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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 832 / 2015

05/08/2015 - 18:01:00

JORGE OLIVEIRA

As mentiras da Dilma

Brasília - Para passar à opinião pública credibilidade a reunião com os governadores, a Dilma colocou ao seu lado o vice Michel Temer, articulador político, que não está sabendo a hora de pular do barco, contrariando a cúpula do partido, que já decidiu não marchar com a presidente. A cena apenas se repetiu, a mesma de outros tempos: os 27 governadores contornaram a mesa oval, os assessores em segundo plano, e os ministros da área econômica ficaram atentos para não deixar a chefe falar besteira. 

Este filme os brasileiros já conhecem. Em 2013, antes das eleições, a Dilma reuniu os governadores para anunciar um pacote de R$ 50 bilhões em investimentos em projetos de mobilidade urbana, uma tentativa de silenciar as manifestações que ocorreram em junho daquele ano. De lá pra cá nada andou, nenhum projeto saiu do papel. Os quase cem quilômetros prometidos de Metrô ou de VLT – Veículos Leves sobre Trilhos – não passaram de promessas mirabolantes, mentirosas, que só serviram para alavancar a campanha dela, abalada pela revolta das ruas que pedia transporte público com mais qualidade e a redução nas passagens dos ônibus.

Hoje, o que se vê são imensos buracos em algumas das principais capitais do país: Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Goiânia, Rio, Belo Horizonte e Fortaleza. O metrô de Fortaleza ainda avançou um pouco para atender os irmãos “Gomes”, seus correligionários incondicionais, mas as obras foram abandonadas no final do ano passado tão logo acabou a eleição. Segundo o jornal Valor, “até o fim do primeiro trimestre, apenas R$ 824 milhões de tudo o que Dilma havia prometido tinha sido efetivamente pagos”, dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. 

Nos canteiros de ferros retorcidos das principais capitais do país existem apenas vigias montando guarda para cuidar do que foi abandonado, um prejuízo incalculável aos cofres públicos. É assim que a presidente e seus parceiros petistas agem: tentam tirar da cartola factoides para enganar a população e os governadores que, mais uma vez, chegam a Brasília para dar um voto de confiança a uma presidente desacreditada, mentirosa e fantasiosa que não respeita o dinheiro do contribuinte. 

Com uma equipe despreparada – imagine você que até o ministro Eliseu Padilha virou articulador político –, a Dilma vem torrando o dinheiro do país desde que assumiu a presidência com o rótulo de gerentona e “Mãe do PAC”, títulos outorgados por Lula, seu companheiro de partido. O factoide da mobilidade urbana foi lançado já em abril de 2012. Ela prometeu, naquele ano, R$ 32 bilhões para investimentos em metrô nas principais capitais. Com os movimentos de ruas em 2013, ela subiu para R$ 50 bilhões. Mais um factoide. Ou seja: mentiu pela segunda vez para silenciar a “voz rouca das ruas”, como dizia o velho cacique do PMDB, Ulysses Guimarães, que hoje, certamente, estaria envergonhado de ver Michel Temer, seu ex-pupilo, fazendo o papel de chefe de departamento de pessoal da Dilma, atuando no fisiologismo, o que existe de mais desprezível na política, para um governo despreparado, ineficiente, inapto e corrupto.

Fidelidade?

Michel Temer sabe que a sua companheira de chapa chegou ao final da linha. Não quer passar a imagem de oportunista e, por isso, ainda se mantém ao lado dela para dissipar dúvidas quanto à sua fidelidade, uma imensa bobagem, que não engana a ninguém, porque a história mostra que vice no Brasil só serve para uma coisa: conspirar. E foi com essa intenção que ele viajou para Nova Iorque, onde se reuniu com o peso pesado do empresariado. Como político esperto e matreiro queria ouvir do PIB norte-americano opiniões sobre o governo da presidente Dilma. Voltou satisfeito para continuar conspirando.


Prepotente 

O nariz empinado e a prepotência da Dilma deram lugar a uma falsa humildade agora que o barco está afundando. Acostumada a tratar seus subalternos com truculência, deselegância e desrespeito, para salvar sua pele, ela decidiu chamar os governadores para a reunião. Tenta firmar com eles um pacto de governabilidade depois que o país foi para o fundo do poço com a inflação alta, o custo de vida sufocante e o desemprego subindo a taxas estratosférica. Dilma cultiva o hábito da arrogância: humilha ministros, assessores, governadores e até um simples garçom passa pelo constrangimento de reprimenda quando serve o café fora do ponto.  


Xô, Dilma!

A presidente tenta de todas as formas se manter no poder e, no comando do barco à deriva, não sabe retomar o leme da embarcação. O que ela não entendeu até agora é que os brasileiros não a querem mais à frente do país, como mostraram as últimas pesquisas. Por elas, nunca na história desse país um presidente esteve com tão baixo índice de aprovação. Mais de 92% da população dizem não a sua administração. Com essa desaprovação, Dilma corre o risco de ser não só apenas vaiada, como já vem ocorrendo, mas também enxovalhada pelo povo descontente com o  seu governo.

Desorientada

É para tentar minimizar esse quadro caótico e assustador que a presidente juntou os governadores para uma conversa tête-à-tête.  Essas reuniões de políticos e empresários com a Dilma em Brasília já começaram a entrar para o anedotário. Muitos deixam o encontro mais desorientados ainda com a conversa dela sem pé nem cabeça sobre a conjuntura econômica, social e política do país. Um desses participantes confidenciou que a Dilma não consegue finalizar uma proposta pela dificuldade que tem em se fazer compreender. Até que ela tenta raciocinar com lógica, diz essa fonte, mas algo inexplicável tumultua seu pensamento, daí as besteiras que fala e se espalham nas redes sociais.


Isolamento

A presidente vive momentos de profundo isolamento. Cercada por auxiliares envolvidos com a operação Lava Jato, a exemplo do seu ministro da Comunicação Social, Edson Silva, o Edinho, que recebeu quase R$ 8 milhões do dinheiro roubado da Petrobras para a sua campanha, Dilma não tem propostas reais para apresentar aos governadores. Mais uma vez vai jogar para a plateia e culpá-los depois pelo insucesso da tentativa do plano da governabilidade que certamente não ocorrerá porque o problema maior não é o sofá, mas o seu dono.


Palavrões

Ela sabe que a crise econômica e social é de sua responsabilidade. À frente do governo, quando o país ainda vivia bons momentos com emprego e inflação baixa, não ouvia ninguém.  Acreditava de verdade que realmente era uma “gerentona” competente como Lula a vendeu à população. O tempo mostrou que se trata de uma gestora incapaz e incompetente que tenta impor no grito suas vontades como se os servidores fossem seus vassalos. Aprendeu com Lula a soltar palavrões e até xingar com impropérios adversários e aliados quando suas ordens são contrariadas, como contam vários de seus auxiliares que temem se aproximar dela nos momentos de fúria.


Desrespeito

É por causa desse temperamento intempestivo e desrespeitoso que a Dilma está sem interlocutor, isolada e distanciada dos seus principais assessores que tremem só em saber que vão despachar com ela. Alguns ministros nem são chamados para audiência, como é o caso do Henrique Alves, do Turismo, que ela foi obrigada a engolir por imposição de Eduardo Cunha, presidente da Câmara.  


Rejeição

Ora, é de se perguntar: como uma pessoa pode dirigir um país com esse comportamento atroz  e assustador? Por que alguém que já demonstrou tanta inaptidão no comando da nação ainda teima em permanecer no cargo mesmo sabendo que mais de 90% da população desprezam o seu governo? As respostas para essas perguntas vão às ruas no dia 16 de agosto.

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