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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 833 / 2015

13/08/2015 - 07:27:00

São Luís do Quitunde em completo abandono pelo poder público

Além das inúmeras acusações de corrupção, o município convive com o caos na infraestrutura

João Mousinho [email protected]

O município de São Luís do Quitunde, localizado a pouco mais de 50 Km de Maceió, vive tempos de abandono. A cidade convive com a precária coleta de lixo, falta de medicamento no hospital e nos postos de saúde. Sem falar nas estruturas físicas do local, a constante falta de água é outro problema na parte alta da região, que recentemente vem se agravando por toda a parte.

O lixo em São Luís do Quitunde é recolhido por um caminhão sem a devida estrutura de um carro de lixo convencional, o que prejudica o trabalho e causa, ainda, mais sujeira. Sem a devida periodicidade na coleta, é uma constante visualizar montanhas de lixos nas portas dos moradores da cidade.

ra abate são encontrados com frequência se alimentando de restos de alimentos e outras sujeiras orgânicas nas estradas. A fedentina e as moscas imperam por todo local, causando o risco de doenças infecto-contagiosas. Outro fato que chama a atenção é o verdadeiro cemitério de carros e motocicletas destroçados que estão abandonados em várias vias.

Os moradores reclamam que as sucatas não podem ficar no meio da rua, atrapalhando o ir e vir dos pedestres e colocando em risco a saúde da população. Outro alerta dos munícipes é quanto ao verdadeiro “criatório” de dengue que as sucatas se tornaram; em período de chuva, a água parada se acumula e traz sérios riscos da proliferação da doença transmitida pelo mosquito.

Quando o assunto é a falta de água, a população de São Luís do Quitunde se revolta. Há pelo menos 15 dias falta água na parte alta da cidade, o abastecimento também segue carente em outros pontos e o risco de uma seca no município é constante. O problema tem se agravado devido à falta de pagamento dos trabalhadores da Central de Abastecimento contratados pela prefeitura.

Há pelo menos três meses, os funcionários não recebem seus vencimentos, e uma greve branca vem contribuindo para a precária prestação de serviço. A reportagem do jornal Extra tentou falar com alguns desses trabalhadores, que preferiram não se expor para não perderem o emprego, mesmo com mais de 90 dias sem receber seus salários.

A reportagem esteve in loco na Central de Abastecimento de São Luís e pôde detectar o mais completo abandono: canos quebrados, matagal, água retida pelas chuvas com lodo e a entrada de animais no local. Insetos e até um sapo boiando dentro de um dos reservatórios foram flagrados. Vale ressaltar que essa obra da Prefeitura de São Luís do Quitunde, em parceria com a Funasa, custou aos cofres públicos R$ 419.619,23. 

Nos postos de saúde e no hospital foi detectada a falta de remédios e estrutura básica para os trabalhadores exercerem suas atividades. Recentemente, o promotor Jorge Luiz Bezerra da Silva encaminhou um relatório para o poder público legislativo municipal retratando o completo descaso com a saúde.

Em um dos trechos, o promotor enfatiza: “Àquele que se afastar de tais princípios (função dos princípios da administração pública) devem ser aplicadas as sanções pertinentes, não se admitindo mais que maus gestores saiam enriquecidos impunemente depois de uma desastrosa administração. A sociedade não mais permite está indignação!”.

As crateras

A infraestrutura das ruas de São Luís é um caso à parte em toda a cidade: crateras, desprendimentos dos paralelepípedos que constituem as vias e incontáveis buracos tornam a dirigibilidade dos motoristas cada vez mais difíceis. Vários acidentes já foram registrados só em 2015.

O que também agrava ainda mais a problemática são as recentes chuvas, camuflando os buracos e crateras. A Rua Dr. Francisco de Oliveira Buarque, conhecida como Rua da Areia, é um exemplo da inoperância do poder público. Uma enorme cratera, que antes estava apenas no meio-fio, vem se alastrando pela pista. Há três meses, a população está reclamando na prefeitura e nenhuma providência é tomada.

A quadra poliesportiva de São Luís do Quitunde, que antes abrigava crianças e jovens com a prática de esporte, hoje virou um depósito de entulhos. A coberta da quadra desabou recentemente nem sequer as ferragens foram retiradas do local. O mato, a sujeira e a escuridão transformaram o local numa região perigosa para delitos e consumo de drogas.

Ponte prestes a desabar

A Ponte do Quitunde, que fica sobre o rio Quitunde e durante várias décadas foi uma importante obra de mobilidade para os moradores da cidade que vão de uma região a outra, facilitando suas vidas, hoje é um perigo. A falta de reparos e o efeito do tempo transformou a ponte num risco de morte para quem transita pelo local.

As madeiras e ferragens da Ponte do Quitunde estão corroendo. Com a passagem de pedestres, motocicletas e carros, os tremores da obra – que antes servia para beneficiar a população e hoje atenta contra a mesma – servem de alerta para o poder público. Mesmo com o risco de desabamento, a população insiste em usar a ponte deteriorada.

Matadouro Abandonado

Há pelo menos um ano desativado, o Matadouro Público Municipal virou o “elefante branco”. O local, que antes era um comércio com grande fluxo de trabalhadores, atualmente está desativado. A favelização no entorno do local já é visível; casas de lona e taipa estão por toda a parte.

A Prefeitura de São Luís do Quitunde até a presente data não se adequou às exigências sanitárias, e o Matadouro Público Municipal segue sem nenhuma função. O local está aberto, sem qualquer tipo de vigilância municipal, e a reportagem do Extra ainda flagrou uma balança dentro do banheiro do estabelecimento.

Voz solitária

A reportagem do jornal Extra tentou contato com o prefeito Eraldo Pedro para que ele explicasse todos os fatos narrados, mas até o fechamento da edição não houve êxito. Quem se colocou sobre os temas abordados foi o vereador de oposição Cristophones Jacques, o Tofinho (DEM), que classificou como “absurdo” o que vem ocorrendo no município de São Luís do Quitunde. “Já fiz inúmeros requerimentos e protocolei documentos junto às autoridades competentes para que as problemáticas fossem solucionadas, mas o que vemos em São Luís é o retrato do completo abandono”.

Tofinho disse que as prerrogativas dele como vereador estão sendo realizadas: fiscalizar, propor, solicitar, apurar e escutar os anseios da sociedade. “Infelizmente, o vereador não possui a caneta para executar. São Luís está nessa situação devido à gestão desastrosa do atual prefeito”, sentenciou.

Prefeito acusado de corrupção

O prefeito de São Luís do Quitunde, Eraldo Pedro (PMDB), responde por oito ações de improbidade administrativa. A Promotoria de Justiça do município ajuizou a última ação de improbidade em desfavor do prefeito devido à acusação de irregularidades no repasse das contribuições previdenciárias ao Instituto da Previdência dos Servidores Públicos de São Luís do Quitunde (IPREVSLQ) nos anos de 2013 e 2014, causando um prejuízo ao órgão de R$ 4.826.302,96.

Os danos contra a previdência do município vêm acontecendo desde a gestão do ex-prefeito Jean Fábio Braga Cordeiro (PP). Inclusive, desde janeiro de 2009, a Promotoria de São Luís do Quitunde vem ajuizando ações de improbidade administrativa contra os gestores do município. Só Eraldo Pedro responde por oito ações, sendo uma penal. Além de Jean e Eraldo, são responsabilizados os ex-prefeitos Cícero Cavalcante (PMDB) e Antônio da Silva Pedro Júnior (PR).

Na ação mais recente, o MP pede a condenação de Eraldo Pedro por ato de improbidade administrativa nos termos da Lei 8.429/92. Para garantir a instrução processual, o promotor de Justiça Jorge Bezerra, responsável pelo caso, solicitou medida liminar que determinasse novo afastamento de Eraldo Pedro do comando da prefeitura, pedido esse negado pelo juiz da comarca, Willamo Omena Lopes.

Mais acusações

O procurador-geral de Justiça, Sérgio Jucá, ajuizou uma ação contra Eraldo Pedro que relata o dano de R$ 1.331.500,00 aos cofres públicos de São Luís do Quitunde. A acusação tem como base a contratação de bandas em festividades nos dois primeiros meses de 2013. Na época, além de Eraldo, outras sete pessoas, entre servidores, secretários e ex-secretários e um empresário, foram denunciados. 

Em outra denúncia apresentada pelo Ministério Público, o prefeito é acusado de ter contraído dois empréstimos, cada um no valor de R$ 80 mil, e pago os valores com cheques que seriam vinculados a conta do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

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