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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 833 / 2015

12/08/2015 - 18:25:00

JORGE OLIVEIRA

Cunha, o coronel do parlamento

Rio - Do Zé falo depois. Vou escrever aqui sobre o ímpeto selvagem e ditatorial do Cunha, homem que responde a sete processos na Justiça, acusado por um delator da Lava Jato de receber US$ 5 milhões de propina, mas que se acha dono da verdade e do país. O presidente da Câmara está contaminando a bancada de deputados do Rio, a mais inexpressiva de todos os tempos, cheia de paus-mandados, a exemplo do presidente da CPI, Hugo Motta, e do deputado Celso Pansera, defensores intransigentes da sua honra, mesmo que isso custe a desmoralização da comissão, hoje a serviço dos caprichos do presidente da Câmara.

Eduardo Cunha não é apenas um parlamentar intempestivo e raivoso. É também ousado, muito ousado. Ele não dá a menor importância às críticas que recebe sobre sua conduta à frente da presidência da Câmara. Considera-se acima do bem e do mal. Prova disso é a contratação da agência de investigação Kroll, uma empresa inidônea, cujos diretores já responderam a processo por formação de quadrilha. Depois de contratar a Kroll por R$ l milhão sem licitação, o presidente agora quer renovar o acordo gastando outros milhões de reais para que seus investigadores “particulares” procurem dinheiro dos delatores em bancos estrangeiros, colocando a agência a serviço de seus próprios interesses. Administrando a Câmara como a Casa de Mãe Joana, o presidente acha que não deve satisfação a ninguém. Nem mesmo a seus pares, que, como bonecos de gesso, subservientes, veem silenciosos Eduardo Cunha fazer suas estripulias no parlamento com mão de ferro como se a Casa fosse o feudo de um coronel. No caso da Kroll, ele recebeu críticas tímidas e reservadas contra a contratação da empresa, mas fez ouvidos de mercador. Depois de vários meses de trabalho, a Kroll entregou à CPI o relatório das investigações, que vai ficar guardado por mais de 20 anos por decisão de Cunha.

É de se supor que a agência não apurou absolutamente nada sobre as contas dos envolvidos da Lava Jato lá fora. Caso tivesse descoberto uma informação bombástica, a CPI, certamente, não esconderia não só dos deputados que compõem a comissão como também do contribuinte, de quem sai o dinheiro para bancar esse banquete financeiro. E pasmem: nenhum deputado, dos mais de 500 da Casa, levantou a voz para questionar esse relatório fajuto que agora vai adormecer nas prateleiras da Câmara, esperando que todos dessa legislatura morram sem ter acesso a essa investigação.O colunista Merval Pereira, do Globo, acertou na mosca quando disse que “a contratação da Kroll pela Câmara viola, aparentemente, os princípios da moralidade e impessoalidade, inscritos no artigo 37, caput, da Constituição”. 

Bagunça

Na verdade, o Brasil virou uma bagunça só. Enxerga-se corrupção por todos os lados. Rouba-se dinheiro do povo brasileiro em quase todas as grandes empresas estatais. A mania agora de alguns corruptos é dizer, com a maior cara de pau, que “a minha propina não envolve dinheiro público”, como se o dinheiro roubado das empresas estatais e terceirizado pelas empreiteiras não fosse parte da mesma fonte: os cofres públicos. 

Disfarce

Outra versão que começa a correr na mídia e nos blogs chapas-brancas é a de que a Dilma é honrada depois que o FHC disse a um jornal alemão que apenas o governo do Lula foi corrupto. Pode-se dizer, também, que todos os empreiteiros presos até então eram honrados (casto, virtuoso, puro, respeitado, segundo o Aurélio), mas nem por isso deixam de ser ladrões. A Dilma tem ao seu lado o ministro da Comunicação Social, Edson Silva, o Edinho, acusado por delatores de despejar R$ 7 milhões roubados da Petrobras na campanha dela. Esse senhor também poderia ser honrado, mas responde por uma acusação tão grave como os ex-diretores da Petrobras que surrupiaram os bilhões da empresa. 


Ventríloquos

Se alguém não frear esse comportamento abusivo de Eduardo Cunha, os deputados vão virar ventríloquos de seu presidente, que, para se livrar da acusação de suborno, vai transformar o parlamento em uma casa de tolerância.  

Voo dos aloprados

Esses petistas aloprados que governam o país há mais de dez anos não passam de um bando de sindicalistas despreparados e incompetentes com mania de grandeza. À frente de uma empresa privada, esse grupo seria reprovado. Se não fossem demitidos por incompetência, certamente seriam por desonestidade, roubalheira e mau comportamento. O que essa corja está fazendo com o país é um crime de lesa pátria de consequências futuras imprevisíveis. Agora mesmo, o ministro da Defesa, Jaques Wagner, se vangloria de baixar os juros da compra de 36 caças suecos para Força Aérea Brasileira. Diz ter economizado R$ 600 milhões com a renegociação. E a nossa imprensa idiotizada noticia isso como um grande feito do ministro, um ato patriótico de grande envergadura.


Indignação

Nós, os brasileiros, estamos tão acostumados com a rotina de aberrações desse partido que perdemos a capacidade da indignação, da contestação e da luta para evitar que o país continue indo para o fundo do poço com essa presidente caótica e inapta. Ora, por que o Brasil vai gastar US$ 5,4 bilhões na compra desses aviões? Estamos em guerra contra quem? Nos últimos cem anos, a nossa soberania só esteve ameaçada pela Bolívia, que expropriou a Petrobras no seu território. Então, por que investir tanto dinheiro nesses aviões de guerra, que ficarão depois se enferrujando no pátio da aeronáutica até se tornarem obsoletos, como ocorreu com os Mirages?

A guerra

A história registra que a nossa última guerra foi contra o Paraguai há 150 anos (1864-1870). Lá, o glorioso Exército Brasileiro, montado a cavalo e a pé, desmantelou as tropas de Solano López, que resistiu até ver suas mulheres grávidas, crianças e 90% dos seus jovens dizimados por nossos bravos soldados. O massacre até hoje é polêmico e gera controvérsias. Pois bem, de lá pra cá o Brasil nunca mais se envolveu em um conflito internacional que dependesse de uma esquadra aérea para se defender. Portanto, nada justifica que nesse momento de vacas magras, quando se aprofundam a recessão econômica, o arrocho salarial e o desemprego, que o governo torre mais de US$ 5 bilhões para satisfazer o ego belicista de alguns brigadeiros ufanistas da FAB.

Calote

O pior de tudo isso é que a Suécia ainda pode levar um calote, já que os petistas não costumam honrar seus compromissos. Como jogam para a plateia, eles adoram criar factoides para a mídia com os escassos recursos dos contribuintes. No auge da popularidade, Lula trouxe para cá a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos que consomem e consumiram bilhões de reais dos cofres públicos, dinheiro que hoje faz falta. A Copa, pelos gastos, foi condenada por manifestações nas ruas e, no campo, pelos 7 a 1 sofridos da Alemanha. E os Jogos Olímpicos, por onde passam rios de dinheiro sem controle, começam no próximo ano já com ressalvas do Tribunal de Contas da União sobre os gastos.

Transparência

O TCU denunciou que é possível perceber que, a exemplo do Pan-Americano e da Copa do Mundo de 2014, novamente “o nosso país falha com relação à transparência e ao planejamento, dificultando, assim, o controle dos recursos públicos”. Além disso, órgãos internacionais denunciam que a competição de Vela está ameaçada pela grande quantidade de dejetos que contaminam a Baia da Guanabara, pondo em risco a saúde dos competidores mesmo depois dos gastos de R$ 10 bilhões para despoluir as águas. O povo brasileiro precisa conhecer melhor a caixa-preta desses Jogos Olímpicos para saber como o seu dinheiro está sendo utilizado por esse monte de aloprados.


Responsabilidade

E o Senado Federal, a quem cabe ratificar, nos próximos dias, o acordo da renegociação dos caças suecos, tem que definir quais as prioridades do país neste momento de intranquilidade política e social. 

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