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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 835 / 2015

26/08/2015 - 11:04:00

O jeitinho brasileiro

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

Vivemos num país onde as leis nem sempre são respeitadas e os sabidos, o tempo todo, levam a melhor.


     Marcar consultas ou exames pelo SUS é uma verdadeira novela. Faz-se necessária a ajuda de um padrinho político. Se um parente adoecer e for preciso ser internado num hospital público, é quase obrigatório ter um amigo na área de saúde ou um político para conseguir a internação.


Nas lojas, por lei, deve haver caixas prioritários, mas nem sempre os donos seguem as determinações. Quando vou ao Comércio, cobro a existência de caixas especiais e escuto a resposta: a próxima será a senhora!
Passar pelas ruas de Maceió e cidades vizinhas dá pena: o lixo se acumula pelas calçadas, os cachorros rasgam os sacos plásticos e os caminhões não recolhem os detritos. Na cidade onde moro, foi preciso muita luta para conseguirmos regularidade nas coletas dentro do nosso condomínio.


Vagas de estacionamento de automóveis para idosos e deficientes não são respeitadas. Onde chegamos, no aeroporto, em shoppings e nas ruas, há sempre sabidinhos tomando o lugar das prioridades.
No trânsito é horrível: motos nos cortam pela direita, motoristas estacionam carros na entrada de garagens, faixas duplas nas estradas são desobedecidas, ônibus escolares param na frente dos prédios e os de turismo param diante dos hotéis, de vez em quando em fila dupla. Não adianta reclamar, pois os motoristas não obedecem.


Um fato grave: pessoas licenciadas pelo INSS por doença perigosa trabalham em outros lugares e ainda reclamam do valor do benefício. O seguro-desemprego é usado aleatoriamente. A lei já foi mudada por causa do abuso dos empregados.


     Se você entra com um processo administrativo em sua empresa ou em outra qualquer, precisa ter um amigo lá dentro ou o documento não andará. No Legislativo alagoano, os processos descansam eternamente em berço esplêndido. Os direitos não são respeitados pelos dirigentes que perseguem servidores e apadrinham os amigos.


     Os planos de saúde caminham para vertentes perigosas: nem todos aprovam determinados procedimentos e são campeões de queixas no Procon e na Justiça. Também, de vez em quando, amigos precisam ajudar.
Existem pessoas encarregadas de resolver problemas para políticos em vários setores, ou seja, um eleitor precisa fazer determinado exame e o intermediário vai à secretaria procurar os amigos e achar a solução. O normal seria o médico solicitar o exame e o próprio paciente resolver o problema. Mas no Brasil o caminho é outro.


Se você trabalhar em casas políticas vai ficar assombrado com tanto jeito, porque cada secretaria tem um “dono” indicado pelo prefeito, governador ou presidente da República. Até transferências de um município ou Estado para outro só são realizadas se o dono da secretaria ou do ministério permitir.


     Requerer aposentadoria é outro drama. Pela lei, se você solicita ir para a inatividade, deve ter a resposta em 30 dias, mas, por vezes, não é bem assim. Há processos que duram meses e meses.
E o país trilha por caminhos errados onde coisas simples, como uma fila de atendimento, que nem sempre é respeitada. Os transplantes ocorridos nos hospitais deveriam obedecer a determinada ordem, mas, de vez em quando, os “amigos do rei” são atendidos na frente.


Irritante é a fila de banco. Aparecem os pagadores profissionais, cheios de carnês, que ou passam na sua frente em conluio com o caixa ou pedem a alguém para pagar por ele. É preciso reclamar ou chamar um policial!
Resolver qualquer problema numa repartição pública sem conhecer ninguém é quase impossível. Torna-se necessário ter muita sorte para ser atendido por pessoas responsáveis.  

    
A solução está no aprendizado, principalmente, de nossas crianças, para que cresçam respeitando as leis e não virem sabidos demais. De pequenos, em casa, entendam que o jeitinho brasileiro é ilegal.

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