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Edição nº 834 / 2015

19/08/2015 - 18:12:00

Começa a disputa pelo cargo de reitor

Chapa 1 defende universidade democrática, autônoma e crítica. Professores Valéria e Vieira dizem que gestão atual representa interesses do governo em detrimento dos anseios da comunidade acadêmicaA data da eleição para reitor e vice-reitor da Ufal (Unive

Maria Salésia [email protected]

A data da eleição para reitor e vice-reitor da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) ainda não foi definida, mas a disputa pelos cargos está acirrada. Para os professores Valéria Correia e José Vieira, que representam a chapa 1,  o modelo atual de universidade está defasado e o ciclo de 12 anos - da atual gestão - precisa ser interrompido.

Diretora da Faculdade de Serviço Social, Valéria Barros acredita que, com um diálogo amplo, igualitário e direto, é possível fazer uma gestão democrática, com gratuidade e planejamento. Para assim, disse, garantir um serviço público e de qualidade. 

“Com uma trajetória de vida que confirma a luta por esses direitos é que asseguraremos que nosso discurso seja empregado nas nossas práticas, onde provaremos que outra Ufal é possível”, disse ao acrescentar que “o projeto de pseudoexcelência fomentado nesses 12 anos não se materializou qualitativamente”.

Defensora do bem público, a candidata a reitora mostra-se contra aos cortes na educação pública. Ela emite carta no site http://www.valeriareitora.com.br/, onde diz que uma universidade pública, gratuita e com qualidade socialmente referenciada é possível e necessária.

Os componentes da chapa 1 defendem, ainda, a implementação de Projeto Básico e contratação de obra de edificação do Complexo Cultural da Universidade (Campus A. C. Simões). Outra proposta dos candidatos é a reforma e ampliação do parque de infraestrutura do curso de Comunicação Social, onde será implantando a WebTV e WebRádio Universitária, que terão seu conteúdo gerido pelos docentes, discentes e técnicos administrativos da Udal. 

ncia de reafirmar na pauta de reivindicações nacional não só a luta salarial, mas também a defesa da educação e da universidade pública. De acordo com a candidata, existe a possibilidade de professores serem contratados por Organizações Sociais, sem concurso público, via Processo Seletivo Simplificado, por meio da CLT. Ela critica esse modelo ao afirmar que tal prática resulta “na perda de direitos trabalhistas e previdenciários básicos e na consequente  precarização do trabalho docente”, alertou a professora, que defende o concurso público.

É do perfil do professor José Vieira, candidato a vice-reitor, o envolvimento, compromisso e sensibilidade para ouvir, consultar e valorizar as pessoas. E são essas qualidades que o credenciam a se comprometer em transformar a universidade, tornando-a mais democrática.  

Coordenador do Campus Sertão (Delmiro Gouveia), Vieira vem representar um novo grupo, novas propostas e incorpora a demanda de interiorização da Ufal. “Defendemos expansão da universidade, mas com qualidade”, comparou o candidato ao afirmar que o modelo atual está defasado e que as decisões precisam deixar de ser centralizadas (em Maceió) e verticalizadas.

Segundo ele, a alternância do exercício do poder é necessária para o processo democrático. “É preciso outra Ufal. O nosso compromisso é o projeto de universidade que rompe com os laços e as práticas oligárquicas, patrimonialistas e clientelistas, reproduzidas nos espaços de poder da Ufal”. E afirma, ainda, que é preciso “retomar formas coletivas de gerir a universidade de modo que a vida democrática, criativa e inovadora volte a pulsar na formação, na produção do conhecimento, nas relações de trabalho e articulação com a sociedade alagoana”.

A adesão a campanha da chapa 1 vem crescendo. Embora a eleição só deva acontecer 30 dias após o final da greve da Ufal, os trabalhos estão avançando. Apoios de peso como a dos médicos do HUPAA (Hospital Universitário) tem consolidado ainda mais a candidatura de Valéria e Viera para reitoria da Ufal. “A decisão é tomada com base em todo histórico de lutas da professora Valéria totalmente condizente com a defesa dos interesses da saúde publica bem como dos servidores que nela laboram”, diz trecho da nota.

O PROGRAMA  DE GESTÃO

O programa de gestão da candidatura é longo. Na área de ensino busca induzir, abrigar e apoiar os programas vinculados à graduação, monitoria e outros. Instituir um amplo debate, a fim de desenvolver uma cultura de avaliação da formação acadêmica; valorizar as atividades de ensino na graduação e na pós-graduação; estimular e garantir a autonomia das unidades acadêmicas e de seus cursos para definição e aprimoramento das atividades de ensino, acolhendo e encaminhando suas demandas; fortalecer o Fórum dos Colegiados dos Cursos e de Coordenadores das Licenciaturas;

Ampliar o debate acerca da estrutura curricular dos cursos dos Campi fora de sede, a partir do diagnóstico das demandas de cada curso, envolvendo de forma participativa docentes, técnicos e representantes discentes; realizar o levantamento e ampliar o debate acerca da carga horária de ensino (graduação e pós-graduação) visando a uma distribuição equânime entre as áreas e os campi; rever a Política de Regulamentação do Estágio Supervisionado, entre outros.

Na pesquisa buscará institucionalizar uma política que garanta a qualidade da pesquisa na Ufal; definir uma política institucional de fomento à pesquisa que respeite a equivalência entre as áreas e que contemple isonomicamente todos os Campi da Ufal; discutir e buscar estratégias para efetivar a política institucional de apoio aos periódicos da instituição; desenvolver, a partir de ações coordenadas, o apoio à internacionalização dos Programas de Pós-graduação; aperfeiçoar o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), melhorando a qualidade das dinâmicas de avaliação dos projetos e dos relatórios; fortalecer o Fórum dos Coordenadores da Pós-Graduação, reconhecendo-o como instância permanente de discussão, proposição, acompanhamento e avaliação de uma política de pós-graduação e pesquisa, assim como de avaliação das ações institucionais relacionadas à pós-graduação; fortalecer as representações da Ufal na Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal), entre outros.

Na extensão a proposta é aperfeiçoar a descentralização administrativa e financeira dos Campi de Arapiraca e do Sertão; descentralizar as decisões dos campi, observando a política institucional, e adotar um conjunto de medidas que promovam as iniciativas locais; avaliar as condições e definir critérios para a continuidade da expansão da universidade no Congresso da Ufal, a ser realizado até o final de 2016; fomentar a emancipação dos campi do interior com um amplo debate, planejamento estratégico que estabeleça ações, prazos e metas a serem cumpridos; convocar audiência pública, a cada nova oportunidade de expansão; estabelecer diálogo com as demais universidades alagoanas, entre outras. 

VALÉRIA CORREIA

Valéria Correia, professora da Ufal na graduação e Pós-Graduação da FSSO (Faculdade Serviço Social) e diretora da FSSO. Tem Pós-Doutorado em Serviço Social pela UERJ, graduação em Serviço Social pela Ufal (1982), mestrado e doutorado em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco (1997). Coordeno o Grupo de Pesquisa e Extensão Políticas Públicas “Controle Social e Movimentos Sociais” e a “Frente Nacional em Defesa da Saúde Pública.”

Nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, sua produção é sobre Políticas Sociais, controle social, política de saúde, serviço social, gestão e financiamento de políticas públicas. Tem dois livros pela Editora Fiocruz, com edições esgotadas, e organizou o livro “Reforma Universitária: a Universidade Pública em Questão”, publicado pela Edufal.  Participa da coordenação do Polus – Observatório de Políticas Públicas e Lutas Sociais em Alagoas, e do Núcleo Alagoano da Auditoria da Dívida Pública. Também coordenou o Projeto de Extensão “Apoio às mobilizações e funcionamento do Fórum em Defesa do SUS”.

Sua relação com a sociedade iniciou antes de chegar à universidade. Merece destaque o exercício profissional na Pastoral do Menor/Arquidiocese de Maceió, atuando junto aos meninos e meninas de rua. “Participei da Pastoral da Juventude, organizando a Pastoral Universitária em Alagoas e no Brasil”. É uma das fundadoras da 1ª Associação de Moradores de Maceió: Associação dos Moradores do Tabuleiro dos Martins.

 Construiu sua experiência de gestora desde os anos 1990, quando coordenou equipes de assessoria de Serviço Social nas Secretarias Estadual de Educação e de Saúde. Participou da criação dos conselhos municipais de saúde e organização de conferências municipais em Alagoas e coordenou a III Conferência Estadual de Saúde (Etapa Estadual da 9ª Conferência Nacional de Saúde). Na Ufal, antes de estar diretora da Faculdade de Serviço Social, coordenou o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e foi Pró-reitora Estudantil/Ufal, nos anos 2003 e 2004.


PROFESSOR VIEIRA

Do Campus do Sertão, é doutor em História Social pela Universidade Federal da Bahia (2012), Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe (2003) e licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe (1998).

Tem desenvolvido atividades de ensino na graduação e pós-graduação, nos cursos de Licenciatura em História do campus do Sertão e no Mestrado em História/PPGH/UFAL/Campus A. C. Simões. Também é líder do Grupo de Estudo e de Pesquisa em História, Sociedade e Cultura GEPHISC/CNPq e está coordenador de Curso de História.

Além de atuar na área da pesquisa e gestão, tem construído ações na extensão: Desenvolveu os Projetos “Olhares de Clio” – Proex/Ufal (2013-2014); Projeto de Educação Básica “Formando Cidadãos Pesquisadores” PEB/Capes/Fapeal (2014), e, atualmente, coordena o Projeto de Pesquisa “Vozes do Sertão nas Tramas de Mnemosine” Capes/Ufal/Fapeal(2013-2015). Também é membro da Comissão de Altos Estudos do Projeto Memórias Reveladas/Arquivo Nacional (2014-2015) e consultor Ad hoc do Ministério da Educação/ Programa Extensão Universitária.

Professor durante cinco anos da Universidade Federal de Sergipe (período de 1999 a 2003 e no ano de 2007). Professor da Educação Básica das redes públicas municipal de Aracaju e do Estado de Sergipe (1998-2012). Orador e 1º Secretário do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (2009-2012) e foi ainda diretor da Associação Nacional de História/Seção Sergipe (2008-2010), diretor da Associação Nacional de História/Seção Sergipe (2008-2010). Esteve membro do Conselho Consultivo da Associação Nacional de História e membro do Conselho Editorial da Revista Ponta de Lança (2012). Atualmente, faz parte do Conselho Editorial da Revista História Regional (2013-2015) e membro do Conselho Editorial da Revista Perspectiva História (2015).

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