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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 829 / 2015

15/07/2015 - 15:22:00

Prefeitura e Casal divergem sobre despejo de esgoto em praia

Companhia fez ligação clandestina’, afirma secretário municipal de Meio Ambiente; caso é investigado pela PF

José Martins Especial para o EXTRA

Doze dias após o superintendente da Polícia Federal em Alagoas, André Santos Costa, confirmar o descarte de esgoto na praia da Jatiúca, em Maceió, o inquérito que apura o crime ambiental já conta com o esclarecimento da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). Segundo informado, pelo menos por enquanto, o vazamento de dejetos em um dos cartões postais da capital persistirá. A PF obteve resposta da empresa dentro do prazo de 48 horas como determinado, porém a investigação continua também em outros pontos de Maceió. Se a empresa não repassasse as informações poderia ser enquadrada por crime de desobediência à ordem de autoridade federal.

A Casal encaminhou ao jornal EXTRA de Alagoas uma síntese do que foi enviado ao órgão federal em que alegou que o transbordamento de esgoto nos PVs (poços de visita) da bacia da Pajuçara acontece devido ao estrangulamento do coletor-tronco entre as estações elevatórias da Praça Lions, na Pajuçara, e da Praça 13 de Maio, no bairro do Poço.

 Para resolver esse problema e expandir a cobertura de coleta, os governos estadual e federal pretendem investir mais de R$ 50 milhões em obras de esgotamento sanitário. Destes recursos, R$ 8 milhões serão empregados pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), na execução da interligação (linha expressa) entre as estações elevatórias citadas, com extensão de 2,5km, obra para o transporte de todo o esgoto coletado na parte baixa norte da cidade de Maceió para o emissário submarino.

A linha expressa, de acordo com o presidente da Casal, Clécio Falcão, está com o processo de licitação em fase final pela pasta de Infraestrutura, devendo as obras serem concluídas ainda neste semestre. Somente após esta etapa é que a Casal vai realizar o serviço de desassoreamento do coletor atual que interliga as duas estações elevatórias que se encontram parcialmente obstruídas, provocando o transbordamento em alguns poços de visita sempre que a vazão de efluentes aumenta. 

Ainda conforme a companhia, os problemas vão continuar já que só depois deste serviço é que será garantido o funcionamento do sistema de esgotamento sanitário da bacia da Pajuçara, solucionando os problemas relacionados a esgoto que ocorrem atualmente naquela região. 


Prefeitura critica resposta da companhia

Sobre a ligação de esgoto em uma galeria de águas pluviais, a Casal considerou desconhecer por completo a origem e afirmou que galerias de águas pluviais são de responsabilidade da Prefeitura, sendo que a rede coletora de esgotos é operada pela companhia de saneamento. Ambos os sistemas funcionam de forma independente. O argumento de que a companhia “desconhecia o esgoto na galeria de águas pluviais” foi rebatido pelo secretário municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma), David Maia. “Está comprovado que a Casal teria feito uma ligação clandestina de esgoto nas galerias de águas pluviais.

Em um primeiro momento até achamos que fosse o esgoto de um hotel da região, mas constatamos que quem estava irregular era a companhia de saneamento. Espero que o inquérito saia logo para que tudo seja esclarecido”, disse o secretário. A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Maceió informou que a Sempma está reunindo e encaminhará todos os processos referentes às notificações aplicadas à Casal pelo município. Os documentos foram solicitados pela Polícia Federal e serão anexados ao inquérito que investiga o vazamento de esgoto na praia da Jatiúca, já classificado como crime ambiental. 


É esgoto!

A equipe do Laboratório de Estudos Ambientais do Instituto do Meio Ambiente (IMA) coletou amostras de água em galeria de água pluvial e no mar após suspeita de que a região estaria sendo contaminada pelo transbordamento de esgoto sem tratamento. Os técnicos do laboratório realizaram oito coletas. Primeiro, as amostras foram recolhidas no mar e depois na galeria de água pluvial.O IMA recebeu a demanda da PF para apoiar a investigação sobre a língua suja existente na Praia da Jatiúca quando, no dia 3 de maio, após a incidência de fortes chuvas, apareceu uma mancha escura causada por esgoto, conforme resultado de análises realizadas posteriormente. Naquela semana, um relatório divulgado pelo órgão constatou que havia 3,5 milhões de coliformes fecais a cada 100mL analisados. O índice normal é de até mil coliformes fecais por cem mililitros (1 mil/100mL).

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