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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 833 / 2015

12/08/2015 - 21:27:00

Educação e Saúde: ontem e hoje

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa

Q uando era garota de 9 anos, eu estudei no Grupo Escolar Fernandes Lima, na antiga Rua do Sol. Uma diretora rigorosa, professora exigente e até as auxiliares da limpeza, pessoas boníssimas, cuidavam da escola com muita dedicação.     

As provas semestrais vinham da Secretaria da Educação, e nossas mestras só tomavam conhecimento dos quesitos na hora em que iniciávamos a resolução dos mesmos. Participávamos de maratonas fora da escola e, ao terminar o primário, fazíamos um exame rigoroso para começarmos o curso de ginásio.     Podíamos chamar tudo isso de educação-modelo, e as escolas públicas, tipo Instituto de Educação Liceu Alagoano, eram muito exigentes nas seleções utilizadas para admissão de novos alunos.     

As professoras do interior vinham fazer concurso na capital para ingressarem no Quadro de Magistério. Tudo muito rigoroso.      Na Saúde havia poucos planos. O nosso era clamado “Patronal”, pois meu pai era fiscal do Iapi. Tínhamos direito a tratamentos hospitalar, dentário, médico. O pagamento correspondia a 10% do que era utilizado. E os profissionais eram os melhores de nossa cidade.     

Havia um órgão que chamávamos de “Saúde Pública”. Ficava na Praça das Graças, na Levada. Lembro-me que íamos com a professora, da Rua do Sol até lá, em fila, bem-comportados, duas ou três vezes ao ano, tomar vacina. Tudo muito limpo e profissionais da melhor qualidade. Um dia, um menino levado cismou que a enfermeira não havia esterilizado a agulha da seringa e não quis tomar a vacina. Foi uma confusão danada, mas ele insistiu na sua tese. E o garoto rebelde era Rubião Torres, hoje meu marido. Ficou conhecido na Saúde Pública.

A Santa Casa de Misericórdia, na época bem menor, não sei se tinha o mesmo nome, possuía dois tipos de atendimento: particular e indigente. Os planos, como disse, eram pouquíssimos. Visitei muitas vezes uma tia que quebrou a perna e estava na ala pobre do hospital; fiquei impressionada com o atendimento e a limpeza existentes. No mesmo período, fiz uma cirurgia de apêndice e fui levada para um apartamento no lado particular. Dizia minha mãe que a diferença no tratamento era pouca.     

Desde que me casei (1963), o ensino público começou a piorar. Meus quatro filhos já estudaram em colégios particulares. Para os assalariados, como eu e meu marido, era difícil arcar com as despesas dos filhos na escola. Como moramos em vários estados, sentimos a diferença dos valores cobrados. No Rio de Janeiro, o meu salário ia inteirinho para os colégios dos meninos.

Cobríamos as outras despesas com o que meu marido recebia do Exército Brasileiro. Sem contar as aulas que eles frequentavam fora da escola: inglês, judô, natação.     

Atualmente, vejo o ensino público cada vez pior. Professores mal pagos, escolas arruinadas, greves sucessivas. Um verdadeiro desastre!      Hoje, os planos viraram SUS, e o sistema público de saúde se transformou na antiga indigência.   

 Agora mesmo, o PAM Salgadinho é um pardieiro: as instalações precárias, os aparelhos para exames não funcionam. O prefeito quer colocar ponto eletrônico para os profissionais de Saúde. Esses dizem que não há condições de trabalho, e o povo é a vítima.     

Para se ser atendido pelo SUS é preciso ter padrinho, falar com alguém. O material caríssimo que o Governo manda para o povo pobre é usado para clientes particulares. Vários médicos não atendem mais pelos planos, só por pagamento de consultas. Os pacientes vivem brigando com as “Unimedes da vida, que não querem cobrir determinados procedimentos. Se for preciso sair de Alagoas para se tratar em outros estados, preparem o bolso ou vendam o apartamento. Só a consulta gira em torno de R$ 1.500 a R$ 2.000.   

 No fim de tudo, ao invés de melhorarem a Educação e a Saúde, tudo piorou. E os pobres morrem nas portas dos hospitais ou em casa mesmo.  Brasil dos meus pecados!!!

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