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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 830 / 2015

22/07/2015 - 09:42:00

JORGE OLIVEIRA

Procura-se um presidente

Brasília – O Brasil está à deriva, sem comando, contaminado pela corrupção e pela inércia.  E nesse vazio de poder, o perigo é algum aventureiro de verde oliva liderar um grupo para ocupar o espaço, como já ocorreu em tempo não muito distante quando o país entrou nas trevas de uma ditadura miliar que implantou o terror por mais de vinte anos. O PMDB, o partido de sustentação do governo, está brincando com fogo. Suas principais lideranças conspiram contra a Dilma, mas a cúpula quer  passar a ideia de que se mantém forte na aliança e na governabilidade, dissimulação que não convence nem uma criança do jardim da infância. Os peemedebistas precisam ter desprendimento e espírito público para enfrentar a crise de frente.

O Aécio Neves, do PSDB, começa a se desgastar com os aparecimentos na mídia. Não passa segurança como oposicionista, nem tem postura de líder. Faz uma oposição irônica, repetitiva e desgastante, o que, com o tempo, só vai  demolir a sua imagem e aumentar a rejeição.O PT, atolado nos escândalos da corrupção até o gogó, dá sinais de falência múltipla e caminha em direção ao cemitério, onde será enterrado sem choro nem vela. E a população, coitada!, não tem para quem apelar. Os trabalhadores, com os salários corroídos pela inflação galopante, vivem momentos de insegurança e de incertezas. Os desempregados, desesperados, batem de porta em porta para arrumar pelo menos um bico para sustentar a família, e os sindicatos, que hoje se alimentam do dinheiro público como aves de rapina, abandonaram os operários à própria sorte.

E não adianta mascarar a economia com atitudes delinquentes apresentando números falsos e fazendo pedaladas. Assim, a passos largos, o Brasil caminha para uma crise política e econômica sem precedentes na sua história,  fruto de um governo desqualificado, fraco, corrupto, que montou uma quadrilha para depenar as empresas públicas. Saltam aos olhos dos mais incrédulos a indignação quando se sabe, por exemplo, que o país gastou com diárias e viagens de servidores públicos 218 milhões de reais até maio deste ano. Que a presidente torrou com cartões corporativos até abril 14,3 milhões de reais e nos mandatos petistas (Lula/Dilma) R$ 618 milhões, dinheiro que sai do bolso dos contribuintes que vivem para pagar impostos extorsivos e pendurados em dívidas. Alega-se questão de segurança nacional para manter essas despesas em segredo.

Que segurança é essa que tem como finalidade meter a mão no bolso do contribuinte para servir um grupo de privilegiados que saca o cartão corporativo até para pagar tapioca?A verdade é que existe um vácuo de poder e um risco de algum aventureiro ocupar o Palácio do Planalto sob aplauso da população desprotegida e desesperada como ocorreu em 1964, quando a classe média, em nome da família, ocupou as ruas de São Paulo para derrubar o governo constituído de João Goulart. É bem verdade que a coisa foi mais fácil porque os Estados Unidos pretendiam barrar o avanço do comunismo nas américas que começou pela revolução cubana em 1959. Agora é cada um por si. Quem for podre que se quebre. Bancar ditadura é uma coisa cara.

Desequilíbrio

O Brasil de hoje é refém do petismo, de um populismo canceroso que corrói as instituições e que insiste em permanecer no poder mesmo com uma presidente abandonada pela população e com forte sintoma de desequilíbrio mental. Do jeito que a situação se agrava é difícil fazer um prognóstico do que acontecerá com o Brasil e com a sua economia em frangalhos que derrete o salário dos brasileiros pelos juros alto e pela inflação beirando os dois dígitos. É aconselhável cortar o mal pela raiz. Essa tarefa cabe, portanto, aos políticos mas sobretudo a sociedade civil desde que se respeite o estado de direito e preserve o processo democrático conquistado a duras penas por todos nós brasileiros. 


Desastre

Com esse vazio de poder o melhor mesmo é recorrer aos velhos e eficientes classificados dos jornais pra ver se o Brasil acha uma saída:  Procura-se um presidente. Por favor, enviar currículo para o Palácio do Planalto, Praça dos Três Poderes, em Brasília. Atenção: não se aceita militar. A última experiência não deu certo, foi desastrosa.


Independência

Chegou aos ouvidos do Lula a informação de que os ministros do STF não estão mais dispostos a se expor para atender a pedidos que ponham em dúvida a credibilidade do tribunal no julgamento dos casos da operação Lava-Jato. Um desses ministros, em encontro reservado com o ex-presidente, foi claro quando o avisou que no processo do mensalão virou prisioneiro dentro da sua própria casa porque não podia ir às ruas sem ser xingado. Diante disso, sentenciou: “Minha cota de gratidão com esse governo se esgotou”.


É pra valer

A postura atual dos ministros do STF mostra que não haverá contemplação com quem estiver envolvido na operação Lava-Jato, o que ficou muito claro com a busca e apreensão feita na casa e escritórios de empresários e políticos, entre eles o ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello, que viu, atônito, ser retirado da Casa Dinda, uma de suas moradias, vários carros de luxo avaliados em milhões de reais. Os mandados assinados por três ministros do Supremo Tribunal Federal não deixa dúvida quanto a intolerância com aqueles que se julgavam intocáveis até então. Os três pêsEscrevi aqui, não faz muito tempo, artigo em que dizia que no Brasil a cadeia foi feita para enjaular os três pês – puta, pobre e preto. De lá pra cá, parece que muita coisa mudou. No xadrez da Polícia Federal, em Curitiba, está presa a nata do empresariado e diretores de empresas púbicas até então homens acima de qualquer suspeita. Para que isso fosse possível, um grupo de abnegados procuradores do Ministério Púbico, liderados pelo juiz Sergio Moro, desencadeou uma operação indiscriminada de caça às bruxas prendendo e condenando dezenas de nobres senhores fora do mundo dos três pês.


No Planalto

A operação, que começou com a prisão do dono de um posto de gasolina em Brasília, aprofundou-se de tal forma que já entrou pela porta adentro do Palácio do Planalto e agora do Congresso Nacional com o inequívoco respaldo do STF que autorizou a última blitz na casa de empresários e políticos. Nota-se, portanto, que os ministros do tribunal não estão dispostos a abrir mão de suas prerrogativas constitucionais para apadrinhar outros personagens importantes envolvidos nos escândalos de corrupção. E, de uma vez por toda, manda um recado claríssimo de que não serão influenciados por ninguém.


Tensão

Essa postura do STF deixa sem dormir a cúpula do PT. E a Dilma em maus lençóis, quando o dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirma em depoimento que doou quase 8 milhões de reais ao Edinho, ex- tesoureiro da sua campanha, atual Ministro da Comunicação Social, dinheiro roubado da Petrobrás. Numa reunião reservada com Aloizio Mercadante, o Edinho e assessores do seu gabinete, a Dilma expressou o temor com o cerco ao seu governo ao afirmar que “não tenho nada a ver com essa merda, portanto não vou segurar ninguém”. Engana-se. Ela está atolada até o pescoço. O dinheiro arrecadado por Edinho, fruto do assalto aos cofres da Petrobrás, foi parar nas suas contas de campanha. Além disso, ela deu prejuízo a Petrobrás de quase 1 bilhão de dólares ao autorizar a compra da refinaria de Pasadena quando esteve à frente da presidência do Conselho da Petrobrás. Além disso, responde a processos no TSE e no TCU, este por administrar o país com irresponsabilidade. 


Liberdade

Os ministros do STF estão dando provas inequívocas de que não vão ceder a pressões palacianas que tentam impedir o prosseguimento da Lava-Jato com a expedição dos primeiros mandados de busca e apreensão na casa de políticos com fórum privilegiados. É bom que outros ponham a barba de molho, depois do aviso do aviso da Corte de que já pagou suas dívidas com seus padrinhos. Agora, o que os ministros mais querem é andar nas ruas sem serem molestados.   

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