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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 831 / 2015

29/07/2015 - 11:29:00

Família de advogado contesta seu envolvimento com drogas

Assistente de acusação vai pedir investigação sobre aumento do patrimônio do casal Sfredo

Vera Alves [email protected]

Familiares do advogado Marcos André de Deus Félix, morto no ano passado 13 dias após sofrer um atentado a bala na praia do Francês, descartam qualquer possibilidade de que o mesmo tivesse envolvimento com traficantes de drogas. Manoel Félix Júnior, o pai, e Manuela Alessandra, irmã do advogado, afirmam não ter qualquer dúvida de que o casal Janadaris e Luiz Sérgio Sfredo tenha sido o mandante do crime.

Manoel Félix e a filha procuraram o EXTRA esta semana para rebater as informações constantes na reportagem publicada na edição nº 830 do semanário, “Morte de advogado na praia do Francês pode estar ligada ao narcotráfico”. Acompanhados do advogado Alessandre Argolo, que atua no processo sobre a morte de Marcos André como assistente do Ministério Público Estadual, eles voltaram a reafirmar como tese para o motivo do crime a desavença entre a vítima e Janadaris gerada pela ação de despejo envolvendo a Pousada Lua Cheia, também no Francês, e de propriedade do italiano Pietro La Rosa.

Manuela afirma que, no período em que esteve internado no Hospital Geral do Estado, Marcos André esteve lúcido durante alguns dias e indagou a ela: “Minha irmã, você entendeu agora por que eu corri pra dentro da pousada?”, em referência à Ecos do Mar, administrada por Janadaris e Sérgio Sfredo, e onde ele caiu após ser baleado e perseguido pelos atiradores Álvaro Douglas da Silva (Alvinho) e Elivaldo Francisco da Silva (Vado).

Ela também faz referência ao depoimento prestado em juízo no dia 9 deste mês por Maria Flávia dos Santos, camareira da pousada, segundo a qual, enquanto estava agonizando, antes de receber socorro, o advogado teria dito “Não deixem ela me matar”. Flávia é apontada no inquérito policial presidido pelo delegado Jobson Cabral como intermediária na negociação entre Janadaris e o namorado, Juarez Tenório da Silva Júnior, para contratação dos atiradores. A camareira, contudo, negou essa versão durante o depoimento à Justiça e afirmou que a ex-patroa nunca falou nada sobre Marcos André com ela.

Assistente da acusação, o advogado Alessandre Argolo ressalta que prefere se ater aos fatos e afirma: “O fato é que o carro em que os quatro acusados viajaram pertencia a Janadaris e Sérgio, assim como é fato que o cartão de crédito usado para custear as despesas de todos foi entregue a eles por Janadaris”. Em sua avaliação, Alvinho e Vado mentiram em juízo ao afirmarem que não conheciam a dona da pousada. A suspeita, segundo ele, é de que eles ou seus familiares estejam recebendo dinheiro ou tenham sido ameaçados para proteger o casal.

Argolo disse que, junto com o promotor do caso, Silvio Azevedo, vai solicitar que sejam feitas diligências no sentido de apurar se existe algum tipo de transação financeira entre os Sfredo e os familiares dos outros quatro acusados. Ele também quer saber de que forma Janadaris e Sérgio estão arcando com os custos de suas defesas, ao destacar que, dentre os advogados do casal estão renomados juristas, em referência a Ivan Pareta e Cézar Roberto Bitencourt, especialista em Direito Penal reconhecido internacionalmente, além do delegado federal aposentado José Francisco Mallmann, formado em Ciências Jurídicas e ex-superintendente da Polícia Federal e ex-secretário de Segurança Pública no Rio Grande do Sul.

Embora os três advogados por ele citados sejam gaúchos, assim como os Sfredo, o assistente de acusação não acredita que eles estejam trabalhando de graça e afirma que é preciso investigar de que forma se deu a elevação patrimonial de Janadaris e Sérgio depois que chegaram a Alagoas.

Tanto Alessandre Argolo quanto o pai e a irmã de Marcos André insistem em que há uma estreita ligação entre o traficante internacional Márcio Fernandes Araújo, preso no Rio de Janeiro em outubro do ano passado e que há 17 anos era considerado foragido da Justiça de Minas Gerais. 

O traficante foi apontado por três dos outros quatro acusados como o homem que os alojou no Rio de Janeiro poucos dias após o atentado contra Marcos André. Alvinho e Vado – os atiradores – disseram, em juízo, que imaginaram ser ele uma pessoa da família de Júnior, mas tanto este quanto a namorada afirmaram que ele lhes foi indicado por Janadaris.

ENTENDA O CASO

O advogado Marcos André de Deus Félix foi alvejado a tiros na manhã do dia 14 de março do ano passado, na praia do Francês, em Marechal Deodoro, e faleceu, 13 dias depois, na UTI do Hospital Universitário, depois de ter passado vários dias internado no Hospital Geral do Estado (HGE). Ele tinha 44 anos.

Para a polícia, o crime foi encomendado pelo casal Janadaris e Luiz Sérgio Sfredo, à época donos da Pousada Ecos do Mar, e motivado por desavenças contínuas entre ela e o advogado. Ambos atuaram em 2010 e em lados opostos numa ação de despejo envolvendo a Pousada Lua Cheia, também no Francês e de propriedade do italiano Pietro La Rosa. Depois de finda a disputa judicial, Janadaris e Marcos André teriam tido discussões acaloradas, principalmente após a empresária, que assim como o marido também é advogada, adquirir um apartamento embaixo do que o advogado morto residia.

O pai e a irmã de Marcos André afirmam que desconheciam os problemas entre ambos e que, se o soubessem, o teriam aconselhado a se mudar. Presos dois dias após o atentado, o casal Sfredo nega qualquer envolvimento no crime. Janadaris e Sérgio estão detidos há mais de um ano no Quartel Geral do Corpo de Bombeiros e tentam junto ao judiciário local e Cortes superiores responderem ao crime em liberdade ou prisão domiciliar.  Os dois denunciaram ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) a violação de seus direitos pela polícia e pelo judiciário de Alagoas.

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