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Edição nº 834 / 2015

19/08/2015 - 19:05:00

PT faz mea-culpa e confirma Paulão candidato à Prefeitura de Maceió

Campanha petista não descarta pedir desculpas à população pelos escândalos do Mensalão e Petrobras

José Fernando Martins Especial para o EXTRA

As estratégias e as apostas para as eleições municipais de 2016 começam a ficar mais claras a cada dia que passa. No caso do Partido dos Trabalhadores (PT), além de trabalhar em cima do deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, para o Executivo maceioense, a sigla tem o desafio de dar uma satisfação aos eleitores quantos aos escândalos de corrupção amplamente divulgados pela mídia. Em um país em que 71% da população votante desaprova o governo da presidente Dilma Rousseff, a tarefa do PT alagoano para devolver a credibilidade ao partido será árdua. 

Inicialmente, a aposta petista à Prefeitura de Maceió era o sergipano Judson Cabral. No entanto, o candidato contou com 16.960 votos nas urnas no ano passado que não foram suficientes para garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa. Já Paulão do PT conquistou 53.284 votos e acabou eleito na nona e última posição das vagas disponíveis para a Câmara Federal. 

Segundo o presidente do diretório do PT de Maceió, Isac Jacson Cavalcante, a troca de possível candidato foi apoiada por Cabral, que disse não ter ressentimentos com a escolha da sigla. “Ele relembrou as dificuldades que passou na última campanha. Sendo assim, acionamos o deputado federal Paulão, que aceitou o desafio”, contou à reportagem do Extra Alagoas. Agora, a tática é fazer com que o eleitorado volte a confiar no PT. “Passaram diversos partidos pela Prefeitura de Maceió e está na vez assumirmos essa cadeira. Já até contamos com um segundo turno”.

Para isso, o partido não poupará autocríticas sobre o próprio governo federal com direito a mea-culpa. “Será um desafio com este momento político em que o Brasil está passando, mas vamos conseguir superar nem que seja preciso pedir desculpas à sociedade”, comentou. Ao falar sobre o PT, Cavalcante se lembrou de uma época na qual o partido não podia contar com o financiamento de campanha por grandes empresas. 

“Éramos mais felizes. Vendíamos camisetas, bonés e broches para juntar dinheiro, sem contar que parcelávamos o pagamento da propaganda política durante as eleições. Atualmente, tudo é diferente. Sabemos que se um empresário ajuda um partido é porque quer algo em troca, resultando, muitas vezes, na falta de ética e corrupção”, desabafou.  

APESAR DOS ESCÂNDALOS,PT CRESCE EM AL 

Do Mensalão ao Petrolão, o PT foi citado como um dos envolvidos em escândalos e esquemas de desvio de dinheiro e pagamento de propina. Entretanto, a sigla registrou um aumento de 50,3% em filiações na última década. De 1.054.671 filiados, em 2005, o partido aumentou em meio milhão o número de colaboradores atingindo 1.582.791, em julho de 2015. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Alagoas, o crescimento foi de 88.4% superando a média nacional. O salto foi de 5.171 para 9.746 filiados. 

O PSDB foi, no mesmo período, de 9.395 a 12.860 filiados tendo um acréscimo de 36.8%. Já o PMDB, partido do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho, saltou de 10.645 a 13.627 filiações, registrando um acréscimo de 28%.

O aumento de filiados do PT em Alagoas superou também São Paulo, um Estado industrializado com diversas centrais sindicais. De 269.983, em 2005, São Paulo tinha até julho deste ano 388.586 filiados. O aumento é de 43.9%.

Em Minas Gerais, Estado governado pelo campo político do senador Aécio Neves (PSDB) nos últimos 12 anos, o PT cresceu 40,7%, pulando de 127.046 filiados, em 2005, para 178.781 em junho deste ano. Em Belo Horizonte, o PT historicamente tem boa penetração, o aumento foi de 44,6%, passando de 14.941 para 21.612 filiados.

Em âmbito nacional, da descoberta do esquema do Mensalão até as investigações da Lava Jato, o número de filiados do PT diminuiu em duas oportunidades. De 2005 a 2006, com a repercussão do pagamento de mesada a parlamentares da base do governo Lula, o número de filiados foi de 1.054.671 para 1.047.851, uma queda de 0,65%.

De 2014 a 2015, em meio às revelações do Petrolão, o contingente de filiados caiu de 1.586.699 para 1.585.021, uma redução de 0,1%. “A história do PT nos últimos 30 anos sobrevive à crise proferida no país. Nosso legado é maior do que está acontecendo. Espero que o partido busque um novo conceito para recuperarmos a nossa credibilidade”, destacou Cavalcante. 

O EXTRA tentou contato com o deputado federal e presidente do PT em Alagoas, Paulão, mas não teve retorno até o fechamento da edição. 

 

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