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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 834 / 2015

19/08/2015 - 18:05:00

A quem Janot deve ser grato

Cláudio Vieira Advogado e escritor, membro da Academia Maceioense de Letras

“Nenhum dever é mais importante que a gratidão”. Como todo pensamento das grandes figuras históricas, esse, de Cícero, é eternizado e sempre atual. Janot, o Procurador-Geral da República, guindado à altura de força motriz da Operação Lava-a-jato, durante vários meses foi hostilizado por aqueles investigados no inquérito capitaneado pela Ministério Público Federal. Nesse espetáculo “non sense”, produzido principalmente por políticos acusados na operação da PF, até a digníssima genitora do Procurador-Geral foi ofendida e desrespeitada. Com que propósito?

Intimidação, talvez, fosse a intenção original. Pura tolice, na verdade! A Operação Lava-a-jato é institucional e aprovada pela Nação. Dessa forma, dela não é possível recuo. Pirotecnia? Estultice maior que a intimidação, porquanto nada explica sobre os atos dos envolvidos no rolo do “petróleo”, coisa que a Nação espera ouvir de há muito.

As agressões, ultimamente intensificadas, visavam, ao que também parece, promover cisma no Ministério Público Federal, no momento em que Janot pleiteia sua recondução à chefia do Órgão. Pressurosos e afobados, esqueceram os agressores do velho esprit de corps, ou corporativismo, e o resultado foi exatamente o contrário. O candidato Janot obteve expressivos 79% dos votos dos seus colegas, muito mais do que merecera quando da eleição anterior.

E mais: se inclusa nas diatribes a pretensão à rejeição do nome de Janot pela Presidente Dilma, na verdade forçaram a mandatária a indicá-lo com a maior rapidez possível, protegendo-se de qualquer ilação de comportamento antirrepublicano; na sequência, se pretendiam induzir o Senado a não aprovar a indicação de Janot, ao que tudo indica puseram o Órgão em um beco-sem-saída, ou melhor, com a única aceitável, ou seja, a aprovação, sem delongas, do Procurador-Geral para um novo mandato, o Presidente da Casa manifestando enfaticamente que o fará.A empreitada, isto é, a desestabilização de Janot, estava fadada ao insucesso, natimorta que era.

A essa percepção qualquer pessoa de razoável bom-senso, capacidade de reflexão e controle emocional chegaria. Todavia, quem sabe o desiderato dos agressores do Procurador fosse mesmo ajudar Janot em sua reeleição? Tivesse sido isso ou não, a verdade é que o fato sem dúvida bem serviu à causa da reeleição do Procurador-Geral. Eis os porquês de Janot dever ser grato não apenas aos seus eleitores, mas também àqueles que insensatamente o privilegiaram como vítima. 

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