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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 834 / 2015

19/08/2015 - 18:18:00

Ed Oliveira encanta o mundo com sua arte

Artista de Paulo Jacinto pintou primeiro quadro aos 11 anos; autodidata, passeia por vários estilos, mas se considera contemporâneo

Maria Salésia [email protected]

Mergulhado no universo de cores desde os 10 anos, Edmilson Silva de Oliveira, o Ed Oliveira, pintou seu primeiro quadro aos 11 anos e de lá prá cá não parou mais. Natural de Paulo Jacinto, Alagoas, o artista plástico passeou por vários estilos, mas se considera um pintor contemporâneo. Não é a toa que criou seu jeito próprio de fazer arte, dando  asas à imaginação, quebrando barreiras e paradigmas, indo mostrar o que melhor sabe fazer (arte) pelas bandas da Europa.

Autodidata, Ed Oliveira pôde mostrar seu talento de maneira mais ampla aos 17 anos quando aceitou o convite do pároco de sua cidade natal para restaurar o acervo da igreja  Matriz de Nossa Senhora das Graças. E sob as graças da padroeira dos paulo-jacintenses   percebeu que poderia trilhar caminhos mais longo e vencer qualquer desafio. Prova disso é que naquele mesmo ano realizou sua primeira exposição, em Palmeira dos Índios.

Sem medo de arriscar, o artista enveredou por várias ramificações e em 1994 foi convidado pela ONG Nordeste Reflorestamento e Educação, com sede em Genebra, Suíça, a ensinar desenho e pintura para jovens na cidade alagoana de Quebrangulo. Naquele ano, participa ainda de três exposições coletivas em Maceió, através do Projeto Alagoas Presente. Após revelar vários talentos e aprimorar sua arte, em 2002 a cultura teve uma baixa com o fechamento da escolinha de pintura.

Ousado, e como criatividade é qualidade que não lhe falta, em 2004 ED aporta no Rio Grande do Norte, onde monta seu ateliê e permanece em terra potiguar por um ano. Durante estadia naquele lugar, vendeu 212 trabalhos para turistas de países como Portugal, Itália, Suécia, Inglaterra e Alemanha. Versátil, em 2005 volta a Alagoas e em parceria com uma ONG vai difundir seu trabalho em Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Piauí, Maranhão e  Tocantins. Pelas bandas de lá pinta murais, promove oficinas de pintura, reciclagem com pet, esculturas, entre tantos outros feitos.

Mas foi em 2011 que a carreira de Ed deu um salto maior e foi encantar o público europeu. O sucesso foi tanto que durante exposição em Genebra- Suiça- no Salle Communale de Plainpalaisem, em comemoração aos 25 anos da Associação Nordeste,  em apenas um dia vendeu 70 obras. O artista aproveitou a estadia na Suiça para visita a exposição de Picasso, na galeria KunsthausZuric e o Museu de H RGiger, na cidade de Gruyère.

A aceitação de sua obra foi tanta que  em abril daquele mesmo ano, a convite da Association rás Du Rhône, Ed volta à Genebra para confeccionar duas grandes esculturas de uma coruja e um tucano. Na mesma data, participa de uma conferência apresentando seus trabalhos.


MATA  ATLÂNTICA

Proativo e sem medo de arriscar, em 2005 o artista  inicia o projeto de reciclagem utilizando garrafas PET e ferro. E o que de princípio era visto como lixo, Ed transforma em  mercadoria de valor, dando vida a esculturas de pássaros nativos e outras espécies da Mata Atlântica. Além de transformar a matéria prima, ele ainda passa a mensagem de preservação ambiental.

E quem passeia pelas ruas de Quebrangulo e outras localidades podem esbarrar e se deslumbrar com esculturas gigantes- esculpidas pelas mãos dos aprendizes sob o olhar e orientação do mestre. São tatus, tamanduás, borboletas, corujas, além de uma variedade de pássaros. Vale ressaltar que a inspiração para este trabalho veio da Serra de Pedra Talhada- área de reserva da Mata Atlântica preservada há mais de 20 anos pela  Nordeste, associação ligada a uma ONG Suiça, coordenada pela ambientalista Anita Studer. Além do que, o interesse de Ed por material reciclado surgiu em 2004, incentivado pelo ambientalista suíço, DlanBarckler, quando prestava serviço a Nordeste.

Ainda em Quebrangulo, dois bonecos gigantes do grupo folclórico Nega da Costa ganham vida nas mãos do artista. Na praça central, as pessoas podem apreciar as esculturas feitas em 2012 para comemorar os 100 anos do folguedo naquele município. “Tudo que faço é prazeroso. Seja uma escultura, pintura em tela ou murais, tudo me traz alegria”, afirmou Edmilson Oliveira.

HOMENAGEM 

Toda a dedicação do artista durante estadia em Quebrangulo lhe rendeu reconhecimento. Durante o XXIV Festa da Cultura, foi homenageado “pelos relevantes trabalhos prestados à cultura da terra”. Como costuma dizer, “uma cidade que não preserva a sua história e seus valores culturais se perderá no tempo”.

Arte do pintor pode ser vista em espaço público

Quem trafega pelo litoral Sul de Alagoas, precisamente no viaduto do trevo de acesso à praia do  Francês, esbarra com a obra de Ed Oliveira. É que desde 2014 um grande mural com o tema A República Nasceu Aqui, foi pintado por alguns artistas e coube a Ed retratar a figura do marechal Deodoro, igrejas e menina recendo a bandeira do Brasil. Mas embelezar espaços públicos é trabalho prazeroso para o artista. No ano anterior, ele aceitou o convite do projeto Alagoas Presente e  pintou um mural nos muros do Cais do Porto, bairro de Jaraguá, Maceió. O trabalho que teve como tema arte popular, continua exposto nos muros para apreciação de quem passa por lá.

Ainda em Maceió, os muros do Ministério Público Federal, no bairro de Barro Duro,  se encheram de cor e ganharam vida própria. Dono de um talento nato, agora, sua arte dar vida aquele espaço que antes passava despercebido. É impossível passar na Avenida Márcio Canuto e não apreciar o trabalho que retrata diversas atribuições daquele órgão. 

Mural em relevo encanta população de Paulo Jacinto

cinto não poderia ficar de fora da arte de seu filho ilustre. Orgulhosos pelo talento do conterrâneo, os  paulo-jacintenses enchem os olhos com os trabalhos  de Ed exposto em galerias de arte a céu aberto espalhados por todo lado. O projeto caiu no gosto do povo e sem pedir licença também entrou nas casas das pessoas. É comum em ambientes internos e até  em repartições públicas e privadas encontrar traços do artista. Prova disso é que a mais recente obra feita por Ed naquela cidade foi o mural em relevo para o Clube Recreativo Paulojacintense. Na terra do Baile da Chita, o mural de Ed se transformou em atração à parte e virou cartão postal. É comum ver pessoas sendo fotografadas tendo como pano de fundo sua arte. “Gosto desse projeto de murais de relevo e pretendo espalhar por toda a cidade democratizando a arte, transformando a arte, transformando muros estéreis em uma linguagem artística compartilhada, acessível a todos. Inclusive, pessoas com deficiência visual podem tocar e sentir meu trabalho e isto não tem preço”, comemorou o artista plástico.

Filho do agricultor José e da professora Cícera, Edmilson Oliveira busca inspiração em coisas simples do interior, a ponto de trazer resquício de sua infância quando morava na zona rural e se perdia entre o algodão, os rios e a imensidão do verde do mato, durante brincadeiras com as irmãs Elenilda e Eronilde. Segundo ele, no município em que nasceu o carinho dos conterrâneos é gratificante e isto é motivo de incentivo para continuar criando e fazendo arte. “Penso que uma cidade que não valoriza a sua riqueza cultural perderá para sempre a identidade do seu povo”, profetizou. 

Se depender do povo de Paulo Jacinto, a arte do pai do  Rafael, do Gabriel, da Clara e da Lara e avô da Sophia e do Pedro será eternizada. Talento você tem de sobra, Edmilson.  

 

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