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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 830 / 2015

22/07/2015 - 11:11:00

Da politeia à ágora

MENDES DE BARROS

Inspirada na obra “A Reública”, de Platão, a ação da Policia Federal contra políticos, com mandato, vinculados à operação Lava Jato nomeou a ação de “Politeia”. Caroneando a helênica inspiração policial ocorreu-me recorrer a Sócrates, o mais seguro e forte farol da filosofia universal, lente generoso do autor de “A República” e fonte inesgotável de Xenofonte, para referir-me ao recente procedimento policial envolvendo um ex-presidente e atual senador da República suspeito de participação no maior escândalo de patifaria contra os cofres públicos e a maior empresa nacional, com consequências brutais na economia e no desenvolvimento do país e participação das mais importantes autoridades da República. 

Em resposta a execução de mandados de busca e apreensão de documentos e bens comprobatórios das acusações que lhes são endereçadas, o senador Fernando Collor, mais uma vez, desde que acusado de participar da gatunagem contra os cofres da Petrobras, desancou impropérios contra o procurador-geral da República, que solicitou ao Supremo Tribunal Federal os procedimentos acima mencionados, sem aludir qualquer argumento que o possa defender.

Com o acusado buscando luzes na filosofia grega, nada mais natural que ali, também, fosse buscar sua defesa, o que encontraria em Sócrates que precedeu e ensinou a Platão.Ainda que com a modéstia insuperável do “só sei que nada sei”, o símbolo da filosofia universal socorreria o senador conhecimento tivesse da lição: “Se alguém mente sobre você, faça o contrário para que ele passe por mentiroso”.Mais especificamente ao caso em tela, Sócrates também ajudaria, “sob medida”, ao senador, quando afirma: “Se alguém procura  a saúde, pergunta-lhe primeiro se está disposto a evitar no futuro as causas  da doença.

Em caso contrário abstém-te de o ajudar”.Partindo do princípio de que a “primeira doença” do senador foi uma perua “Elba” e a presente moléstia se concretiza com três veículos de luxo, o enfermo contrariou a mensagem do filósofo no evitar “as causas da doença” posto que, comparando as enfermidades, uma “Elba” seria um resfriado e os Ferrari, Porsche e Lamborghini  apreendidos representariam uma tuberculose incurável, impossibilitando o uso de outra genial  lição do sábio grego que diz: “Creio que tenho prova suficiente de que falo a verdade: a pobreza”.Em pronunciamento na tribuna do Senado,  o senador Fernando Collor terminou sua fala afirmando que jamais será intimidado.

Coragem, pelo que já praticou e vem praticando, temos a certeza que tem de sobra, contudo, o que lhe sobra em destemor, falta-lhe, na mesma proporção, no que se exige aos cidadãos que se qualificam como responsáveis, honestos e honrados. Ainda ante o palco iluminado da velha Grécia, onde as cidades reservavam praças para que, em reunião, o povo decidisse o que os governantes deveriam fazer, locais batizados como “ágora”, bem que o povo brasileiro, convocado para se manifestar em reunião nas ruas das grandes cidades, poderia, com a energia que o caso requer, indicar aos seus representantes o rumo a ser conduzida a administração nacional.

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