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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 831 / 2015

29/07/2015 - 10:19:00

JORGE OLIVEIRA

Dilma na mira de Cunha

Vitória - Eduardo Cunha apenas antecipou a crise que existe no PMDB ao anunciar que será opositor ao governo da Dilma. Nos bastidores, os peemedebistas já ensaiavam pular do barco para preservar a imagem de Michel Temer e tirá-lo da lama que invadiu o Palácio do Planalto. O preço que Cunha vai pagar é alto: a presidente vai desempregar todos os seus apadrinhados aboletados nos órgãos públicos para apertar o cerco contra ele e deixá-lo ainda mais isolado. Em contrapartida, Cunha vai acelerar as duas CPIs – BNDES e Fundos de Pensão – para tentar expor as vísceras do governo corrupto da presidente.

A guerra só não começou ainda pra valer porque os políticos entraram em recesso. Mas não se engane, Cunha não estará isolado nessa briga. Se o governo não liberar as emendas parlamentares que somam mais de R$ 1 bilhão, centenas de soldados vão se juntar ao seu Exército para encurralar este governo que se esfacela a caminho do caos total. A insatisfação contra a Dilma não é apenas de Cunha que enxerga nela a causa dos males da sua vida política, depois da acusação do delator de que teria embolsado US$ 5 milhões de propina. Centenas de outros deputados estão pagando ingressos para ver o circo pegar fogo.

E o Cunha, minhas senhoras e meus senhores, não vai esfriar a cabeça, como pensam alguns peemedebistas. Ele vai tentar desarmonizar o PMDB no parlamento para arrastá-lo para sua tropa. Quer transformar seu Exército de Brancaleone numa brigada capaz de avançar com ímpeto contra os ocupantes do Palácio do Planalto.

Ao acusar de aloprados os principais assessores da Dilma, ele mirou no Aloizio Mercadante quando lembrou que foi na sua campanha ao governo de São Paulo que a Polícia Federal prendeu em flagrantes os malucos do PT que tentavam comprar um dossiê contra os seus adversários tucanos.

Agora, o presidente da

Câmara vai tentar aglutinar em torno de si o máximo de parlamentares possíveis para iniciar a queda de braço com a Dilma, que, a exemplo dele, nesse momento também está isolada no poder, contaminada pela impopularidade e refém da sua incompetência para administrar o país. Como o Levy – neófito em política – não vai se sensibilizar com os apelos dos deputados que pedem a liberação das emendas em nome do ajuste fiscal, aí o bicho pega. Cunha, sem dúvida, pode liderar a tropa de choque contra a Dilma e desestabilizar de vez o governo.

Arrogância

Quando os caciques do PMDB vão a público para dizer que Cunha está isolado, é tudo papo furado. Muitos, nos bastidores, bateram palma para a decisão que ele tomou de se afastar definitivamente do governo. Os peemedebistas não engoliam a arrogância de Aloizio Mercadante como “Primeiro Ministro”, que passou a humilhar o vice-presidente na função de articulador político do governo, atribuição que lhe cabe como Chefe do Gabinete Civil. Várias vezes, os caciques do partido pediram a cabeça de Mercadante com o apoio do Lula para fortalecer o Michel, mas a Dilma resistiu porque tem nele o seu “pequeno príncipe”, o conselheiro de um governo que vive a cata de quem lhe der a mão generosa para sair dessa enrascada. 


Aposta

Nesse quadro de incerteza e ebulição política, quem fizer uma previsão como um mago futurista está, certamente, fadado a errar. Ninguém sabe o que acontecerá nesse país nas próximas 24 horas, principalmente se o Lula for preso, como se comenta fortemente nos bastidores político em Brasília.


À deriva

O PMDB vai puxar a escada e deixar a Dilma com a broxa na mão. O partido planeja sair da base do governo e já pressiona o vice Michel Temer para tomar uma posição antes de ser criticado publicamente por ainda tentar reorganizar um governo que parece biruta de aeroporto, como disse muito bem o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Os peemedebistas acreditam que a Dilma planeja levá-los para sepultura juntos e, para isso, opera nos bastidores para envolver os caciques do partido na lama da operação Lava Jato. Com essa tática, ela traz para o esgoto o seu vice, que hoje exerce um papel irrelevante na nomeação dos rebentos em órgãos públicos. Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, iniciou o processo da dissidência ao anunciar o rompimento com o governo.

Sozinho

Michel já foi alertado de que pode ficar falando sozinho se não se desgarrar do Palácio do Planalto, onde se apresenta em coletivas de imprensa ao lado de Edson Silva, o Edinho, e de Aloizio Mercadante, homens de confiança da Dilma, envolvidos no escândalo da corrupção da Petrobras. Os caciques do PMDB não querem mais carregar o fardo pesado do governo que leva o país para o caos econômico e social. E essa decisão de sair da base já chegou aos ouvidos da Dilma, que, na definição de Lula, “ouve, mas não escuta”.


Processo

Agora, com a decisão da Procuradoria da República do Distrito Federal, de abrir processo para apurar a influência de Lula nos empréstimos do BNDES nos países da África e da América Central, a conspiração contra a Dilma vai se intensificar. Fragilizado, o ex-presidente vai novamente apontar seus mísseis para o Palácio do Planalto, acusando a Dilma de, mais uma vez, não mover uma palha para tirá-lo das enrascadas da Lava Jato e das garras da Justiça, que cerca a sua atuação no exterior a serviço da Odebrecht.


CPIs

De quebra, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ainda promete bombardear o governo quando voltar do recesso. Se isso realmente ocorrer com a abertura das CPIs do BNDES e dos Fundos de pensão, não resta outra alternativa ao Michel que não seja a de sair da articulação e se juntar aos peemedebistas descontentes para encontrar uma solução constitucional de alternância do poder. Se o julgamento do TCU for desfavorável a Dilma, o presidente da Câmara estaria com a faca e o queijo nas mãos para desferir o golpe mortal na presidência: abertura do processo do impeachment. Além disso, o TSE ainda vai julgar as contas de campanha que foram abastecidas com dinheiro roubado da Petrobras, como acusou o presidente da UTC, Ricardo Pessoa, em delação premiada.


Recesso

O burburinho político de Brasília descansa um pouco agora no recesso, mas a conspiração não para. Quando voltar de Nova Iorque, Michel Temer deve aproveitar esse intervalo do recesso para visitar os estados mais representativos da federação e consultar as bases do partido, como fez esta semana no Rio de Janeiro, onde juntou o PMDB para discutir a crise que abala o governo da Dilma, do qual ele também é partícipe. Mesmo em um estado que recebe rios de dinheiro do governo federal para o evento dos Jogos Olímpicos, o que ele ouviu de alguns correligionários sobre a presidente o deixou de orelha em pé.


Contaminação

Os caciques do partido temem que a permanência de Michel na articulação política o contamine com a lama do Planalto. Por isso, eles querem preservar a imagem do vice para uma eventual substituição da Dilma se realmente a opção for pelo impeachment.  Michel, habilidoso, vai saber o momento certo para pular do barco à deriva, desde que alguém lhe jogue uma boia segura neste momento de incertezas. 

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