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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 832 / 2015

05/08/2015 - 19:43:00

Dilma quer apoio de Renan Filho a ajuste fiscal; Alagoas aguenta?

Governador corta R$ 377 milhões, mas isso é pouco para a União; Collor e Calheiros são contra o arrocho

Odilon Rios Especial para o EXTRA

Uma ligação do ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, ao telefone fixo no gabinete do governador Renan Filho (PMDB) confirmou a ida dele a Brasília nesta quinta-feira (30) para tratar de uma “pauta pesada”: o ajuste fiscal da era Dilma Rousseff. Assessores de Dilma também ligaram para Renan Filho e ouviram o “sim” dele para o encontro.

Renan viajou na tarde de quarta-feira (29). Deixou suspensas as negociações para acabar com a greve dos professores. Ao lado de outros governadores, tratou da reforma do  Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), mas também do pacto federativo e as condições de governabilidade.

A pauta foi pesada porque o tamanho dos cortes da era Renan por causa da frustração de receita ou a queda nos repasses federais foi praticamente um pacto de fidelidade com a União: R$ 377 milhões, fora a dívida pública, religiosamente separada lá mesmo em Brasília antes da verba federal chegar aos cofres do Estado.

Aos poucos, o governador vem alterando o discurso. De fraco a moderado em relação ao Palácio do Planalto, vai endurecendo à medida que o ministro da Fazenda, Joaquim Lévy, transforma o ajuste nas contas em arrocho.

Também aos poucos vai mudando o tratamento com o Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteal). Percebe que a greve não teve o impacto imaginado pela categoria. E ainda não discute internamente judicializar a paralisação da Educação.

Enquanto Renan embarcava e viajava à capital federal, o secretário da Fazenda, George Santoro, estava reunido com técnicos. Ontem, novas reuniões. E, nesta sexta, uma viagem a Fortaleza.

Em Brasília, Dilma Rousseff quer o apoio dos governadores ao arrocho fiscal e claro que eles intercedam com as bancadas no Congresso Nacional.

O senador Fernando Collor (PTB) diz não ao ajuste; o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) é o maior crítico e o senador Benedito de Lira (PP) fica na dúvida- olhando para os cargos indicados por ele na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

deral preserva os anéis- os cargos federais- em meio a queda da popularidade da presidente e os preparativos para os protestos de agosto contra Dilma.

Na prática o apoio dos governadores significa não ao impeachment mas não também ao ajuste e as agências de classificação de risco internacionais mostram que o Brasil pode comprometer 70% do PIB pagando a dívida pública - um cenário ainda mais tenebroso em meio as contenções fiscais.

Em um cenário assim, balança-se a cabeça para o algoz. E o inimigo quer hoje a benção dos amigos governadores sem que ninguém mostre os dentes para morder a mão do ministro da Fazenda, Joaquim Lévy. 

Tom

O tom da reunião na capital federal foi dado pelo ministro Eliseu Padilha, antes do encontro:“É do maior interesse do governo e é do interesse de todos os governadores, e isso se sobrepõe à questão partidária. Estamos diante de um tema que é o do interesse da nação – a nação tem interesse em ver o Brasil andar novamente no sentido do crescimento, da geração de emprego, de aumentar a renda. Isso é de interesse da nação, está acima de possíveis divergências partidárias que poderiam ser alegadas em outras circunstâncias”, disse.

Só que mesmo as questões infrapartidárias não são capazes de suportar o aperto nos cofres federais.

E é no meio do ajuste fiscal federal que a dívida pública alagoana mostra o seu lado mais perverso. Segundo o Banco Central, a dívida com a União cresceu quase R$ 140 milhões nos cinco primeiros meses deste ano. Isso equivale ao orçamento anual- multiplicado por 13 - da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal). Se fosse aplicado na Secretaria de Cultura esticaria o orçamento da pasta em 54 vezes.

Em janeiro, ao sentar na principal cadeira do Palácio República dos Palmares, a dívida de Alagoas estava em R$ 8,268 bilhões. Saltou para R$ 8,399 bilhões em maio.

É mais que o orçamento do Ministério Público Estadual para o ano inteiro. O ajuste fiscal da era Dilma Rousseff deve cortar quase R$ 80 bilhões no país destinados ao superávit primário. E pagar a dívida pública brasileira- que consome 45% do orçamento.

Uma dívida que enriquece os bancos e pune quem recebe o Bolsa Família e tem de comprar o quilo do tomate a R$ 16 no supermercado.

Daí ficam os professores esperando um reajuste que na verdade é a reposição da inflação do ano passado. E o país que é a sétima economia do mundo vai ficando para trás em educação, somente 4% do PIB vão para ela.

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