vai acompanhar o povo brasileiro por muito tempo. Aliás, as agruras já são sentidas agora, quando o país registra o maior nível de desemprego da última década, enquanto assiste a uma presidente trocando palavras e versões desordenadas sobre a economia, como vivesse em outra galáxia. O legado que o Partido dos Trabalhadores vai deixar para a futura geração é triste, vergonhoso e obscuro. Mas, mesmo diante de tanto descalabro, de tanta corrupção e bandalheira generalizada, ainda existem os defensores e as principais empresas públicas do país roubando até o último vintém dos seus cofres. 

 

 

 


O rombo
Por mais que as investigações se aprofundem, jamais saberemos o tamanho do assalto à Petrobras, praticado por esses grupos de sindicalistas, militantes petistas e empresários inescrupulosos que se organizaram numa quadrilha para saquear os cofres públicos como aves de rapina. Uma parte desse dinheiro ilegal, como informam os delatores da Petrobras e o doleiro Youssef, irrigou as campanhas do Lula e da Dilma. Não adianta a presidente fazer pose de honesta, porque ela se locupletou em benefício próprio da propina dos contratos superfaturados da Petrobras. 

 

 

 

Geração
Diante de tanta tramoia, o que espera o Brasil da geração pós-PT?! É uma pergunta sem resposta pelo menos por enquanto. Mas uma coisa podemos arriscar: certamente será uma geração menos alienada do que esta que vive dentro da UNE defendendo a quadrilha que continua depenando o patrimônio do país. É triste quando se constata que a UNE, aparelhada pelo PCdB, sai às ruas em defesa dos mensaleiros e dos bandidos que saqueiam o país. A diretoria da entidade, liderada por Carina Vitral, de 26 anos, estudante de Economia, levanta a bandeira da UNE nas ruas de São Paulo para defender a quadrilha que administra o país. O que o Brasil pode esperar dessa geração que esqueceu a ética e a honestidade em troca das benesses do governo? Nada! Apenas que devolva os milhões de reais que recebeu para o projeto de uma nova uma sede nova da entidade que não saiu do papel.

 

 

 


Célula
Essa geração, coitada!, não luta por princípios políticos ou por uma causa nobre. Ela virou uma célula contaminada pelo fisiologismo de um governo que compra suas ideias para alienar suas posições políticas e conter a rebeldia própria da juventude. Os jovens que foram às ruas apoiar esse governo estão, na verdade, compactuando com todo esse lamaçal da corrupção. É lamentável! É uma cumplicidade imoral com quem, comprovadamente, está roubando o dinheiro público, deixando o país mais pobre e a sua população desempregada. 

 

 

 


Desorientação
A desorientação política de alguns desses jovens chegou a tal ponto que Zé Dirceu sentiu o gostinho da solidariedade de alguns deles quando descia do camburão que o conduzia à prisão da Polícia Federal em Curitiba para responder por crimes de corrupção.

 

 

 


Renovação
Nas últimas décadas, o Brasil não formou lideranças novas. As que surgiram foram forjadas na cartilha do PT sob a orientação de Luiz Inácio Lula da Silva, que, à frente da presidência, vangloriava-se de ser analfabeto. Alguns jovens até se destacaram na luta estudantil, como Lindberg Farias, o líder dos “caras-pintadas” da era Collor, logo cooptado pelo PT. Não demorou muito para sair das páginas de política dos jornais para as de polícia quando administrou a Prefeitura de Nova Iguaçu. E, como os líderes políticos, aqueles que deram as cartas até agora, já estão na contagem regressiva diante do tempo, é difícil imaginar o que será do Brasil nos próximos dez anos depois da política de terra arrasada do Partido dos Trabalhadores.  

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia