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Edição nº 835 / 2015

26/08/2015 - 11:02:00

O que importa é o povo nas ruas

JORGE MORAIS Jornalista

Com surpresa, assisti no Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, e na grande mídia nacional também, à grande notícia de que a manifestação popular do dia 16 de agosto tinha sido menor do que nas outras já realizadas, em quantidade de gente e de cidades. Pergunto: o que interessa se a de agora foi menor ou maior do que as anteriores? O que modifica a situação do país se 10 mil pessoas, ou mais, deixaram de ir às ruas?
Acho, sinceramente, tudo isso uma grande bobagem da nossa mídia, que vai à procura de pequenos detalhes, quando a questão é outra bem diferente. Aqueles manifestantes de agora estão fazendo a sua parte no combate ao roubo escancarado e a essa “zorra” política e administrativa em que está atravessando o país, onde todos precisam de tudo, que promessas foram feitas nas campanhas eleitorais, e, hoje, eles não podem cumprir e mentiram descaradamente.


Repito: o problema não é se a Dilma Rousseff vai sair ou vai ficar até o final. A questão maior é saber quem vai resolver os nossos problemas. A classe política junto à presidente, só com o Senado da República, ou com a Câmara dos Deputados também. Pelo visto, no sistema bicameral do Brasil, só o Senado vem dando um sinal verde para esse entendimento. Será possível governar assim até o final?!


Semanalmente, o governo federal vem perdendo na quebra de braços com os deputados federais. Essa semana foi mais uma: o ajuste no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) do trabalhador brasileiro. Na próxima semana, outras pautas chamadas cavernosas estarão em discussão. Até quando o governo vai suportar e encarar essa situação?!


O mais interessante de toda essa problemática é que o Partido dos Trabalhadores parece não muito interessado em resolver as pendengas do país criadas por eles. Nos últimos encontros das lideranças partidárias que formam a base governista, a proposta do PT é que o PMDB assuma o lado crítico da questão, assinando documentos e saindo em defesa do governo deles, do Partido dos Trabalhadores. Ninguém quer colocar a cara para bater. O PT instiga e fica por cima da carne seca.


Quando a gente aposta na presença do povo nas ruas é para fazer as cobranças de mudanças que o país precisa. Não só mudanças de pessoas, mas mudanças de atitudes. Afirmei em artigo anterior que não quero a saída da Dilma, porque ela precisa pagar pelo que fez. Ela precisa sofrer junto e resolver os problemas criados por ela e seus asseclas. Só por isso. Mas, se o movimento pede o “Fora, Dilma!”, precisamos saber quem vai resolver, então, os problemas.


De algumas pessoas ouvi esta semana: “Quem estava nas manifestações eram pessoas da elite e, por isso, não tinha bagunça. Eles estão reclamando de barriga cheia”. Mentira! Hoje, no Brasil, não tem ninguém de barriga cheia. Sofre todo mundo. Alguns mais, outros menos, mas todos estão sofrendo: pelo desemprego; pela inflação; pela falta de programas sociais, mesmo com a ideia do “bolsa fome” do Programa Bolsa Família; com uma saúde péssima no atendimento, pessoas morrendo pela falta de leitos, médicos e remédios.


É esse o Brasil que você quer continuar tendo?! É ficando em casa, de braços cruzados, que você acha que vai se resolver tudo, sem cobranças?! Portanto, meu amigo, a rua ainda é o melhor lugar para se protestar, enquanto podemos fazer isso. Pelo menos, vamos gritar e cobrar para melhorar. Em um passado não muito distante, nem isso a gente tinha como ousar fazê-lo. O que ainda importa é o povo nas ruas e, hoje, independentemente da quantidade.

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